Espanhóis querem BPI com receitas a crescerem 9% ao ano até 2024

Caixabank quer banco português a convergir para as metas do grupo nos próximos três anos: duplicar a rentabilidade para 12% e melhorar a eficiência.

Cinco anos depois da aquisição do BPI, os espanhóis do Caixabank fazem um balanço positivo do desempenho do banco português, mas querem mais. Pretendem que as receitas cresçam 9% ao ano nos próximos três anos, período durante o qual os indicadores de rentabilidade e de eficiência deverão convergir para as metas de todo o grupo.

“Manter o círculo virtuoso de crescimento e rentabilidade” é o que os espanhóis pedem ao banco português liderado por João Pedro Oliveira e Costa no plano estratégico do Caixabank 2022-2024, divulgado esta terça-feira de manhã ao mercado e que será apresentado mais pelo conselheiro delegado do grupo, Gonzalo Gortázar, em Madrid.

Em nenhum momento do plano, o grupo espanhol fala em eventuais aquisições em Espanha (onde acabou de absorver o intervencionado Bankia) nem em Portugal (quando é apontado como um dos potenciais candidatos a comprar o Novobanco) para continuar a fazer crescer o negócio na Península Ibérica.

Antes, o objetivo tanto cá e lá passa por reforçar o serviço às famílias e empresas e aproveitar o próximo ciclo de juros mais altos do Banco Central Europeu (BCE) e da entrada dos fundos do PRR para aumentar as receitas e melhorar a rentabilidade do grupo que deverá chegar ao final do plano com um ROTE acima de 12%, face aos atuais 6%, e acima do custo de capital para poder remunerar adequadamente os acionistas, e um rácio de eficiência abaixo dos 48%.

Para o BPI também é esse o plano. O banco português fechou 2021 com um ROTE de 6,8% e com um rácio de eficiência de 57%, pontos de partida que dão conta do trabalho que a equipa de Oliveira e Costa terá pela frente nos próximos anos para convergir para o desempenho de todo o grupo.

Os espanhóis consideram que o BPI já dispõe de uma boa base de depósitos (29 mil milhões de euros) para dar conta da sua atividade até 2024 (pelo menos, o plano prevê crescimentos nulos nos recursos dentro de balanço). Porém, querem aumentar a poupança de longo prazo (recursos fora de balanço) ao ritmo de 9% ao ano através do crescimento das aplicações noutros produtos financeiros. Por outro lado, o banco português terá de ter a capacidade para emprestar mais dinheiro à economia: querem que o “crédito saudável” cresça 3% ao ano.

Será a partir destes volumes de negócio que o banco deverá ser capaz de aumentar as receitas, em média, 9% por ano, de acordo com o plano.

Revela o Caixabank em comunicado que, além do desenvolvimento da oferta de produtos e serviços, complementada por um reforço das vendas digitais, o BPI terá “de melhorar a gestão da rentabilidade por risco e segmento e reforçar o controlo de custos”. Oliveira e Costa tem afastado uma redução dos quadros no BPI, como outros bancos têm vindo a fazer nos últimos anos.

O BPI detém ainda uma participação financeira no angolano BFA e no moçambicano BCI, que contribuem para os seus resultados. Há muito que o banco estuda um desinvestimento na unidade angolana, podendo vir a concretizar-se com uma dispersão na bolsa de Luanda (o CEO disse que veria esse cenário com bons olhos). O plano estratégico do Caixabank não dá detalhes sobre as unidades africanas.

Quanto ao Caixabank, comprometeu-se a distribuir 50% dos lucros pelos acionistas, com o plano a apontar para a geração de nove mil milhões de euros de capital disponível para distribuir. Em termos de distribuição de lucros com o acionista espanhol, o BPI tem seguido pela mesma bitola de repartir metade do que ganha.

O BPI registou lucros de 49 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que representa uma descida de 18% em relação ao mesmo período de 2021. O banco explicou a diminuição dos resultados com a atividade em Portugal, que teve um lucro 28 milhões de euros no arranque de 2022 face aos 54 milhões há um ano, quando registou ganhos extraordinários de 23 milhões com a venda de créditos não produtivos.

O jornalista viajou a Madrid a convite do Caixabank.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Espanhóis querem BPI com receitas a crescerem 9% ao ano até 2024

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião