Duas novas demissões no Governo britânico aumentam pressão sobre Boris Johnson

  • Lusa
  • 6 Julho 2022

O secretário de Estado das Crianças e da Família e uma assistente do Secretário de Estado dos Transportes são as mais recentes demissões do Governo britânico.

Mais dois membros do Governo britânico anunciaram esta quarta-feira a sua demissão, um dia depois das saídas dos ministros da Saúde e das Finanças, aumentando a pressão sobre o primeiro-ministro conservador, Boris Johnson, envolvido numa onda de escândalos.

O secretário de Estado das Crianças e da Família, Will Quince, disse não ter “escolha” depois de ter repetido “de boa fé” aos meios de comunicação social elementos fornecidos pelos serviços do primeiro-ministro “que se revelaram imprecisos”.

Por sua vez, Laura Trott renunciou ao cargo de assistente do Secretário de Estado dos Transportes, julgando que a confiança no Executivo liderado por Boris Johnson estava “perdida”.

Ao todo, nas últimas 24 horas demitiram-se 12 membros do Governo, segundo a estação pública britânica BBC, a maioria deputados que eram conselheiros e assistentes.

No entanto, Boris Johnson parece determinado em lutar pela sobrevivência e anunciou rapidamente uma remodelação, com o ministro da Educação, Nadhim Zahawi, a passar para a pasta das Finanças, e Steve Barclay, chefe de gabinete, para a Saúde.

Além do debate semanal no Parlamento, ao fim da manhã desta quarta-feira, Boris Johnson vai ser questionado hoje à tarde pelos presidentes das principais comissões parlamentares, incluindo alguns dos críticos mais vocais dentro do Partido Conservador.

A mais recente crise foi causada pela admissão de Johnson de que cometeu um “erro” ao nomear Chris Pincher para o Governo em fevereiro como responsável pela disciplina parlamentar.

Pincher demitiu-se na semana passada após ter sido acusado de ter apalpado dois homens.

Na terça-feira, depois de alegar o contrário, Downing Street reconheceu que o primeiro-ministro tinha sido informado já em 2019 de antigas acusações contra Pincher, mas que teria esquecido o assunto.

Horas depois, no final do dia, os ministros da Saúde, Sajid Javid, e das Finanças, Rishi Sunak, anunciaram a demissão com poucos minutos de intervalo, cansados dos repetidos escândalos que abalam o Governo há meses, seguidos por outros membros menos graduados da equipa governativa.

Num texto publicado esta quarta-feira no jornal Daily Telegraph, o ex-secretário de Estado para o ‘Brexit’ (processo de saída do Reino Unido da União Europeia) David Frost, que também se demitiu em dezembro, avisou que se Boris Johnson continuar “corre o risco de arrastar o partido e o Governo com ele”.

Consideravelmente enfraquecido pelo escândalo das “festas” em Downing Street durante a pandemia de Covid-19 e uma série de escândalos sexuais no Partido Conservador, Boris Johnson sobreviveu a uma moção de censura interna no início de junho.

O contexto económico também é particularmente delicado, com a inflação no nível mais alto em 40 anos, 9,1% em maio, e uma crescente agitação social.

De acordo com uma sondagem do Instituto YouGov, divulgada na noite de terça-feira, 69% dos eleitores britânicos acreditam que Boris Johnson deveria demitir-se.

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