BCP afasta aumento de capital por causa dos problemas na Polónia

Banco polaco do BCP enfrenta problemas relacionados com créditos em francos suíços e com o novo esquema de moratórias. Miguel Maya chamou-lhe "tormentas" que vão passar sem apoio da casa-mãe.

O BCP afastou esta quarta-feira a necessidade de um aumento de capital por causa dos problemas que o seu banco na Polónia, o Bank Millennium, está a enfrentar por conta dos empréstimos hipotecários em francos suíços e do novo regime de moratórias no país.

Se a operação tem capacidade de repor os rácios lá e nós temos os rácios acima dos regulamentares, e que temos de continuar a gerir com rigor, não estamos a planear nenhuma operação de aumento de capital em Portugal”, assegurou o CEO do banco, Miguel Maya, durante a apresentação dos resultados do semestre.

Não está considerado no plano de recuperação [do Bank Millennium], nem é nossa intenção, qualquer tipo de suporte de capital ou liquidez à operação polaca” por parte do BCP, reforçou o gestor aos jornalistas.

"Se a operação tem capacidade de repor os rácios lá e nós temos os rácios acima dos regulamentares e que temos de continuar a gerir com rigor, não estamos a planear nenhuma operação de aumento de capital em Portugal.”

Miguel Maya

Presidente do BCP

Há muito que o Bank Millennium, detido a 50,1% pelo BCP, vem enfrentando problemas por causa das contingências associadas à carteira de crédito hipotecário em moeda estrangeira, originada antes de 2008, e que já obrigaram à constituição de provisões na ordem dos 600 milhões de euros para fazer face a eventuais decisões negativas nos tribunais.

Recentemente, o setor financeiro polaco foi surpreendido pelo governo com a criação de uma nova lei das moratórias de crédito no país, que Miguel Maya acha inusitado pois qualquer cliente, independentemente da sua capacidade financeira, poderá aderir. O Bank Millennium já adiantou que vai reconhecer antecipadamente custos até 330 milhões no terceiro trimestre (um custo upfront dentro do intervalo de 75%-90% em relação ao custo máximo de 370 milhões que já sinalizou) e ativar um plano de recuperação no sentido de reforçar os rácios de capital para níveis acima das exigências dos reguladores.

Além disso, foi criado um Fundo de Proteção Institucional (IPS, na sigla em inglês) para assegurar a estabilidade do setor e que exigiu a contribuição de 54,3 milhões por parte do Bank Millennium.

Miguel Maya chama “tormentas” e acredita que a equipa de gestão na Polónia vai ser capaz de dar a volta. “O banco na Polónia foi capaz de gerar resultados para acomodar o fortíssimo nível de provisionamento se não fosse o IPS”, afiançou, assegurando ainda que o BCP não quer desfazer-se do negócio polaco, apesar do ambiente de negócios pouco favorável. “O banco tem um valor percebido pelo mercado, pelos clientes, muito forte”, disse.

A Fosun é o maior acionista do BCP, com 29,95% do capital do banco, mas tem vindo a acelerar a venda de ativos para reduzir o elevado endividamento. Miguel Maya contou que esteve recentemente com o presidente do grupo chinês e que “todas as indicações” que recebeu “são de suporte ao banco, à estratégia que está a percorrer”. Rematou de seguida: “Não perspetivo qualquer alteração nesta matéria”.

Com 19,49%, a petrolífera angolana Sonangol é o segundo maior acionista do banco português e também tem vindo a adotar uma política de desinvestimentos não core.

O BCP registou um lucro de 74,5 milhões de euros no primeiro semestre do ano, uma subida de 500% em relação ao resultado de 12,3 milhões do mesmo período do ano passado

(Notícia atualizada às 18h29)

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