Ethereum muda “blockchain” e promete gastar 99,9% menos energia

Segundo maior projeto de criptomoedas do mundo completou operação que é comparada a trocar o motor de um automóvel em andamento. Blockchain passa a funcionar de forma diferente.

O Ethereum realizou com sucesso, na madrugada desta quinta-feira, uma complexa operação que muda a forma como as transações são validadas na segunda maior rede de criptomoedas do mundo. O processo, chamado “Merge” (fusão), promete trazer melhorias e, notavelmente, reduzir o consumo de energia da rede em 99,9%, tendo sido comparado a “trocar o motor de um automóvel em andamento”.

Até aqui, o sistema do Ethereum – uma tecnologia chamada blockchain –, recorria ao mesmo mecanismo de consenso que é usado pela bitcoin para verificar as transações com criptomoedas, o proof of work. Tal implicava ter milhões de computadores a tentar resolver complexas equações matemáticas por tentativa e erro, um processo que é altamente intensivo em energia. Por exemplo, só a bitcoin pode gastar 2,5 vezes a eletricidade que Portugal consome num ano, noticiou o ECO em 2021.

Através desta operação, a blockchain do Ethereum passa a usar outro mecanismo, o proof of stake. Em vez de as transações serem processadas pelos tais computadores quando encontram a solução para uma das equações, as transações são agora validadas por quem já detenha unidades da criptomoeda Ethereum (ETH) – os “validadores”.

Segundo o site especializado CoinDesk, para alguém ser validador, tem de congelar pelo menos 32 unidades de ETH (o equivalente a perto de 48 mil euros aos preços atuais). Estas moedas ficam bloqueadas e não podem ser compradas ou vendidas, funcionando como se fossem bilhetes da lotaria.

Assim, quanto mais ETH alguém congelar, mais provável é ser escolhido para validar a transação. E para quê tudo isto? A vantagem é que, à semelhança do computador vencedor no caso da bitcoin, o validador é remunerado por esse trabalho, recebendo uma espécie de juro, pago em ETH.

“Este é o primeiro grande passo do Ethereum na grande jornada para se tornar num sistema muito maduro. Ainda há caminho a percorrer”, reagiu Vitalik Buterin, o programador que criou a rede Ethereum em 2015. A fusão era uma operação há muito prometida pelo Ethereum e esteve muitos anos a ser preparada. Segundo o CoinDesk, a mudança foi transmitida em direto no YouTube. Pelas 20h20 em Lisboa, o valor do ETH caía 5,44%, para 1.493,97 dólares cada moeda.

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