Lucro do BPI cai 18% para 49 milhões no primeiro trimestre

O BPI registou lucros de 49 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que representa uma descida de 18% em relação ao mesmo período de 2021.

O BPI registou lucros de 49 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que representa uma descida de 18% em relação ao mesmo período de 2021. O banco explica a diminuição dos resultados com a atividade em Portugal, que teve um lucro 28 milhões de euros no arranque de 2022 face aos 54 milhões há um ano, quando registou ganhos extraordinários de 23 milhões com a venda de créditos não produtivos.

Já o angolano BFA deu um contributo de 14 milhões de euros, devido à valorização do kwanza, acima do milhão de há um ano. O banco ainda tem por receber os dividendos de Angola relativos a 2021, que vão ajudar a engordar os resultados. Em relação ao moçambicano BCI, o contributo foi de sete milhões.

“A atividade do banco foi bastante positiva, com crescimento dos proveitos e ganhos de quota em todos os segmentos comerciais. Ao mesmo tempo, tivemos custos bastante contidos, apesar dos investimentos na área digital”, resumiu o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, na apresentação dos resultados.

O crédito aos clientes aumentou 2,2 mil milhões de euros e os recursos de clientes subiram três mil milhões em termos anuais, ajudando o banco em Portugal a estabilizar os rendimentos com juros (“compensou a agressividade da concorrência na concessão de crédito”, disse Oliveira e Costa) e a aumentar as receitas com comissões: a margem financeira estabilizou nos 113 milhões de euros e as comissões líquidas subiram 12% para 189 milhões de euros. O produto bancário manteve-se nos 178 milhões no período.

O CEO destacou o bom desempenho no crédito à habitação, que acelerou 10% para 13,4 mil milhões de euros, com o banco a beneficiar dos processos internos mais simples e rápidos na contratação dos empréstimos e do ambiente económico mais favorável. O banco teve uma quota de contratação de 20% em março. “Estamos a ganhar quota de mercado de forma consistente”, assinalou Oliveira e Costa.

Em relação aos custos, subiram ligeiramente: mais 3% para 112,3 milhões de euros. O investimento em software e obras em imóveis atingiram os 16,6 milhões. Os quadros também aumentaram em oito trabalhadores, com o BPI a empregar 4.486 colaboradores. Oliveira e Costa disse que o banco vai continuar a renovar os quadros.

Pelo facto de ter aumentado os volumes de negócio, o BPI teve mais encargos com custos regulamentares: pagou 21,2 milhões de euros de contribuição sobre o setor bancário e 3,9 milhões de adicional de solidariedade, que Oliveira e Costa diz não fazer sentido manter-se atualmente. “É um imposto cego”, disse o líder do BPI sobre o adicional de solidariedade.

Quanto aos rácios, terminou março com um rácio de capital de 17,5% e Oliveira e Costa lembrou que já têm em conta a previsível distribuição de dividendos em linha com o que tem sido feito nos últimos anos.

O banco chegou a março de 2022 com um rácio de NPE de 1,6% e um rádio de cobertura de NPE de 150%.

25 milhões de imparidades para a guerra

Oliveira e Costa adiantou ainda que o banco tem uma exposição “completamente insignificante” à Rússia e à Ucrânia, apesar de ter empresas clientes com negócios naquelas regiões.

Em todo o caso, das imparidades não alocadas de 72 milhões de euros que foram constituídas na pandemia, um terço desse valor está a ser alocado para “esta nova situação” da guerra, frisou o gestor. São cerca de 25 milhões.

“Mesmo que a Covid se desanuvie, deslocaremos uma parte para este efeito da Ucrânia”, precisou.

(Notícia atualizada às 12h41)

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