Nos lucra mais 7% até setembro excluindo venda de torres. Custos sobem 10%

Resultado líquido da Nos excluindo mais-valias com a venda de torres de telecomunicações cresceu 7% até setembro, para 128,4 milhões de euros. Mas os lucros caíram 6,6% no terceiro trimestre.

Nos apresentou resultados trimestrais esta segunda-feiraPaula Nunes / ECO

A Nos NOS 0,56% melhorou os resultados financeiros nos nove meses até setembro e incorporou no terceiro trimestre o efeito extraordinário da venda de mais torres à Cellnex. Mas, excluindo esse efeito, os lucros entre julho e setembro caíram e ficaram aquém do esperado, num período já marcado por aumentos nos custos.

O grupo lucrou 128,4 milhões de euros entre janeiro e setembro, montante que não inclui o impacto positivo da venda de torres de telecomunicações, anunciou a empresa esta segunda-feira. Representa um crescimento de 7% face ao mesmo período de 2021.

Olhando apenas para o terceiro trimestre, o resultado líquido da empresa, excluindo as mais-valias da venda das torres, foi positivo em 43,1 milhões. É, no entanto, uma queda homóloga de 6,6% e um valor que fica abaixo das estimativas. O consenso de três analistas seguidos pela Reuters previa lucros de 45,6 milhões neste período.

Este desempenho dá-se “num contexto muito desafiante, de inflação, guerra na Europa e disrupções nas cadeias de abastecimento”, justifica Miguel Almeida, CEO do grupo, citado num comunicado. “A Nos continua a conseguir realizar o seu agressivo plano de investimentos, sempre com o objetivo último de criar valor para os seus clientes”, acrescenta o gestor.

Em abril, a Nos anunciou um acordo para vender mais torres de telecomunicações à Cellnex, por 155 milhões de euros. No relatório publicado esta segunda-feira na CMVM, a Nos diz ter recebido a “primeira tranche” de 118,3 milhões de euros, reconhecendo uma mais-valia de 74,7 milhões de euros com a operação.

Contando com esse efeito extraordinário, e com uma “contribuição positiva das empresas associadas de 6,6 milhões”, os lucros até setembro cresceram 59,4%, para 191,3 milhões, enquanto o lucro trimestral disparou 129,6%, para 106 milhões. A Nos alerta, contudo, que registou 27,2 milhões de euros “na rubrica de outros movimentos de caixa” relacionados com IVA cobrado no negócio, “o qual gerará um movimento inverso quando for devolvido pela Autoridade Tributária no quarto trimestre de 2022”.

Do lado financeiro, nos nove meses até setembro, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) consolidado do grupo Nos melhorou 4,7% e atingiu 500,1 milhões de euros. As receitas totais aumentaram 7,5%, para 1.123,5 milhões de euros, enquanto as receitas do de telecomunicações, o principal negócio da operadora, aumentaram 5,8% no mesmo período, para 1.089 milhões de euros. Foram 763,6 milhões (+2,7%) no segmento de consumo e 254,3 milhões (+12,6%) no segmento empresarial.

Já as receitas com audiovisuais e cinemas fixaram-se nos 62,5 milhões de euros, uma melhoria de 48,3% que está relacionada com o impacto da Covid-19 em 2021.

Do lado operacional, a Nos admite que “o terceiro trimestre de 2022 foi o melhor desde o início do ano”. O total de serviços prestados, medido pelo número de unidades geradoras de receita (RGU), cresceu 5,1% face a setembro de 2021, ascendendo a 10.665,2 milhões. A empresa viu também o número de clientes com pacotes subir 6,5%, para 1.071,2 milhões, enquanto o número de subscritores móveis aumentou 8,3%, para 5.642,3 milhões.

Custos sobem, mas exposição à inflação na energia está “largamente mitigada”

Apesar dos dados geralmente positivos, a Nos está a sentir pressão do lado dos custos. Segundo os dados divulgados esta segunda-feira, os custos operacionais no período até setembro, excluindo amortizações, aumentaram 9,9%, para 623,4 milhões de euros. Contando apenas com os custos no negócio de telecomunicações, a subida foi de 6,7%, para 620,8 milhões.

A empresa assume “esforços de contenção de custos sempre que possível”, que “têm proporcionado a manutenção de uma margem positiva, apesar da pressão inflacionária a nível global”.

Na eletricidade, em concreto, a Nos indica ter assegurado fornecimento para “aproximadamente 35% das suas necessidades, através de um acordo de longo prazo de aquisição de eletricidade, concretizado em 2021, que pressupunha a construção de um parque eólico ibérico, injetando eletricidade renovável na rede”. “Dos restantes 65%, cerca de 35% advém do mercado regulado, o qual beneficia de preços controlados pelo regulador, e 30% do mercado spot“, detalha a companhia”.

Como tal, a exposição da Nos à inflação dos preços da eletricidade está largamente mitigada”, garante a empresa.

Investimento em 5G acelera. Plano aproxima-se da meta

No relatório, a Nos assume ainda que “o programa acelerado de implementação de 5G” está perto de chegar ao fim. A quinta geração continuou a puxar pelo investimento da Nos no terceiro trimestre, com a empresa a chegar ao final de setembro com “80% da população” coberta com rede móvel de quinta geração, de acordo com números da própria operadora.

“O programa de implementação do 5G e a contínua expansão [da rede de fibra ótica] são visíveis no aumento anual do [investimento] de 8,2%, para 75,9 milhões de euros, dos quais 36,4 milhões de euros estão relacionados com a expansão e projetos de modernização de rede”, escreve a Nos no relatório trimestral. A empresa aumentou ainda o investimento na “aquisição e retenção de clientes” em 7,4%.

Por fim, a dívida líquida total no final de setembro era de 1.561,8 milhões de euros, um aumento de 9,1% face ao mesmo trimestre do ano passado. É um rácio de 2,44 vezes o EBITDA.

(Notícia atualizada às 17h48)

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