Administração do grupo DIA recomenda aceitação de OPA de multimilionário russo

  • Lusa
  • 10 Abril 2019

O Conselho de Administração do Grupo DIA, que detém o Minipreço, entende que a OPA lançada pelo multimilionário russo Mikhail Fridman "é a melhor alternativa” e aconselha os acionistas a aceitarem-na.

O Conselho de Administração do Grupo DIA, que detém o Minipreço, recomendou aos acionistas da empresa que aceitem a OPA lançada pelo multimilionário russo Mikhail Fridman, por entender que “esta é a melhor alternativa”.

“O Conselho de Administração da DIA expressa uma opinião favorável sobre a OPA [Oferta Pública de Aquisição], por entender que, nas atuais circunstâncias, esta é a melhor alternativa para acionistas, credores, colaboradores, franqueados e fornecedores do grupo”, afirmou hoje a direção da multinacional em comunicado.

O Conselho de Administração aprovou por “unanimidade” esta posição em relação ao projeto do principal acionista, Mikhail Fridman, que, através da LetterOne, detém mais de 29% do capital do grupo espanhol, e que tinha fixado em 67 cêntimos o preço de cada uma das ações da empresa.

A assembleia-geral de acionistas do grupo já tinha, em 20 de março último, em Madrid, aceitado a estratégia de Mikhail Fridman para tentar salvar a empresa da falência.

O projeto do investidor russo prevê uma recapitalização de 500 milhões de euros da cadeia de supermercados, condicionada ao êxito da OPA lançada e de um acordo com a banca credora para alargar os prazos de vencimento da dívida do grupo.

O atual Conselho de Administração do DIA não conseguiu na altura levar para a frente a sua proposta de realizar uma “operação harmónio”, que se traduzia numa redução de capital inicial para, posteriormente, proceder ao aumento de capital de 600 milhões de euros.

O grupo DIA, que celebra o seu 40.º aniversário este ano, tem atualmente uma rede de mais de 6.100 lojas e mais de 43.000 trabalhadores espalhados por Espanha, Portugal (Minipreço), Brasil e Argentina.

As vendas do grupo têm vindo a cair nos últimos três anos – passaram de 9.000 milhões de euros em 2015 para 7.288 milhões em 2018 –, devido, entre outros fatores, ao aumento da concorrência em Espanha, onde passou da segunda para a terceira posição em termos de quota de mercado.

O seu lucro também registou uma tendência de queda nos últimos anos até registar 352 milhões de euros de perdas no ano passado.

Cada ação da empresa era comprada há um ano a 3,5 euros, tendo caído em seguida, durante a maior parte de 2018, com o “colapso” a ocorrer em outubro último (num só dia perdeu 42%), quando foi anunciado o agravamento das previsões para o ano passado e adotados uma série de ajustes para o exercício de 2017.

O colapso sofrido fez com que a empresa fosse excluída do mercado bolsista de Madrid IBEX 35 no final de dezembro de 2018.

Em Portugal a empresa tinha no final do ano passado 223 estabelecimentos próprios e 309 franchisados com as marcas Minipreço, Mais Perto e Clarel.

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