Sindicatos de nove países criticam modelo operacional “insustentável” da easyJet
Sindicatos e comissões de trabalhadores apontam “insuficiências estruturais” em “todos os países e bases” e criticam “estado permanente de ‘gestão de crises’, com custos pessoais e financeiros.
Um conjunto de 17 sindicatos e comissões de trabalhadores de nove países europeus enviou uma carta à administração da easyJet a expressar a “crescente preocupação relativamente ao atual modelo operacional e ao seu impacto no bem-estar, na estabilidade e na moral das tripulações em toda a rede”.
Na missiva — assinada em Portugal pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) e a Comissão de Trabalhadores –, os signatários apontam “insuficiências estruturais” em “todos os países e bases”, que levam a que a empresa esteja num “estado permanente de ‘gestão de crises’”.
“Os níveis crescentes de fadiga, exaustão emocional, absentismo relacionado com o stress e doenças de longa duração estão a tornar-se uma realidade recorrente”, afirma-se na carta.
Os sindicatos e comissões de trabalhadores criticam ainda “a instabilidade crónica das escalas, as frequentes colocações fora da base e as alterações de última hora”, que dizem estar “a corroer qualquer sentido de previsibilidade na vida das tripulações”. Condições que dizem resultar num ciclo vicioso “não sustentável nem compatível com um ambiente de trabalho saudável e seguro”.
Os 17 sindicatos e comissões de trabalhadores de nove países – Itália, Suíça, Holanda, Espanha, França, Portugal, França, Alemanha, Holanda – manifestam ainda “preocupação com as implicações financeiras e éticas” do atual modelo, apontado os “elevados custos” gerados pela gestão de disrupções, alterações logísticas de última hora e mobilização de tripulações de emergência. Refere também as preocupações éticas relativamente à substituição de grevistas por tripulações de outras bases, situação denunciada recentemente pelo SNPVAC em Portugal, mas que a companhia aérea rejeita.
“É legítimo questionar se os recursos significativos atualmente despendidos na gestão de disrupções não seriam mais bem investidos em níveis de pessoal adequados, planeamento realista, estabilidade das escalas e medidas efetivas de bem-estar — prevenindo a disrupção na sua origem, em vez de continuar a pagar pelas suas consequências”, refere a carta.
Os signatários pedem a adoção de um conjunto de medidas, que passam por restabelecer uma estabilidade e previsibilidade efetivas das escalas para todas as tripulações, reduzir deslocações desnecessárias e alterações de última hora, investir em níveis de pessoal suficiente e qualificado, resiliência do planeamento ao longo de todo o ano ou o estabelecimento de um diálogo social aberto.
“Ao agirmos em conjunto — entre países e categorias — aumentamos a visibilidade, a credibilidade e as hipóteses de uma mudança significativa“, considera o SNPVAC, que representa os tripulantes de cabine, em Portugal.
O sindicato acrescenta que a easyJet foi formalmente informada das preocupações e foi notificada a Comissão de Trabalhadores Europeia para que as questões sejam “discutidas num quadro europeu, a par do diálogo nacional em curso em cada país”.
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