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Mesmo com as comissões, MB Way mantém “dinâmica de crescimento”. Tem 1,8 milhões de utilizadores

Tiago Bianchi de Aguiar, diretor de estratégia da SIBS, fala do "abrir de portas" do MB Way outros mercados europeus, mas também do crescimento em Portugal. Serviço tem 1,8 milhões de utilizadores.

A SIBS, através do MB Way, vai unir-se com outras seis empresas para criar a Associação Europeia de Sistemas de Pagamentos Móveis (EMPSA), de forma a permitir aos utilizadores uma experiência sem fronteiras. Esta parceria visa dar a “oportunidade aos utilizadores MB Way de fazer compras em mais de um milhão de comerciantes, ou fazer transferências entre 25 milhões de utilizadores, de nove mercados europeus”, diz Tiago Bianchi de Aguiar.

Este “abrir de portas” do serviço tenderá a aumentar a apetência dos consumidores pelo sistema de pagamentos da SIBS, sistema esse que tem tido um elevado grau de sucesso no mercado nacional. O diretor de estratégia da SIBS revela, em entrevista por escrito ao ECO, que o MB Way tem já “cerca de 1,8 milhões de utilizadores que realizam, mensalmente, mais de cinco milhões de operações”.

Este forte crescimento acontece mesmo apesar de muitos bancos estarem a começar a aplicar comissões nas transferências bancárias feitas com recurso a este serviço. “Temos verificado uma manutenção da dinâmica de crescimento, tanto em utilizadores, como em utilização”, diz o responsável da SIBS.

Qual o objetivo desta associação europeia?

A EMPSA nasceu da conjugação de interesses e objetivos de sete líderes em pagamentos móveis da Europa, sobretudo numa época em que os pagamentos apenas com smartphones são uma realidade cada vez mais presente no dia-a-dia dos consumidores. Concluiu-se que, somente através de uma colaboração estreita entre os vários sistemas nacionais, é possível torná-los interoperáveis, dando-lhes abrangência e uso internacional. Ou seja, lançámos esta cooperação transfronteiriça para que todos os utilizadores destes sistemas, onde se incluem aqueles que usam MB Way, beneficiem da possibilidade de realizar pagamentos móveis no estrangeiro, uma vantagem competitiva de relevo no atual panorama de globalização da economia digital.

No caso particular da SIBS, estamos desta forma a trabalhar para cumprir um dos desígnios alinhados na criação do MB Way, em 2015, de o transformar num serviço de pagamentos móveis de âmbito internacional, e torná-lo cada vez mais incontornável e útil na vida dos seus utilizadores. É um passo ambicioso, mas natural para sistemas que já atingiram um importante patamar de relevância e utilização nos seus mercados nacionais.

Haverá partilha e/ou venda de tecnologia para acelerar os pagamentos digitais?

Para definir o modelo da interoperabilidade, estabelecer a comunicação e o funcionamento conjunto dos vários sistemas, a EMPSA criou, desde já, um grupo de trabalho, que a SIBS integra. A associação acabou de se constituir pelo que ainda é preliminar avançar com detalhes ao nível do modelo a seguir.

Os consumidores têm alguma vantagem com esta dimensão europeia do MB Way?

Estamos convictos que sim. Apesar do uso de âmbito nacional continuar a ser o mais relevante, com esta iniciativa poderemos endereçar um conjunto de utilizações não possíveis até hoje. Estamos a falar, por exemplo, de dar oportunidade aos utilizadores MB Way de fazer compras em mais de um milhão de comerciantes, ou fazer transferências entre 25 milhões de utilizadores, de nove mercados europeus.

MB Way tem cerca de 1,8 milhões de utilizadores que realizam, mensalmente, mais de cinco milhões de operações, um valor que tem registado um crescimento médio de 13%.

Tiago Bianchi de Aguiar

Diretor de estratégia da SIBS

Referi dois exemplos muito simples e mais fáceis de entender porque já fazem parte da rotina de milhões de utilizadores diários, e serão as primeiras prioridades a desenvolver, mas a expectativa é que a associação possa, continuamente, ir identificando melhores práticas e novas funcionalidades que sejam úteis para todos os envolvidos: utilizadores, comerciantes, bancos aderentes, entre outros. Adicionalmente, esta abrangência de utilização deverá crescer na medida em que se espera que mais países e sistemas de pagamentos móveis se juntem à associação, aumentando a abrangência da mesma e as vantagens para os seus membros.

Haverá em breve mais funcionalidades associadas ao MB Way?

A SIBS tem lançado novas funcionalidades no serviço MB Way com grande dinamismo – desde a sua criação, desenvolveu e lançou 10 novidades, algumas delas inéditas, como prescindir da utilização do cartão para fazer levantamentos ou a utilização do Multibanco. Adicionalmente, o nosso forte crescimento em número de utilizadores e comerciantes aderentes constitui só por si um aumento da utilidade do MB Way, porque pode ser usado entre mais pessoas e em mais situações. Temos outras novidades já em desenvolvimento, mas ainda é prematuro anunciar quais são. Posso adiantar que as nossas prioridades de inovação alinham sempre pela digitalização e simplificação das rotinas de pagamento de particulares e empresas, quer no ambiente físico, quer online. Destaco alguns dos sucessos do MB Way que demonstram a sua crescente importância no mercado português: os pagamentos com NFC, QR Code, online com número de telemóvel ou MB Net registam mensalmente mais de dois milhões de transações. No ambiente presencial, as compras com QR Code e NFC, têm tido um crescimento médio de 59% por mês no último ano, enquanto no ambiente online o MB Way já atingiu o 2ª lugar nas preferências dos portugueses, atrás do pagamento de serviços Multibanco.

Quantos clientes tem, atualmente, o MB Way?

O serviço MB Way tem cerca de 1,8 milhões de utilizadores que realizam, mensalmente, mais de cinco milhões de operações, um valor que tem registado um crescimento médio de 13%. Em paralelo, a rede de comerciantes aceitantes também tem crescido para acompanhar a procura dos utilizadores, havendo neste momento cerca de 100 mil comerciantes que aceitam pagamentos com MB Way.

Quais são os drivers de crescimento dos pagamentos por telemóvel?

Os pagamentos são necessariamente um reflexo da evolução da sociedade, das suas formas de consumo e dos seus hábitos de utilização (nomeadamente o uso de telemóvel). Assim, há várias tendências que têm vindo a acelerar este crescimento de pagamentos digitais/por telemóvel, das quais refiro algumas. O crescimento de comerciantes com soluções de venda digital, no mundo físico, digital ou até hibrido, tem de ser acompanhado por soluções de pagamento seguras, convenientes e simples de usar. As pessoas cada vez mais têm acesso a dispositivos móveis sofisticados e que levam para todo o lado: é mais provável que leve o meu telemóvel quando vou correr, do que a minha carteira. Adicionalmente, o telemóvel é neste momento um elemento de segurança, pois tem mecanismos de autenticação próprios e permite validar a identidade do seu utilizador. Todos estes fatores se conjugam para tornar as soluções móveis de pagamento cada vez mais interessantes em diversos ambientes, acelerando aquilo que a SIBS vê com naturalidade, que é uma economia cada vez mais cashless, em que o dinheiro, no seu formato físico, tende a tornar-se menos relevante.

Neste contexto, a nossa preocupação é disponibilizar meios de pagamento eletrónicos que associem segurança, fiabilidade, mobilidade e amplitude de uso, como é o caso do MB Way em Portugal. O futuro num mundo desmaterializado, em que a inovação e a proliferação de formas de uso seguem a forte evolução da tecnologia, passa cada vez mais pela experiência do cliente/utilizador e os pagamentos móveis têm demonstrado a sua capacidade de responder a este desafio. A possibilidade, como a que agora estamos a proporcionar, de poderem usar indiferenciadamente um serviço quer no seu país de origem, quer noutras geografias, será um contributo muito relevante para a massificação do uso dos pagamentos móveis.

Quais são os fatores que podem funcionar como travão a este crescimento?

Como em todas as soluções de pagamento, a capacidade de abrangência, tanto ao nível de utilizadores, como de comerciantes, é essencial. A tecnologia existe, os modelos de negócio estão pensados, as experiências de utilização foram estudadas, isto é, as condições de base estão criadas para uma utilização crescente e massiva. Para se continuar a crescer (e isso implica atingir segmentos da população que são menos “tecnológicos”) tem de se investir continuamente tendo presente o binómio segurança/conveniência, consolidando uma relação de confiança que, se quebrada, poderia demover os atuais utilizadores de usarem ou novos a aderirem.

"Temos verificado uma manutenção da dinâmica de crescimento, tanto em utilizadores, como em utilização, mesmo face ao anúncio de algumas entidades de cobrança de comissões nas transferências.”

Tiago Bianchi de Aguiar

Diretor de estratégia da SIBS

Por outro lado, acreditamos que a nova realidade digital do dinheiro e a necessidade de soluções de pagamento de base tecnológica deve ser acompanhada pela criação de incentivos à utilização dos meios digitais e, consequentemente, a promoção da economia digital em todos os segmentos. Sendo a SIBS uma empresa líder em soluções de pagamento e financeiras assentes em tecnologia – para todos os efeitos uma fintech -, no que depender de nós a desmaterialização do dinheiro será uma realidade.

Até que ponto o aumento do número de bancos que cobram operações na app do MB Way está a pesar no crescimento do serviço?

Temos verificado uma manutenção da dinâmica de crescimento, tanto em utilizadores, como em utilização, mesmo face ao anúncio de algumas entidades de cobrança de comissões nas transferências. É sempre importante relembrar que o MB Way, e isto é cada vez mais verdade, permite muito mais do que apenas uma operação de transferência. É um serviço de pagamentos móveis, que permite efetuar oito importantes operações para o dia-a-dia dos portugueses, das quais sete nunca são objeto de cobrança.

Além disso, o MB Way não é apenas uma app própria, mas está também cada vez mais nos canais mobile dos bancos. Das 22 entidades aderentes que, no seu todo, abrangem mais de 95% dos cartões bancários em circulação em Portugal, 45% já integraram ou estão a integrar o serviço MB Way, total ou parcialmente (algumas das funcionalidades) nas suas aplicações. Estamos assim confiantes que a utilização do MB Way vai continuar a aumentar, e que a expansão das suas funcionalidades vai assegurar a sua relevância à medida que a economia se digitaliza.

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António Costa

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