“Nenhuma companhia consegue absorver estes aumentos sem ajustar os seus preços”, diz Rios Amorim

António Rios Amorim considera que a atividade, preços de venda e eficiência operacional "deverão permitir absorver uma parte da inflação de custos" da corticeira Amorim.

Cerimónia de entrega dos prémios IRGAwards 2021 - 23SET21
António Rios de Amorim foi premiado como melhor CEO nos IRGAwardsHugo Amaral/ECO

António Rios Amorim, presidente executivo e chairman da Corticeira Amorim, é um dos nomeados na categoria de melhor CEO na relação com os investidores da 34ª edição dos Investor Relations and Governance Awards (IRGAwards), uma iniciativa da consultora Deloitte. Em resposta por email a questões do ECO, afirma que “nenhuma crise deve ser desperdiçada”.

Rios Amorim chegou à liderança da Corticeira Amorim em 2001, com apenas 33 anos. Um dos maiores desafios que teve de vencer foi a ameaça da TCA, a substância química presente na cortiça que confere “sabor a rolha” ao vinho, e que superou através do desenvolvimento de novas técnicas. Aquisições e diversificação no uso da matéria-prima proporcionada pelo sobreiro, com a criação de novos materiais, sustentaram o crescimento do grupo, afirmando-o como o maior fabricante mundial de produtos de cortiça.

Licenciado em Comércio Internacional pela Universidade de Birmingham, fez estudos executivos em gestão no INSEAD, Stanford e Columbia. Depois da pandemia, o gestor de 54 anos, vencedor da 33ª edição dos IRGAwards, enfrenta agora os desafios criados pela inflação.

António Rios Amorim reconhece que a subida de preços vai ter impacto no negócio, mas considera “que o crescimento previsto da atividade, a evolução dos preços de venda e melhorias da eficiência operacional deverão permitir absorver uma parte da inflação de custos em 2022.”

A inovação foi sempre uma aposta de António Rios Amorim e foi recentemente eleito para a presidência da COTEC, substituindo Isabel Furtado, presidente executiva da TMG Automotive. É também vice-presidente da Business Roundtable Portugal, uma associação que reúne 42 das maiores empresas portuguesas com o objetivo de colocar na agenda políticas que acelerem o crescimento económico do país.

Que desafios é que a aceleração da inflação está a criar para o negócio e de que forma é que a Corticeira Amorim está a responder a eles?

A inflação a estes níveis vai certamente ter impacto na nossa atividade. Não é possível nenhuma companhia absorver estes aumentos sem ajustar os seus preços de venda uma vez que todos estamos confrontados com o mesmo problema. Veremos que impacto a guerra, a evolução dos preços de energia, as subidas de taxas de juro e o reequilíbrio das cadeias logísticas terão como amortecedor a esta preocupante inflação.

O ano de 2021 foi já muito desafiante no que diz respeito à rentabilidade, face aos aumentos consideráveis dos custos de energia, de transporte e de várias matérias subsidiárias, que limitaram o crescimento dos resultados e da rentabilidade. Acredito que o crescimento previsto da atividade, a evolução dos preços de venda e melhorias da eficiência operacional deverão permitir absorver uma parte da inflação de custos em 2022. Além disso, deveremos também beneficiar do enriquecimento da gama média de produtos e da melhoria do mix, nomeadamente decorrente da introdução das novas tecnologias desenvolvidas ao longo dos últimos anos.

A inflação trouxe também um novo ciclo de aumento das taxas de juro. Qual será a resposta da Corticeira Amorim a este novo enquadramento?

O aumento das taxas de juro resultará certamente num agravamento dos gastos financeiros. No entanto, a Corticeira Amorim tem uma estrutura de capitais equilibrada e um balanço sólido, que deverão atuar como salvaguarda de eventuais condicionantes decorrentes deste novo ciclo de crescimento das taxas de juro.

Enfrentamos o momento atual com a mesma dedicação, determinação e ambição, convictos de que nenhuma crise deve ser desperdiçada.

António Rios Amorim

“Shaping human lives through sustainability and technology” foi o tema escolhido para a edição deste ano dos IRGAwards, num convite à reflexão sobre a maneira como funcionamos enquanto sociedade e o legado que deixaremos às gerações futuras. O que é urgente mudar para deixarmos às próximas gerações um legado melhor?

Estamos verdadeiramente empenhados em contribuir para um modelo de desenvolvimento sustentável e para uma sociedade mais coesa, consciente e preparada para enfrentar com perseverança e tenacidade os desafios futuros. A nossa ambição para o futuro é continuar a nossa trajetória de crescimento, mas queremos fazê-lo garantindo a segurança e o bem-estar de todos, o desenvolvimento das nossas pessoas, a gestão eficiente dos recursos, a proteção do equilíbrio dos ecossistemas e a circularidade dos processos e da economia… Este é o nosso grande desafio para o futuro!

Da sua experiência como gestor, que lição considera mais valiosa para enfrentar o momento atual?

Enfrentamos o momento atual com a mesma dedicação, determinação e ambição, convictos de que nenhuma crise deve ser desperdiçada. Ao longo da nossa história, a Corticeira Amorim soube transformar momentos de crise em oportunidades, emergindo como uma empresa mais forte e melhor preparada. Os últimos dois anos foram extremamente desafiantes, marcados pela inesperada disrupção das cadeias de logística e a escalada da inflação, mas também pela resiliência, responsabilidade e solidariedade da Corticeira Amorim. Os sucessivos e inesperados obstáculos foram sendo superados, permitindo a recuperação dos níveis de atividade de 2019.

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