Venda da operação internacional da Dentsu pode colapsar

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O grupo sediado no Japão tinha começado a sondar o setor no ano passado para a venda dos negócios internacionais, sem aparente sucesso.

Os esforços da Denstu para vender a sua operação internacional estarão perto de falhar, após vários dos potenciais compradores do setor e investidores de private equity desistirem das negociações, avança o Financial Times.

O grupo sediado no Japão tinha começado a sondar o setor no ano passado para vender a sua operação internacional, baseada no Reino Unido, que gerou 4,5 mil milhões de receitas líquidas em 2024.

As negociações terão começado a enfraquecer depois de os últimos compradores do setor e a empresa de private equity Apollo abandonarem as conversas. Tal deixou apenas a americana Bain Capital na corrida, com fonte próxima da empresa de private equity a afirmar que esta “ainda está interessada, mas com reservas significativas”. A Apollo recusou-se a comentar e Bain não respondeu ao pedido de comentário do FT.

O jornal britânico avança ainda que o presidente da Dentsu já informou a administração que é pouco provável que as negociações com a Bain continuem e que o processo de venda terá colapsado, de acordo com fontes próximas da gestão de topo do grupo publicitário.

O maior grupo de comunicação do Japão deverá informar os investidores na sua reunião de resultados no próximo mês. A Dentsu prepara-se para tentar recuperar a sua operação internacional pelos próprios meios, tendo já revelado planos de reestruturação incluindo o corte de mais de 3.400 postos de trabalho — equivalente a 8%.

Em resposta oficial, o grupo afirma que “a empresa está a registar progressos constantes na reconstrução dos seus alicerces e na reavaliação de unidades de negócio com desempenho abaixo do esperado“. “Simultaneamente, a empresa está a explorar ativamente alternativas estratégicas, incluindo parcerias estratégicas e abrangentes”, explica. “Caso surjam factos que exijam divulgação, a empresa fará um anúncio de forma oportuna e adequada”, conclui.

A situação está tensa entre os investidores, com duas fontes próximas do grupo a revelar que a Dentsu teme que os acionistas possam tentar destituir o presidente Hiroshi Igarashi — que também exerce o cargo de presidente executivo global — votando contra a sua recondução na assembleia geral anual de acionistas da empresa, em março.

De acordo com a publicação Campaign Asia, as ações da Dentsu registaram uma queda de 11% em Tóquio, valorizando a empresa em 5,3 mil milhões de dólares. Com base em dados de novembro, a região APAC (Ásia-Pacífico), excluindo o Japão, sofreu uma queda de 10,1% no terceiro trimestre — o declínio mais acentuado de todas as regiões.

Os EUA e o Canadá registaram uma quebra de 3,4% na receita líquida, enquanto a região EMEA (Europa, Médio Oriente e África) também registou um decréscimo. Em contrapartida, o negócio doméstico no Japão apresentou um crescimento orgânico de 6,8% no acumulado do ano.

Esta situação fragiliza a empresa num contexto de mais competição resultante da fusão da IPG e da Omnicom e maior dominância da Publicis.

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