Klarna despede 10% dos colaboradores. “Desafios atuais poderão abrandar planos em Portugal”

A fintech sueca tinha anunciado a intenção de instalar um hub em Portugal e a contratação, ao longo de vários anos, de 500 colaboradores. Prepara mudança para novo escritório em julho.

A Klarna vai despedir cerca de 10% dos seus colaboradores. A decisão foi conhecida esta semana pouco tempo depois de a fintech sueca ter anunciado a intenção de abrir um hub em Lisboa e de contratar até 500 colaboradores ao longo dos anos. A Klarna garante estar comprometida com o mercado português.

“Embora os desafios atuais possam abrandar os nossos planos em Portugal, permanecemos comprometidos no desenvolvimento da nossa presença em Lisboa e com os nossos parceiros portugueses e consumidores”, garante fonte oficial da fintech à Pessoas/ECO.

O anúncio da redução de 10% dos cerca de 6.500 colaboradores da fintech sueca foi feito aos colaboradores no início da semana pelo CEO e cofundador Sebastian Siemiatkowski, numa mensagem vídeo pré-gravada. O responsável apontou a decisão a constrangimentos de mercado.

“Somos fortemente influenciados pelo mundo. Quando definimos os nossos objetivos para 2022 no outono, era um mundo muito diferente do que temos hoje”, disse, citado pela Sifted (conteúdo em inglês).

“É por isso que precisamos de agir. Hoje, mais do que nunca, temos de nos focar no que realmente nos faz ser bem-sucedidos no futuro. Com base nisso, a liderança sénior da Klarna tomou algumas decisões difíceis. Algumas das mais difíceis que alguma vez tivemos de tomar. Em conjunto reavaliamos a organização para assegurar que podemos continuar a entregar os nossos objetivos ambiciosos.”

Na semana passada o Wall Street Journal tinha noticiado que a Klarna procurava uma nova ronda de financiamento — o objetivo seria levantar pelo menos mil milhões de dólares de capital — mas que poderia baixar a avaliação da fintetch de 46 mil milhões de dólares para 30 mil milhões de dólares.

Retração no setor tech

O anúncio da Klarna é um dos mais recentes no setor tech. A plataforma Hopin — sediada em Londres — despediu em fevereiro 138 pessoas, 10% dos seus colaboradores, e a healthtech sueca Kry anunciou um corte de 10%, cerca de 100 pessoas.

Esta semana foi igualmente conhecido que a plataforma de entregas Gorillas — que em julho do ano passado se apresentava como a startup europeia a atingir mais rapidamente o estatuto unicórnio (em nove meses) — anunciou o corte de 320 colaboradores no escritório de Berlim, para reduzir custos, bem como o potencial fecho de operação em mercados como Espanha, Itália, Dinamarca e Bélgica, noticiou a Tech.eu, citando a alemã Manager Magazin (conteúdo em inglês).

E não são os únicos a abrandar. Do outro lado do Atlântico, a Meta — a dona do Facebook — abrandou o seu ritmo de contratação num esforço para cortar custos no início do mês e o Twitter já anunciou uma pausa nas contratações. E não são os únicos. Da Netflix à Robinhood uma série de companhias nos Estados Unidos já anunciaram uma série de reduções de pessoal este ano, relata a Crunchbase News (conteúdo em inglês).

Klarna de mudanças em julho

O anúncio da Klarna surge num momento em que, em Lisboa, a startup se prepara para mudar para uma nova casa em julho: o Idea Spaces São Sebastião, confirmou a Pessoas/ECO junto da empresa.

“A Klarna conta atualmente com uma equipa composta por 20 pessoas em Portugal, e está a começar o processo de recrutamento, com campanhas dedicadas a atrair novos talentos nas próximas semanas e meses. Para tal, está à procura de um espaço de escritório e de trabalho que seja expansível e que consiga acolher a equipa baseada em Lisboa”, adianta fonte oficial da fintech à Pessoas.

“A Klarna está a começar o processo de recrutamento e o plano é o de começar com um escritório mais pequeno, mas que tenha o potencial de crescimento para acompanhar o crescimento da equipa. Práticas semelhantes foram utilizadas com sucesso no lançamento de novos escritórios da Klarna noutras cidades, como em Madrid e Toronto”, continua.

Em Lisboa, a Klarna está atualmente em dois escritórios privados no Idea Spaces — no Palácio de Sotto Mayor — mas irá “mudar-se, em julho, para um espaço maior que, consiga acompanhar o crescimento da equipa, no Idea Spaces São Sebastião”, confirma fonte oficial da startup.

A fintech prevê, ao longo de vários anos, a contratação dos 500 colaboradores, sobretudo, para funções de desenvolvimento de produto, incluindo engenheiros, gestores de produtos e analistas.

Novo Idea Spaces com abertura para breve

A Klarna será um dos primeiros inquilinos do Idea Spaces São Sebastião”, adianta fonte oficial da Idea Spaces. Com 12 pisos, o edifício junto ao El Corte Inglés em Lisboa é o quarto espaço da Idea Spaces em Lisboa, tal como tinha avançado em dezembro a Pessoas/ECO. A sua abertura está para breve, garante fonte da empresa, sem precisar uma data.

“Os últimos dois anos têm sido extremamente desafiantes, mas os que estão por vir não serão menos. Em 2022 o Idea Spaces tem planos para duplicar o número de localizações, lançar-se numa nova cidade e desenvolver novas layers de negócio que nos permitam aumentar a faturação em 40%. Tudo isto sem perdermos o foco na satisfação e retenção da nossa comunidade”, referiu na época João Carlos Simões, CEO do Idea Spaces, citado em comunicado.

Um quinto espaço fora de Lisboa está ainda previsto para este ano.

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