O que promete a Paramount após comprar a Warner?
A Warner e a Paramount formalizaram o acordo de aquisição na sexta-feira à noite. Mas o que vai resultar? A junção da HBO Max e da Paramount+ é uma das principais novidades.
Após a Netflix desistir de aumentar a sua proposta na quinta-feira à noite, o caminho ficou livre para a Paramount Skydance adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD), tendo o acordo que valoriza a empresa em 110 mil milhões de dólares (cerca de 94 mil milhões de euros) sido divulgado na sexta-feira à noite.
Depois de um fim de semana de antecipação, esta segunda-feira as duas empresas desvendaram parte do futuro desta união de mais de 200 anos combinados de storytelling.
“Esta transação marca um momento decisivo para ambas as empresas“, afirmou o CEO da Paramount, David Ellison, durante a call para acionistas, citado pela Bloomberg. “Ao unirmos os nossos estúdios icónicos, as plataformas de streaming complementares com presença global, os nossos canais de cabo e canais lineares e a nossa propriedade intelectual (IP) de classe mundial, temos a oportunidade de ajudar a moldar o futuro e construir uma empresa de media e entretenimento de próxima geração“, defendeu. Do que resultará desta nova empresa ainda sem nome?
Comecemos pelas promessas monetárias. O que é que a Paramount prometeu à WBD, para a convencer a preferir a sua proposta? Um valor de 31 dólares (cerca de 26,49 euros) por ação em dinheiro, mais uma taxa de 0,25 dólares (cerca de 0,21 euros) por ação por cada trimestre de atraso, caso a transação não seja concluída até 30 de setembro. A taxa será calculada diariamente até à conclusão do negócio.
A acrescentar a isso, a Paramount pagou a taxa de 2,8 mil milhões de dólares (2,39 mil milhões de euros) que a Warner devia à Netflix pela quebra do acordo e compromete-se a pagar sete mil milhões de dólares caso os reguladores bloqueiem o acordo.
A transação é financiada por 47 mil milhões de dólares (40,17 mil milhões de euros) em capital próprio, totalmente garantidos pela Família Ellison e pela RedBird Capital Partners. Aquando do fecho da operação, o capital próprio poderá incluir outros parceiros estratégicos e financeiros. Além disso, a transação é sustentada por 54 mil milhões de dólares (46,15 mil milhões de euros) em compromissos de dívida do Bank of America, Citigroup e Apollo.
A HBO Max vai mudar novamente de nome?
Ainda não se sabe o nome que vai resultar, mas a HBO Max será combinada com o serviço Paramount + — que assume o nome SkyShowtime em Portugal — , reunindo mais de 200 milhões de subscritores a nível mundial num só serviço.
“Nas duas plataformas, existem hoje mais de 200 milhões de subscritores D2C em mais de 100 países e territórios em todo o mundo, o que nos posiciona para competir eficazmente com os principais serviços de streaming do mercado atual”, destaca David Ellison.
De forma mais global, “a HBO deve permanecer como HBO”, declarou o CEO da Paramount Skydance. “Casey [Bloys, CEO da HBO e Max Content], e a sua equipa estão a fazer um trabalho absolutamente notável na HBO e planeamos que possam operar com independência, para que a HBO possa, francamente, fazer o que faz incrivelmente bem”, declarou, citado pela Deadline.
No linear, as empresas destacam a sua presença em mais de 200 países, com um “conjunto complementar de canais bem posicionado para gerir as pressões do segmento linear”, pode ler-se na apresentação.
“Acreditamos nos ativos que estamos a adquirir e não há planos para alienar ou separar um pacote de ativos de cabo neste momento“, afirmou Andy Gordon, chief strategy officer da Paramount, citado pelo The Wrap. A CBS, TBS, MTV, Eurosport, Cartoon Network, CNN, TNT, Nickelodeon, Discovery e BET são alguns dos canais que a nova empresa controlará.
Recorde-se que, mesmo antes do processo de venda, a WBD queria separar estes canais da sua operação, tal como fez a Comcast.
A promessa de 30 filmes para o setor da exibição
Para o setor da exibição, a promessa é lançar um mínimo de 30 filmes em cinema por ano, 15 de cada empresa. Todos os filmes terão um lançamento completo nos cinemas, com um período mínimo de exibição global de 45 dias antes de serem disponibilizados em plataformas de vídeo on demand (VOD) pagas.
A intenção é que os filmes de maior sucesso fiquem em exibição durante 60 a 90 dias ou mais antes de serem disponibilizados em streaming. Ambos os estúdios continuarão a licenciar os conteúdos para as suas próprias plataformas, mas também para plataformas de terceiros. As duas empresas garantem ainda que vão continuar a comprar conteúdo de estúdios terceiros e produtores independentes.
A Paramount continuará a seguir os regimes de exibição específicos nas regiões em que opera, incluindo a França, onde mantém os seus compromissos de exibição.
As sinergias sem muitos despedimentos?
No âmbito da fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery, pretende-se realizar sinergias que vão poupar seis mil milhões de dólares (5,98 mil milhões de euros) em três anos. “É importante notar que a maioria da nossa meta de sinergias provém de fontes não laborais, entre as eficiências que identificámos“, afirmou ainda o patrão da Paramount. Ellison afirmou que os cortes não irão afetar a capacidade de produção das empresas.
As poupanças identificadas são “consolidar os gastos em infraestruturas tecnológicas e fornecedores de cloud, incluindo a Paramount+ e a HBO Max, concretizar eficiências globais em compras e serviços empresariais, otimizar a presença imobiliária combinada e a estrutura de custos corporativos globais, impulsionar eficiências no marketing”, entre outras.
O diretor financeiro da Paramount, Dennis Cinelli, afirmou, durante a call, que, para este ano, a expectativa é que ambas as empresas atinjam uma receita pro forma de 69 mil milhões de dólares (58,97 mil milhões de euros) e um lucro estimado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) de 18 mil milhões de dólares (15,38 mil milhões de euros). A dívida líquida das empresas combinadas será de 79 mil milhões de dólares (67,51 mil milhões de euros).
Até 2030, a Paramount espera que a maior parte das suas receitas e lucros seja impulsionada pelos negócios de estúdio e streaming, obtendo uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) das receitas total na faixa média de um dígito e uma margem de EBITDA ajustada no intervalo médio dos 20%.
Fica-se agora à espera dos reguladores aprovarem esta aquisição e dos próximos meses, para entender todas as mudanças que desta fusão virão, como a título de exemplo as que dizem respeito a eventuais alterações na CNN.
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