Mais de metade das empresas portuguesas não estão preparadas para Pacto Ecológico Europeu

A nível nacional, 36% das empresas inquiridas pela PwC indicam não estar familiarizadas com a iniciativa que visa tornar o bloco europeu neutro em carbono até 2050.

Mais de metade das empresas portuguesas admitem estar pouco ou nada preparadas para a implementação do Pacto Ecológico Europeu (Green New Deal), o plano que visa tornar a União Europeia (UE) no primeiro continente neutro em carbono até 2050 e com uma economia sustentável.

De acordo com os resultados de um estudo conduzido pela PwC, onde foram inquiridas cerca de 30 empresas a nível nacional, não só são ainda poucas as empresas familiarizadas com a iniciativa ambiental de Bruxelas como também são poucas as que estão preparadas para o seu impacto, “mostrando que têm pela frente um desafio contra o tempo para se conseguirem adaptar”.

Segundo o documento, 36% das empresas inquiridas em Portugal indicam não estar familiarizadas com o Pacto Ecológico Europeu (60% no global), e 57% diz estar pouco, ou nada, preparada para a implementação (22% no global).

Quando questionadas sobre a falta de preparação para esta iniciativa, o estudo da PwC revela que 43% das empresas portuguesas (38% no global) confessa ter falta de conhecimento sobre o pacto, bem como das suas implicações para os seus negócios, enquanto 36% (38% no global) aponta a falta de competências organizacionais para realizar esta implementação.

E as dificuldades deverão agravar-se. Na avaliação realizada pela consultora, espera-se que um dos maiores impactos sobre as empresas decorra da proposta de Mecanismo de Ajustamento das Emissões de Carbono nas Fronteiras (Carbon Border Adjustment Mechanism), “uma ferramenta que irá definir um preço para o carbono, em determinadas importações, de forma a assegurar que as reduções de emissões, no espaço europeu, contribuam efetivamente para uma diminuição das mesmas, ao nível global”.

Além deste, a PwC alerta para o surgimento de novos impostos, taxas e outros mecanismos fiscais, que se espera que possam ser mais de mil, concebidos para financiar o custo desta ambiciosa agenda e incentivar a ação climática.

Mais de metade das empresas tem investimento preparado

Apesar da falta de preparação para o arranque desta transição e dos desafios associados, os resultados mostram que a maioria das empresas portuguesas já está a tomar medidas para se tornar mais sustentável: 57% referiram já ter alocado capital para esta transição nos próximos três a cinco anos – “contudo, os investimentos ainda estão a ser realizados numa base ad hoc e não como parte de um plano estratégico integrado”, ressalva a PwC.

Entre as iniciativas desenvolvidas pelas empresas nacionais para colmatar os impactos, como consequência de um aumento das taxas ambientais, destaca-se a utilização de energia limpa (87%), seguida da redução do consumo energético e de recursos hídricos (63%).

A redução das emissões de CO2 é uma prioridade apenas para 38% das empresas nacionais respondentes, adianta ainda a consultora, relembrando que as “fases de produção e distribuição são as responsáveis pelo maior volume de emissões de gases com efeito de estufa”. Neste âmbito, registam-se resultados “animadores”, com uma percentagem significativa das empresas a indicar estar a fazer alterações às suas instalações, equipamento e processos de produção para que estes respeitam mais o ambiente – 61% das empresas respondentes em Portugal está a recorrer a fontes de energia limpa para os diferentes tipos de operações.

Além da adoção de recursos mais limpos, devem ser considerados fornecedores e distribuidores mais sustentáveis, sendo que a própria UE quer incentivar a fixação das várias fases da cadeia de valor dentro do seu território. Contudo, enquanto na globalidade apenas 15% das empresas pretende deslocalizar, a curto prazo, as suas atividades de abastecimento para fora do
espaço comunitário, 50% dos respondentes em Portugal referem estar a considerar esta opção.

O estudo da PwC, que alerta para a necessidade das empresas se transformarem “a longo prazo, para conseguirem responder a estas mudanças”, abrangeu 13 países europeus (incluindo a Noruega, Suíça e Reino Unido, que, mesmo não estando integradas na UE, serão afetadas por estas novas normas ambientais) e inquiriu cerca de 300 empresas de diferentes setores de atividade.

De acordo com Cláudia Coelho, sustainability and climate change partner da consultora, embora a União Europeia e os respetivos governos estejas “conscientes” da urgência para a transição, “existe ainda muito a fazer por parte dos países para se alcançarem os objetivos que permitem mitigar os efeitos das alterações climáticas”.

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