Allianz e Aviva cedem a pró-palestinos e já não seguram a israelita Elbit

  • ECO Seguros
  • 29 Dezembro 2025

A pressão pública sobre as seguradoras da Elbit Systems, empresa israelita de defesa, fizeram Allianz e Aviva desistirem de a segurarem no Reino Unido. Aspen assumiu os riscos.

As seguradoras Allianz e Aviva cortaram a cobertura de seguros que prestavam à Elbit Systems, fabricante israelita de armamento, drones e equipamentos militares, nas suas instalações no Reino Unido.

O corte destas coberturas chega após meses de protestos por parte de grupos pró-Palestina — em particular do grupo Palestine Action, que em julho foi ilegalizado no Reino Unido, depois de acusado de ser um grupo terrorista. No entanto, outros dois grupos mantiveram os protestos através de ações junto dos escritórios da Allianz com atos de vandalismo e greves simbólicas, inclusive durante eventos públicos — no sentido de se desvincularem da Elbit.

Mais recentemente os protestos passaram a confrontar a seguradora Aspen, tendo numa das ações sido detida a ativista Greta Greta Thunberg. A situação surgiu após ter sido conhecido que os seguros da Elbit Systems no Reino Unido tinham passado para esta companhia.

Com escritórios em Londres e sede na Bermudas – e recentemente indicada como possível alvo de compra da seguradora japonesa Sompo- , a Aspen Insurance é uma companhia internacional de seguros e resseguros especializada em riscos complexos.

A Elbit, empresa controlada pelo israelita Michael Federmann, em conjunto com organismos governamentais, tem vários contratos de Defesa com diferentes Estados e no Reino Unido está em 16 localizações com 700 trabalhadores ativos. A nível global conta com 20 mil trabalhadores, faturou 6,7 mil milhões de euros em 2025 com 411 milhões de lucros, mas tem um valor de mercado – está cotada nas bolsas de Telavive e na NASDAQ – equivalente a 22,8 mil milhões de euros.

Uma cobertura problemática

O boicote proposto pelas organizações contestatárias à Elbit incide sobre o employer’s liability insurance (ELI), um seguro obrigatório com características diferentes dos seguros de Acidentes de Trabalho (AT) em vigor em Portugal.

Embora ambos obrigatórios, o AT é de indemnização automática, o ELI é para responsabilidade civil litigiosa. No Reino Unido não existe “seguro do trabalhador”, tem-se os direitos consagrados no NHS (serviço público de saúde) e o Direito a ação judicial em que trabalhador só recebe indemnização se provar negligência por parte do empregador. O ELI assegura que a empresa tem capacidade de indemnizar se a isso for obrigada por decisão judicial.

Sem esse seguro a empresa não pode funcionar e foi nessa vertente que os protestos incidiram. A Allianz e a Aviva não foram as primeiras a evitar danos reputacionais por via da Elbit, já antes o Government Pension Fund Global (GPFG) — fundo soberano da Noruega e o KLP — maior fundo de pensões público, também da Noruega tinham anunciado vendas de participações em empresas ligadas ao conflito palestino.

Também a gestora de ativos da AXA vendeu os seus investimentos em bancos israelitas e na Elbit enquanto o banco britânico Barclays vendeu a totalidade das ações da Elbit que detinha.

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