Parvalorem reduz prejuízos e supera marca dos 1.000 milhões recuperados do falido BPN

Veículo que gere os despojos do BPN reduziu as perdas para menos de metade. Prepara-se para fechar a Parups, Efisa e o BPN Caimão. E atingiu uma marca: já recuperou 1.000 milhões do banco falido.

A Parvalorem conseguiu reduzir os prejuízos para metade em 2021, alcançando um resultado líquido negativo de 17,6 milhões de euros num ano que ficou marcado por um novo impulso na reestruturação do veículo responsável pela gestão dos créditos tóxicos do BPN, com o plano de saídas e os fechos da Parups e Banco Efisa. E isto enquanto superou a marca dos 1.000 milhões de euros em recuperações de crédito e vendas de imóveis, mais de 25% do total da carteira que ficou a gerir após a falência do banco fundado por Oliveira e Costa.

A “melhoria” dos resultados “está associada ao reverso de perdas por imparidade e aos rendimentos e ganhos financeiros”, indica a Parvalorem no relatório e contas de 2021 que acabou de divulgar. Em 2020, os prejuízos tinham sido de 40,6 milhões, muito influenciados pelo impacto da pandemia.

Apesar da trajetória positiva, as contas não saíram do vermelho, porque “os gastos e perdas financeiras [de mais de 60 milhões] mantêm um peso muito significativo na estrutura de custos”, justifica a entidade.

1.000 milhões recuperados, 25% da carteira

Criada em 2010, a Parvalorem ficou responsável pela gestão de uma carteira de créditos problemáticos, imóveis e outros ativos do antigo BPN, nacionalizado em 2008, no valor de 4.000 milhões de euros.

No ano passado, o veículo conseguiu obter mais 133 milhões de euros, entre recuperações de créditos (120 milhões) e outros recebimentos como vendas de imóveis (11 milhões) e rendas (529 mil euros).

Este desempenho permitiu à equipa liderada por Sofia Torres superar a marca dos 1.000 milhões de euros em recuperações desde o início da atividade da Parvalorem, “o qual representa 25,8% do total do crédito cedido ao valor nominal, incluindo-se neste montante a transformação em liquidez dos ativos recebidos em dação”, assinala a entidade.

A própria presidente, que está em fim de mandato, não deixa de assinalar outro facto: nos últimos três anos, a sociedade conseguiu recuperar 239 milhões, enquanto os ativos sob gestão reduziram-se em 104 milhões, “o que nos permite concluir que a recuperação e valorização da carteira de ativos tem superado os valores de balanço”.

IGCP e Banco de Fomento absorvem saídas

2021 ficou ainda marcado pela reestruturação interna. Devido à redução da carteira sob gestão, a Parvalorem sente necessidade de reajustar o quadro de pessoal. Nessa medida, pediu no ano passado o estatuto de empresa em reestruturação ao Governo com o objetivo de alargar a quota de rescisões com acesso ao subsídio de desemprego. Tem luz verde para rescindir com 36 trabalhadores sem que estes percam os apoios na condição de desempregado até 2024.

Foram 36 os colaboradores que aderiram ao programa de rescisões por mútuo acordo que a empresa abriu em junho, sendo que três já saíram logo em 2021, enquanto a saída dos restantes estava prevista para 2022. Com estas saídas, a Parvalorem conta com 96 trabalhadores – chegou a ter mais de 600.

A Parvalorem salienta que a redução de trabalhadores foi alcançada “num ambiente de paz social”, tendo sido acompanhada de iniciativas de fomento da empregabilidade, em articulação com algumas entidades públicas, como o IGCP e o Banco Português de Fomento, que absorveram algumas saídas.

Parups, Efisa e Caimão em vias de fecharem

Paralelamente, a Parvalorem também está a liquidar outras sociedades, como a Parups (através de fusão), que ficou a gerir as obras de arte do BPN e que foram vendidas ao Estado em 2017, rendendo 44 milhões de euros. Prevê que a fusão da Parups seja concretizada no terceiro trimestre.

Em relação ao Banco Efisa, foi apresentado o plano de liquidação ao Banco de Portugal. O encerramento do banco vai permitir à Parvalorem absorver a outra Par: a Parparticipadas.

Também em 2021 o BPN Cayman conheceu desenvolvimentos importantes. Desde 2011 que esta instituição está em processo de liquidação que tem sido travado por uma ação judicial. Em abril do ano passado, a ação foi arquivada e o BPN Cayman deverá dissolver-se até ao final do terceiro trimestre.

Buraco de 4.000 milhões

Do ponto de vista do balanço, a Parvalorem continua a apresentar uma situação líquida muito negativa. O ativo ascendia a 353 milhões de euros em 2021, menos 40 milhões em relação ao ano anterior.

Do outro lado, o passivo, constituído sobretudo pelos empréstimos do Estado, através da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, totalizava os 4.300 milhões. A Parvalorem lembra que nos últimos dois anos não foi necessária a contratação de novos financiamentos junto do erário público.

Contas feitas, esta sociedade registava capitais próprios negativos de 3.955 milhões de euros.

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