RTP e Lusa “têm um mandato pedido pelo Governo” para trabalharem em sinergia, revela Leitão Amaro

Rafael Correia e Lusa,

Leitão Amaro, em audiência na AR, diz que o objetivo é aproximar o serviço público do modelo existente em Espanha entre a agência de notícias EFE e a RTVE.

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, intervém na audição perante a Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, na Assembleia da República, em Lisboa, 28 de janeiro de 2026JOÃO RELVAS/LUSA

A RTP e Lusa “têm um mandato pedido pelo Governo” para trabalharem em sinergia, revelou o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, na manhã desta quarta-feira em audiência na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.

O responsável pela pasta da comunicação social notou que o objetivo é uma aproximação ao modelo existente em Espanha entre a agência de notícias EFE e o canal de televisão RTVE. Leitão Amaro considerou que “faz sentido que os poucos recursos que temos, enquanto país, dirigidos à comunicação social no setor público sejam articulados”.

Ainda sobre este tema, já em resposta aos deputados, “não há nenhum princípio, opção, orientação, vontade de fundir a Lusa e a RTP. Nenhum. São entidades diferentes que fazem coisas diferentes”.

Um dos pontos de sinergia será a verificação de factos em conjunto. “Não é viável estarmos a multiplicar exercícios e plataformas de verificadores de factos públicos quando é possível fazermos um em conjunto“, defendeu. As sinergias também passarão mais pela partilha de equipamentos e de espaços e não por fusão de redações e códigos editoriais.

Durante a audição, Leitão Amaro revelou também que, volvido um ano, mais de 50% do Plano de Ação para a Comunicação Social já foi executado — 11 das 30 medidas, com cinco em execução.

Aponta ainda que estão a alterar seis medidas, tendo já iniciado discussões com o setor, assim como a preparar seis novas medidas, duas dos quais já aprovadas em dezembro — programa SCRIPT e lei do mecenato.

Somos mesmo contra o aumento da Contribuição para o Audiovisual (CAV) e da contribuição dos portugueses para o grupo RTP“, sublinhou ainda o governante, quando questionado sobre o tema. O ministro disse que a RTP tem de viver com os condicionamentos que tem e que “os portugueses pagam impostos a mais”.

Em relação a este tema, Leitão Amaro sugeriu ainda “reforçar a autorregulação jornalística com uma componente da contribuição audiovisual (CAV)”.

No âmbito do processo de saídas voluntárias da RTP, revelou também que “nas primeiras 98 saídas, contrataram duas pessoas porque foram as necessidades que identificaram. O rácio foi de 2 para 98 (1 para 44), apesar de terem uma liberdade de 1 para 4“.

O ministro fez referência a “medidas que têm um sucesso espetacular, como a duplicação do porte pago”, mas existem “medidas que francamente não funcionaram bem, como é o caso das assinaturas gratuitas para os jovens do ensino secundário”, cuja adesão rondou as seis mil assinaturas.

Os jovens nem oferecidos querem ter aquele produto. Pode haver problemas na plataforma, na forma de adesão. Pode haver problemas na divulgação ou pode haver problemas sobre o próprio produto que não é tão desejado como devia ser”, apontou, ao mesmo tempo que revelou estar em diálogo com os media para procurar uma solução.

Quanto à proposta do PCP de adquirir publicações para as bibliotecas escolares, alertou para o risco de falha. “Se um jovem não que ter, no telemóvel que já tem, de forma gratuita, o acesso digital a um jornal“, Leitão Amaro questiona se vão deslocar-se à biblioteca e ler aquele jornal. “Tenho receio que isso não possa acontecer”, apontou. Mesmo assim, o ministro revelou que o Governo está a analisar a medida e que poderá ser lançada de forma experimental.

(artigo atualizado às 15h20)

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