BCP obtém 400 milhões de dívida perpétua. Taxa foi de 9,25%

A instituição liderada por Miguel Maya concretizou esta quinta-feira uma emissão de dívida perpétua, onde obteve 400 milhões de euros. Procura foi de 750 milhões enquanto a taxa final foi de 9,25%.

O BCP esteve no mercado esta quinta-feira para emitir dívida e concluiu com sucesso a operação. A instituição liderada por Miguel Maya emitiu dívida perpétua, conseguindo conseguindo colocar 400 milhões de euros em instrumentos de fundos próprios adicionais de nível 1 (AT1).

De acordo com a Reuters, a taxa final da operação foi de 9,25%, 25 pontos base abaixo da taxa de juro indicativa de 9,5%. Esse valor foi obtido à conta de uma procura que quase duplicou o valor da oferta disponível. Foram dadas ordens de 750 milhões de euros, avança a agência de notícias.

Os títulos poderão ser reembolsados no final do prazo de cinco anos, situação que depende da vontade do BCP.

Desde terça-feira que o mercado aguardava o arranque desta operação, dia em que o banco liderado por Miguel Maya anunciou ter contratado vários bancos para explorar a possibilidade de realizar uma emissão de títulos de dívida subordinados perpétuos, classificada como Additional Tier 1 (AT1). Ou seja, títulos de dívida que contam para os rácios de capital.

O BCP mandatou os bancos de investimento Credit Suisse, JP Morgan, Millennium BCP e UBS Investment Bank para conjuntamente liderarem os contactos com investidores em reuniões que decorreram em Lisboa, Londres e Paris nesta quarta-feira.

Essa emissão aconteceu um dia depois de a EDP também ter estado no mercado para colocar dívida. A empresa liderada por António Mexia concluiu a operação com sucesso, tendo angariado mil milhões de euros em financiamento através da emissão de obrigações verdes híbridas, acima dos 750 milhões inicialmente previstos.

Esta dívida perpétua enquadrada no capital AT1, é considerada mais arriscada entre os vários tipos de dívida, isto porque é a primeira a enfrentar perdas em caso de problemas no banco que a emite. Essa é a razão para ser, tendencialmente, mais cara para as instituições financeiras.

O BCP não é o primeiro banco a realizar uma emissão de dívida AT1. A CGD foi a primeira, mas outros bancos seguiram o exemplo, respondendo às exigências do supervisor, o BCE, que quer que todos os bancos tenham uma espécie de “pára-choques” perante eventuais crises.

(Notícia atualizada às 15h25 com informação sobre o fecho da operação)

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