Na primeira reunião, Lagarde não mexe nos juros do BCE
A decisão era esperada tendo em conta que a taxa de depósitos foi reduzida em setembro. O foco é a conferência de imprensa que se segue e que será a primeira da nova presidente do banco central.
O Banco Central Europeu (BCE) não fez alterações nas taxas de juro, na primeira reunião liderada pela nova presidente Christine Lagarde. A decisão era esperada pelos mercados, tendo em conta que o antecessor Mario Draghi deixou, antes da saída, o rumo dos instrumentos de política monetária delineado.
A taxa de referência continua em 0%, enquanto a taxa de depósitos, aplicada ao excesso de liquidez do sistema financeiro do euro, manteve-se em -0,5% e a taxa de juro aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez em 0%.
“O Conselho do BCE espera que as taxas de juro diretoras do BCE se mantenham nos níveis atuais ou em níveis inferiores até observar que as perspetivas de inflação estão a convergir de forma robusta no sentido de um nível suficientemente próximo, mas abaixo, de 2% no seu horizonte de projeção e que essa convergência se tenha refletido consistentemente na dinâmica da inflação subjacente”, anunciou o banco central em comunicado.
Os juros não têm, assim, data indicativa para deixarem de estar em mínimos históricos. Após três anos sem alterações, a taxa de juro de depósitos foi cortada em setembro (em 0,1 pontos base). No entanto, para mitigar o efeito deste juro negativo — que na prática significa que os bancos têm de “pagar” pelo dinheiro parqueados no BCE — foi criado um sistema de dois escalões que isenta depósitos até seis vezes os requisitos mínimos.
Em simultâneo, o banco central relançou o programa de compra de ativos no valor de 20 mil milhões de euros por mês, que começou em novembro, no mesmo dia em que Christine Lagarde assumiu a liderança do banco central. “O Conselho do BCE espera que estas aquisições decorram enquanto for necessário para reforçar o impacto acomodatício das taxas diretoras e que cessem pouco antes de começar a aumentar as taxas de juro diretoras do BCE”, explicou ainda o BCE.
O banco central acrescentou que “pretende continuar a reinvestir, na totalidade, os pagamentos de capital dos títulos vincendos adquiridos no âmbito do APP durante um período prolongado após a data em que comece a aumentar as taxas de juro diretoras do BCE e, em qualquer caso, enquanto for necessário para manter condições de liquidez favoráveis e um nível amplo de acomodação monetária”.
(Notícia atualizada às 12h50)
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