Talent Spot. “Contamos incrementar o preenchimento de posições lançadas para o mercado”

Manpower lançou uma nova plataforma de recrutamento, a Talent Spot, que recorre ao poder do algoritmo para encontrar recrutadores e acelerar processo de seleção de talento.

É uma plataforma digital que usa a Inteligência Artificial (IA) para fazer o match das empresas com os recrutadores. A Talent Spot, a nova plataforma de recrutamento da Manpower, promete encontrar os profissionais freelance que, pela sua rede de contactos e conhecimento, são os mais indicados para selecionar de forma rápida o talento mais adequado para o que as companhias necessitam.

“Combinando a capacidade de tratamento e interpretação de dados da IA com as competências comportamentais dos nossos consultores freelance, especialistas nas áreas de tecnologia e life sciences, contamos incrementar o preenchimento de posições lançadas para o mercado, bem como diminuir o tempo de resposta às mesmas”, adianta Vítor Antunes, managing director Manpower Portugal, à Pessoas/ECO.

A Talent Spot funciona ainda como uma potencial fonte de rendimento adicional para os recrutadores freelance. Os ganhos, diz Vítor Nunes, são “ilimitados”. “Dependem da capacidade de entrega do recrutador.”

Acabam de lançar a Talent Spot. O que oferece de vantajoso face a outras plataformas digitais de recrutamento que também recorrem à IA na seleção de candidatos? Que ganhos de eficiência obtêm as empresas ao usar este recurso?

A Talent Spot surge como resposta à atual realidade do mercado de trabalho, marcada por uma criação líquida de emprego positiva (o mais recente MEOS lançado pela ManpowerGroup projeta uma criação líquida de emprego de 11%), e pela dificuldade que 60% das empresas portuguesas têm em preencher as vagas que lançam para o mercado (Talent Shortage Survey). A Talent Spot visa garantir acesso a pools alternativas de talento por via da adoção de novos modelos que garantam flexibilidade e agilidade de resposta. Combinando a capacidade de tratamento e interpretação de dados da IA com as competências comportamentais dos nossos consultores freelance, especialistas nas áreas de tecnologia e life sciences, contamos incrementar o preenchimento de posições lançadas para o mercado, bem como diminuir o tempo de resposta às mesmas o que trará evidentes benefícios aos nossos clientes.

A Talent Spot identifica os três melhores recrutadores para depois encontrar o perfil que o cliente precisa. Como é que são identificados os recrutadores? Há uma base inicial já iniciada da qual já estão a partir?

A Talent Spot é uma plataforma multilateral, significa isso que gerará mais valor para os seus utilizadores caso o número de recrutadores e de empresas seja o adequado. Posteriormente, é alimentada por algoritmos de Machine Learning que farão a avaliação da efetividade de cada recrutador em função dos sucessivos processos de recrutamento que os mesmos forem realizando. A base de tudo é a especialização dos recrutadores.

Depois desse momento, como é feito o recrutamento pelos recrutadores? Qual o papel da Talent Spot no processo de encontrar o talento certo para o perfil definido pelas empresas?

Os recrutadores são profissionais freelance, que utilizam as suas bases de trabalho e que contam agora com esta ferramenta adicional para aceder a novos clientes e gerir a sua relação com estes durante os processos de recrutamento. Como já referi, definimos especializações em função daqueles que consideramos os perfis mais procurados pelo mercado. E o fator crítico de sucesso é, falando a mesma linguagem de clientes e candidatos, promover o alinhamento entre ambos. A partir desse momento, o algoritmo de Machine Learning encarrega-se de promover a melhoria contínua desse fit.

Vemos a tecnologia como potenciadora das competências humanas. Potenciadora porque garante aceleração na recolha, processamento e transformação de dados em informação.

Referem que a Talent Spot pode ser “uma fonte de rendimento estável para os recrutadores independentes”. Qual é o modelo de negócio/remuneração previsto? Que média de ganhos adicionais o recrutador pode esperar?

Existe uma partilha direta de valor entre o recrutador e a Talent Spot. Os ganhos são na verdade ilimitados. Dependem da capacidade de entrega do recrutador.

O uso de IA no recrutamento não é novidade, embora possa haver ganhos de rapidez na seleção de candidatos, não se corre o risco de se perder — no meio do algoritmo — o candidato que não é óbvio, mas que se revela o melhor fit para o que a empresa necessita?

A IA da plataforma não é aplicada ao candidato, mas sim às capacidades do recrutador e à sua probabilidade de maior êxito para uma determinada posição a preencher. E o objetivo é claramente de promover a entrega dos candidatos mais ajustados. Vemos a tecnologia como potenciadora das competências humanas. Potenciadora porque garante aceleração na recolha, processamento e transformação de dados em informação. Informação essa que deve ser gerida pelas pessoas. O talento sobrepõe-se ao capital como principal fator diferenciador.

Em Portugal, qual a disseminação do uso de IA nos processos de recrutamento? Que peso ocupa no recrutamento que é feito anualmente, por exemplo, nos recrutamentos realizados pela Manpower?

Funciona acima de tudo como alavanca de desempenho, que nos permite ter um time to market em permanente otimização, ao mesmo tempo que nos garante eficiência nas fases de recolha de informação, análise de dados, interpretação de resultados e até na definição de planos de ação. Mas, a chave de qualquer plano é a sua execução e essa característica é aquela em que as competências humanas são ainda distintivas.

Com o uso da tecnologia a disseminar-se cada vez mais, que exigências ao nível do perfil dos recrutadores ou até de know how nas direções de RH nas empresas está a implicar? Ou seja, estamos a assistir ao surgimento de um novo tipo de chief people AI officer?

O ser humano deve concentrar-se nas competências e aptidões que a inteligência artificial ainda tem dificuldade em replicar, e isso é tudo o que está relacionado com interação com outros seres humanos, que são os que tomam decisões de consumo que em última análise definem o sucesso ou insucesso dos negócios.

Posto isso, é necessário acompanhar as evoluções tecnológicas, para que as mesmas potenciem as competências humanas. Não sei se o surgimento de um novo C-Level será consequência natural desta realidade, mas sem dúvida que privilegiar o desenvolvimento do QA (quociente de aprendizagem) estará na agenda de todos os líderes. Criar e alimentar uma cultura de inovação e aprendizagem nas organizações será fundamental para o atingimento dos diferentes objetivos de negócio.

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