4-3. Os vencedores e os vencidos nas presidenciais

Quem teve mais votos? Quem ganhou face às presidenciais de 2016? Quem bateu as sondagens? E quem esteve pior do que o partido nas legislativas 2019? Eis os vencedores e derrotados na avaliação do ECO.

É tradição nas noites eleitorais. Quase todos reclamam ter tido bons resultados, poucos admitem derrotas e muitos transformam derrotas em vitórias. Afinal, quem são os vencedores e os derrotados das eleições presidenciais de 2021?

Há critérios objetivos e numéricos para responder a esta pergunta, sendo o principal, naturalmente, o número de votos conseguidos nas urnas. Além dos votos, importa também olhar para o ponto partida, ou seja, para as eleições de 2016 já que alguns candidatos são repetentes.

Superar ou ficar aquém do que previam as sondagens também ajuda a determinar os lugares no pódio. E para alguns candidatos, sobretudo os que estão “colados” aos partidos, é inevitável comparar as percentagens que obtiveram este domingo nas presidenciais com os resultados das eleições legislativas de 2019.

Além dos critérios numéricos, também entram nesta equação as expectativas e metas que alguns candidatos se autoimpuseram. Da análise de todos estes critérios chegámos a quatro vencedores e a três derrotados. Esta tabela ajuda a sintetizar os resultados.

A análise aos resultados

1. Marcelo Rebelo de Sousa

É vencedor porque ganhou as eleições e ganhou folgadamente. Marcelo em 2021 teve mais votos do que Marcelo em 2016 (+ 121.874 votos). E à exceção dos 70,4% de Mário Soares em 1991, conseguiu bater Eanes, Sampaio e Cavaco em percentagem de votos nas reeleições. Ficou aquém das últimas sondagens, mas é de longe o grande vencedor e o único, na verdadeira aceção da palavra.

2. Ana Gomes

Costuma dizer-se que o segundo lugar nada mais é do que o primeiro dos últimos. A disputa pelo “primeiro dos últimos lugares” era a única incógnita relevante deste ato eleitoral. Ana Gomes conseguiu ficar à frente de André Ventura e conseguiu, nas palavras da própria, impedir “a progressão da extrema-direita”. Perde se compararmos com os 22,88% de Sampaio da Nóvoa em 2016, numas eleições, cinco anos volvidos, em que a embaixadora lamentou “profundamente a não comparência” do PS. Leva para casa a medalha de ter superado o score de Marisa Matias em 2016 e o de Maria Lurdes Pintassilgo em 1986, ou seja, Ana Gomes é a mulher que mais votos conseguiu em eleições presidenciais em Portugal (541.345).

3. André Ventura

É a confirmação da ascensão da extrema-direita xenófoba e populista em Portugal. Além de bater as sondagens, o resultado de André Ventura (11,9% e 496 mil votos) fica bastante acima dos resultados do Chega nas legislativas de 2019 (1,29% e 67.826 votos). Multiplica por 7. De resto, obteve um resultado em linha com as sondagens para as legislativas de 2023. Coloca-se no xadrez político como uma peça difícil de contornar caso a direita almeje formar uma maioria no Parlamento.

4. Tiago Mayan

Nenhuma “onda liberal” varreu o país como previa o candidato apoiado pelo Iniciativa Liberal. Mas Tiago Mayan consegue consolidar o caminho que tem sido trilhado por João Cotrim Figueiredo. O IL de Cotrim obteve 1,29% (67.681 votos) nas legislativas de 2019, e agora Mayan aumentou esse score para 3,22%, o que corresponde a 134 mil votos.

5. Marisa Matias

“O resultado não é o que eu desejava”, afirmou Marisa Matias no discurso deste domingo. “Não é o resultado que esperávamos”, confirmou Catarina Martins poucos minutos depois. A derrota da candidata do Bloco de Esquerda é agravada quando se compara os 3,95% agora obtidos com os 10,12% que Matias conseguiu nas presidenciais de 2016. Esteve também bastante aquém dos 9,52% alcançados pelo Bloco nas legislativas de 2019.

6. João Ferreira

É verdade que supera os 3,95% do discreto Edgar Silva nas presidenciais em 2019. Mas fica longe dos 6,33% conseguidos por uma CDU já em quebra abrupta nas legislativas de 2019. A fasquia não era alta, ainda assim, o candidato da CDU não a transpôs. Jerónimo de Sousa diz que João Ferreira “merecia mais”. O PCP vai ter de fazer mais para merecer mais, sobretudo em várias regiões do Alentejo onde o candidato apoiado pelo Chega ficou em segundo lugar.

7. Vitorino Silva

Nas eleições para o Parlamento em 2019, o R.I.R de Vitorino Silva teve apenas 0,67% ou 35.359 votos. Agora, nas presidenciais, multiplica os votos para 122.743 (2,94%); fica, no entanto, aquém dos 3,28% das presidenciais de há cinco anos. Tino de Rans, como é popularmente conhecido, disse que “a vitória era ter mais um voto do que há cinco anos”. Não teve mais um, teve menos 29 mil votos.

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