Dividendos do BCP aguardam por reembolso de dívida em janeiro

Banco liderado por Miguel Maya já assumiu que quer voltar a pagar dividendos no próximo ano. Mas também pretende recomprar dívida que custa 40 milhões ao ano e avalia opções em cima da mesa.

O BCP BCP 0,56% já assumiu que vai voltar a pagar dividendos em 2024 e conta tomar uma decisão no “início do próximo ano”. Mas ainda há questões em cima da mesa e que podem ter influência neste tema. Em janeiro, o banco tem a opção de realizar o reembolso antecipado de uma emissão de AT1 de 400 milhões de euros e que custa quase 40 milhões por ano. Se o fizer e compensar a lacuna com capital, os dividendos a entregar poderão ser mais baixos.

A outra opção pode passar por uma nova emissão de AT1 – obrigações com características de fundos próprios de nível 1 –, segundo revelou o administrador financeiro do BCP, Miguel Bragança, numa conferência com os analistas após apresentar os resultados dos primeiros nove meses.

Ou seja, o banco pode refinanciar os AT1 de 2019 com uma nova emissão AT1, e estaria assim numa melhor posição de avançar para uma política de dividendos mais generosa, depois de mais de uma década em que pouco ou nada distribuiu pelos acionistas.

Em resposta às questões colocadas pelo ECO, o banco confirmou que tem a possibilidade de reembolso antecipado (call option) da emissão de dívida perpétua no final de janeiro de 2024, mas frisou que “ainda não anunciou a decisão sobre o exercício ou não dessa opção”.

Ao que Miguel Bragança adiantou aos analistas, tudo irá depender do preço que os investidores exigirem pelos novos títulos AT1. “É importante saber se faz mais sentido refinanciar [a emissão de 2019] com AT1 ou preencher a lacuna com capital. Isso vai depender das condições do mercado no início do ano”, disse.

O CFO do BCP lembrou que, em termos históricos, “o AT1 é mais barato do que o capital”, isto é, “os investidores de AT1 exigem um retorno sobre o capital inferior ao dos investidores em ações ordinárias de nível 1”. Nesse sentido, acrescentou, o banco vai querer emitir AT1 “em algum momento”. Só não sabe é quando. E isso poderá ser determinante para a política de dividendos a seguir.

“Há uma questão de timing: se vamos emitir AT1 em janeiro ou se preencheremos isso em janeiro com capital ordinário tier 1. Esta é uma decisão que depende dos preços relativos do AT1 e do capital que estarão no mercado em janeiro”, referiu Miguel Bragança.

O BCP chegou a setembro com lucros de 650,7 milhões de euros, com o resultado a crescer sete vezes face ao mesmo período do ano passado, à boleia da subida da margem financeira. O bom desempenho permitiu reforçar os rácios de capital para quase 15% (CET1), criando uma almofada de capital importante para a distribuição de dividendos.

O banco já assumiu que poderá pagar até 40% dos lucros no próximo ano.

Miguel Bragança sublinhou que o BCP não pretende acumular capital em excesso. Porém, disse que “o banco quer ter o rating, o acesso ao mercado e a reputação que os outros bancos de referência na Europa têm”, nomeadamente em termos de rácio de capital.

Banco não exclui recompra de ações

Outro dos temas levantados pelos analistas teve a ver com a possibilidade de o banco avançar com um plano de recompra de ações, algo que o CFO admitiu que poderá ser analisado “em teoria”, embora considere que a melhor forma de remunerar os investidores seja através dos dividendos. “Não uma um preconceito em relação a recompra de ações, o que pensamos é que a distribuição normal de capital deveria ocorrer através de um dividendo”, disse Miguel Bragança.

Sobre este tema, fonte oficial referiu que “as decisões financeiras do BCP pautam-se por critérios de rigor e técnicos, não sendo por princípio a priori de excluir da análise alternativas“.

E acrescentou que “na sequência da respetiva avaliação, o banco oportunamente comunicará os eventuais modelos de remuneração de acionistas, que terão, em qualquer caso, de ser previamente aprovados em Assembleia Geral, que, neste momento, só se perspetiva ocorra aquando da aprovação de contas de 2023″.

(Notícia atualizada às 10h48 com resposta do banco)

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