Lucro do BCP dispara 500% para 74,5 milhões. Miguel Maya rejeita “lucros caídos do céu”

O BCP fechou a primeira metade do ano com lucros de 74,5 milhões de euros, uma subida de 500% em relação ao mesmo período do ano passado. CEO Miguel Maya rejeita ideia de "lucros caídos do céu".

O BCP registou um lucro de 74,5 milhões de euros no primeiro semestre do ano, uma subida de 500% em relação ao resultado de 12,3 milhões do mesmo período do ano passado, mas continua a enfrentar problemas com o seu banco na Polónia.

“Os resultados foram muito influenciados pelo aumento dos proveitos core” e também por uma “gestão rigorosa dos custos operacionais”, explicou o CEO do banco, Miguel Maya, na apresentação dos resultados, rejeitando a ideia de “lucros caídos do céu” na banca por causa do novo ciclo de juros do Banco Central Europeu (BCE) e que o Governo espanhol pretende começar a taxar.

Não sei o que são lucros caídos do céu, estamos com ROE abaixo de 3%, é manifestamente baixo. O que digo é que temos resultados extraordinários por baixo“, disse aos jornalistas.

“Temos apanhado fardos pesadíssimos caídos do céu”, acrescentou ainda, apontando aos 60 milhões de euros que o banco pagou em contribuições bancárias em Portugal, incluindo para o Fundo de Resolução. “Isto mina a competitividade do banco quando falamos em concorrência na Zona Euro”.

Miguel Maya começou a apresentação dos resultados a dar conta dos efeitos extraordinários relacionados com o Bank Millennium, detido a 50,1% pelo BCP, incluindo encargos de 257,82 milhões de euros associados à carteira de créditos em francos suíços, a contribuição de 54,3 milhões para o Fundo de Proteção Institucional polaco e registo da imparidade do goodwill do Bank Millennium de 102,3 milhões.

Sem imparidades e provisões, o resultado do banco aumenta 45,7%, destaca a instituição financeira, com o lucro de 174,5 milhões de euros da atividade em Portugal a compensar os prejuízos da unidade polaca.

Apesar do disparo dos resultados, que também têm a ver com o efeito base (no ano passado registou um custo de 80 milhões com a reestruturação, o que penalizou as contas há um ano), o CEO do BCP ressalvou que ainda “há muito trabalho a fazer” na recuperação da rentabilidade do banco, com o rácio ROE a atingir apenas os 2,8% no final de junho (acima dos 0,4% há um ano).

"Não sei o que são lucros caídos do céu, estamos com ROE abaixo de 3%, manifestamente baixo. O que digo é que temos resultados extraordinários por baixo.”

Miguel Maya

Presidente do BCP

Margem financeira dispara quase 30%. Maya diz que comissões não vão baixar

O banco já está a sentir os efeitos positivos da subida dos juros. Depois de anos sob pressão, a margem financeira – diferença entre juros recebidos nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos – disparou 28,6% para 985,2 milhões de euros na primeira metade do ano, graças sobretudo ao desempenho da unidade polaca (onde o banco central arrancou mais cedo com subidas das taxas de referência do que o BCE).

Em relação ao negócio em Portugal, Maya sublinhou que a taxa da margem financeira ainda se encontra algo pressionada pela exposição ao crédito Covid.

Também as comissões aceleraram 11% para 332,7 milhões de euros, “beneficiando principalmente do desempenho da atividade em Portugal, refletindo em larga medida a progressiva normalização da atividade económica”. Sobre este tema, Miguel Maya adiantou que as comissões não vão baixar e explicou que a política de comissionamento não está dependente da evolução da margem financeira. “São comissões adequadas ao serviço. (…) A nossa preocupação é que as comissões sejam percebidas pelo cliente em função do valor do serviço”, referiu, lembrando que a inflação também pesa no banco, que “está a pagar eletricidade mais cara e combustíveis mais caros”.

Tudo somado, o produto bancário aumentou 14,9% para 1.283,4 milhões de euros nos seis primeiros meses do ano.

Subir taxa dos depósitos? BCP não abre o jogo

Estes números demonstram a capacidade comercial do banco em cima de um volume de depósitos de mais de 91 mil milhões de euros (sobem 0,8% em termos anuais) e de créditos de mais de 57 mil milhões de euros (sobem 2,1%).

Questionado sobre se vai subir a taxa dos depósitos, Maya não abriu o jogo: “Temos reflexão, pensamento e estratégia sobre esta matéria, mas estas coisas não se anunciam, executam-se. A nossa estratégia tem em consideração as condições do mercado”. Ainda assim, lembrou que as taxas do mercado ainda não estão positivas, estão a zero.

O banco destaca a “melhoria da qualidade da carteira de crédito”, com o rácio de NPE a cair para 4,3% em junho, “refletindo essencialmente o desempenho da carteira de crédito doméstica, cujo rácio de NPE revelou uma redução de 5,3% para 4,0% entre os períodos indicados anteriormente”.

Quanto aos rácios de capital, fechou o mês de junho com um rácio de capital total e rácio CET1 fully implemented estimados de 15,3% e de 11,3%, respetivamente (15,9% e 11,8%, em base pro forma, sujeito a autorização do BCE), acima dos requisitos regulamentares.

(Notícia atualizada às 18h48)

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