Autoeuropa deteta legionella numa das áreas de produção

Fábrica automóvel de Palmela identificou a presença da bactéria há cerca de duas semanas, numa ação de monitorização, mas opera com normalidade e não foram detetadas infeções entre os trabalhadores.

Fábrica automóvel de Palmela encontrou legionella numa unidade de produçãoHugo Amaral/ECO

A Volkswagen Autoeuropa confirma ter detetado a bactéria legionella “em equipamento técnico de uma das áreas de produção”, mas rejeita tratar-se de um surto. Fonte oficial da fábrica garante que “esta situação” está a ser acompanhada “de forma atenta e permanente” e assegura que não foi identificada nenhuma infeção entre os funcionários até ao momento. A Comissão de Trabalhadores acusa a empresa de não ter comunicado a situação aos trabalhadores.

A legionella terá sido encontrada há cerca de duas semanas em sistemas de tratamento de ar, na sequência da “monitorização regularmente realizada” ao abrigo do “plano de prevenção e controlo” da bactéria. A operação da fábrica nunca terá sido interrompida, estando a decorrer com normalidade, soube o ECO. A empresa garante ainda que o plano está “em estrito cumprimento da legislação portuguesa em vigor”.

A presença de legionella na fábrica automóvel de Palmela foi noticiada esta sexta-feira pelo jornal local O Setubalense, citando uma fonte interna que acusa a Autoeuropa de não ter desligado os equipamentos e de não ter avisado os trabalhadores. O ECO apurou junto de fonte próxima da gestão da fábrica que a empresa não terá feito uma comunicação escrita aos trabalhadores, mas o assunto terá sido abordado em reuniões de trabalho.

Fica por responder se o Plano de Prevenção e Controlo de Legionella obriga a comunicação por escrito aos trabalhadores da fábrica. Mas a empresa assegura que, “perante esta ocorrência”, “acionou e reforçou todos os procedimentos de segurança estabelecidos para esta situação”, nomeadamente “ao nível da monitorização e do controlo químico e orgânico” previsto para estes casos.

Depois de a situação ter sido tornada pública, a Comissão de Trabalhadores (CT) da Autoeuropa reagiu num comunicado, repetindo a acusação de que a empresa não comunicou a situação aos trabalhadores atempadamente: “Lamentamos que mais uma vez a empresa tenha comunicado aos trabalhadores de uma forma tardia e a reboque da imprensa.”

“A CT reuniu hoje [sexta-feira] com a empresa e exigiu esclarecimentos relativamente à deteção de legionella em equipamentos na zona da pintura e sobre os perigos que tais bactérias poderão ou não significar para a saúde dos trabalhadores. A CT alertou a empresa que, tendo em conta esta situação, deverão ser tomadas todas as medidas de proteção dos trabalhadores que se mostrem necessárias”, informa ainda o comunicado.

A legionella é uma bactéria conhecida por poder provocar infeções pulmonares graves. De acordo com a Direção-Geral da Saúde, a infeção, vulgarmente conhecida por doença dos legionários, tem um período de incubação de cinco a seis dias após a infeção, “podendo ir até aos 14 dias”. Os sintomas incluem dor de cabeça, tose, febre, fadiga, falta de ar, dores musculares, diarreia e dor abdominal e a infeção pode provocar complicações como insuficiência respiratória, abcessos pulmonares, infeção generalizada e danos noutros órgãos, meningite, e, em casos extremos, a morte.

(Notícia atualizada às 15h20 com reação da Comissão de Trabalhadores)

Informação útil da DGS sobre infeção por legionella:

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para ver o folheto.

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