Do tempo útil de jogo à internacionalização do futebol, o plano da FPF até 2030

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) lançou este sábado o "Futebol 2030", um plano estratégico com metas bem definidas para o futebol português até ao fim da década.

Após uma inesperada e difícil pandemia global — levando a estádios vazios e quebras de faturação em inúmeros clubes — e, agora, com uma candidatura, com a vizinha Espanha, para receber o Mundial de 2030 à espera de uma decisão da FIFA, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) está focada num novo plano estratégico para o desporto-rei. Entre os objetivos está subir para 325.000 o número de jogadores federados (futebol e futsal) e para 500.000 os atletas informais, bem como aumentar as audiências de jogos das equipas femininas e a ocupação média dos estádios.

Com o desígnio de “Futebol 2030”, a Federação liderada por Fernando Gomes traçou uma estratégia para os próximos oito anos em que as metas pretendidas e programas a implementar estarão assente em cinco pilares fundamentais: Infância e crescimento; Futebol para todos e todas; Qualidade do Jogo; Envolvimento e sustentabilidade do ecossistema.

Infância e crescimento

Uma das principais apostas da FPF começará naquelas que são as bases de qualquer desporto… as camadas jovens. De acordo com o plano estratégico a que o ECO teve acesso, o objetivo do pilar “infância e crescimento” é “introduzir o futebol às crianças desde a idade pré-escolar como prática saudável e formativa, dentro e fora da escola”.

Para tal, a Federação vai recorrer a um conjunto de programas e iniciativas para fomentar a prática do futebol e futsal nas faixas etárias mais novas:

  • ATL do futebol/futsal – Dinamizar a prática de futebol nos tempos livres dos jovens através de um programa extracurricular estruturado com as escolas;
  • Futebol para a saúde – Promoção de ações de sensibilização junto de escolas e associações médicas para posicionar o futebol como motor para o desenvolvimento saudável dos jovens;
  • Joga Aqui – Criar novos espaços para jogar futebol em todo o território nacional, nomeadamente no interior e otimizar a gestão de infraestruturas existentes;
  • Bola na escola – Promoção da representatividade do desporto com bola no currículo de ensino das idades infantis;
  • Sempre aqui Fortalecer o laço dos portugueses com o desporto ao longo do tempo, através da celebração de marcos pessoais importantes.

Futebol para todos e todas

Para além dos mais novos, o foco também estará centrado na generalização da prática de desportos de bola em toda a sociedade civil, pretendendo, ao mesmo tempo, criar um clima de estabilização no futebol nacional através de promoção de comportamentos de boa conduta. Objetivos que serão trabalhados através destas medidas:

  • Um por todos e todos no futebol – Promoção do fair play e na melhoria da imagem do futebol para o tornar mais atrativo e desenvolver o seu contributo para a sociedade;
  • Futebol na palma na mão Criação de um ponto único de contacto para praticantes e adeptos do futebol/futsal;
  • Futebol feminino de elite – Estabelecer novas regras e criar incentivos para dinamizar o crescimento dos clubes da primeira e segunda liga feminina;
  • Joga com a cabeça – Promoção do futebol como ferramenta de apoio saúde mental e estabilidade emocional dos jogadores, nomeadamente através de imposições na Certificação FPF que incentivem os clubes a caminhar nesse sentido;
  • Joga igual – Tornar a prática de futebol/futsal mais inclusiva, garantindo que a sociedade associa o desporto como um lugar seguro sem preconceito.
  • Percursos do futebol – Disponibilização de recursos para jogadores e agentes do futebol nas diferentes fases da carreira para garantir que estes se mantêm envolvidos na prática da atividade.

Programas estes que servirão para tentar alcançar os objetivos da Federação de subir para 325.000 o número de jogadores federados (futebol e futsal) e para 500.000 os atletas informais (futebol e futsal).

Qualidade do Jogo

Nos últimos anos, o futebol português tem sido um exemplo na exportação de ativos (caso de Bernardo Silva ou João Félix) para as melhores ligas do mundo. No entanto, quando falamos na qualidade do jogo praticado no país a conversa é outra. A título de exemplo e conferindo os valores disponibilizados pela CIES, a Liga Bwin é apenas o 31.º campeonato europeu com mais tempo útil de jogo, com uma média de 57 minutos e nove segundos por encontro.

Na tentativa de resolver esta problemática, a Federação Portuguesa de Futebol quer avançar com o programa “mais jogo”. Todavia, neste pilar de atuação, o aumento da prática de futsal e a revisão do calendário das competições nacionais também irão merecer destaque:

  • Clubes na Europa – Revisão do calendário das competições nacionais e desenvolver mecanismos de solidariedade para melhorar os resultados das equipas portuguesas de Futebol e Futsal masculino e feminino na Europa e a competitividade das respetivas Ligas;
  • Mais jogo – Aumentar o tempo útil de jogo em Portugal, através de benefícios para os intervenientes que promovam menos paragens no jogo e da imposição de regras que penalizem quem deliberadamente prejudicar o ritmo;
  • Mais futsal – Dinamizar novos eventos e conteúdos para atrair novos consumidores para o futsal;
  • Por cá até aos 23 – Estabelecer novas regras e incentivos que adiem a saída de jogadores formados em território nacional para outros mercados.

Neste departamento, as medidas serão utilizadas com a finalidade de conseguir melhorar o tempo útil de jogo para um valor superior a 60% (a média do futebol europeu) e melhorar os rankings das seleções nacionais (futebol masculino, futebol feminino, futsal masculino e futsal feminino) na FIFA e UEFA.

Envolvimento

No departamento do “Envolvimento”, ao organismo que tutela o futebol nacional vai focar-se na internacionalização do futebol e futsal nacional, na criação de um elo de ligação entre novas tecnologias e o futebol (por exemplo, eFootball) e, por fim, na dinamização de clubes fora dos grandes centros urbanos.

  • Internacionalização do futebol/futsal português – Promoção do futebol e futsal português em novos mercados;
  • Formar – Intensificar a formação de agentes do futebol (e.g. treinadores, árbitros, dirigentes) e promover dinâmicas e incentivos para aumentar e melhorar a pool de talento nacional nas diferentes áreas do futebol;
  • Futebol 4.0 – Reinventar a experiência de consumo do futebol, trazendo tecnologia para a transmissão do jogo, criando parceiras com o eFootball e desenvolvendo conteúdos com foco no futebol feminino;
  • Clube da terra – Trazer as pessoas de fora dos centros urbanos do país de volta ao futebol, como ponto de encontro familiar e convívio local.

O objetivo final dos programas inseridos neste pilar é conseguir aumentar a ocupação média dos estádios de futebol para valores superiores a 50%; subir para 1.000.000 users registados na plataforma Portugal+ e, por fim mas não menos importante, subir as audiências médias da Primeira Liga feminina para os 15.000.

Sustentabilidade do ecossistema

Fora da componente desportiva, a sustentabilidade é também um assuntos de grande destaque no plano estratégico da Federação Portuguesa de Futebol. Com uma visão virada para o ambiente e no reforço em apoios dados aos clubes, estas são as apostas da FPF para este departamento até 2030:

  • Centro de excelência – Criação de um ecossistema de excelência focado no desenvolvimento de serviços de inovação, saúde e formação com vista a incentivar a criação de novos ativos para o futebol;
  • Futebol Green – Posicionamento do futebol português como amigo do ambiente, através do combate ao consumo de recursos e desperdício alimentar;
  • Centro de serviços aos clubes – Centralização de operações e serviços de apoio aos clubes com vista a garantir um maior acesso a recursos financeiros, saúde, gestão e tecnologia.

Com a implementação destes programas, a FPF pretende aumentar em 13% o Social Returnon Investment – SROI (O retorno social do investimento é um método baseado em princípios para medir o valor extra-financeiro), que a autonomia financeira dos clubes nacional seja superior a 0% e o aumento da qualificação dos dirigentes desportivos.

As datas mágicas de 2024, 2027 e 2030

Conhecidos os programas que a FPF deseja executar no plano estratégico para 2030, quais serão as metas para as implementar? Pois bem, para responder esta questão, a Federação colocou no seu plano três metas temporais: 2024, 2027 e 2030. Estas serão as datas escolhidas para implementar as principais medidas acima enumeradas.

Até ao final de 2024, este organismo desportivo pretende ter implementado os seguintes programas:

  • Conclusões dos compromissos 2020-2024 (pode ver aqui os compromissos);
  • Lançamento da aplicação móvel decorrente do programa “Futebol na palma da mão”;
  • Programa de ATL do Futebol em velocidade cruzeiro;
  • Fornecimento de material complementar e pequenas infraestruturas a escolas, municípios e clubes decorrente do programa “Joga aqui”;
  • Adaptação do currículo escolar em escolas piloto decorrente do programa “Bola na escola”;
  • Definição de uma área interna à FPF dedicada ao contacto com os clubes e prestação de serviços centralizados;
  • Introdução de novo regulamento e medidas financeiras para o crescimento do futebol feminino.

Em 2027:

  • Instalação e recolha de dados das câmaras de vídeo em campos de formação;
  • Conclusão do projeto de construção urbana de grande infraestrutura para os silos de campos de futebol;
  • Renovação do formato da transmissão de jogo com mais dados de performance, perspetivas de câmara e informação “in field”;
  • Melhoria do tempo útil de jogo médio dos jogos nas principais divisões portuguesas;
  • Inicio das novas competições regionais – unindo distritos de menor expressão nacional;
  • Estreitamento da relação entre o clube da terra e os adeptos locais.

No último ano, o intuito é implementar apenas três medidas:

  • Pacote de medidas para a sustentabilidade associadas à receção do Mundial 2030;
  • Disponibilização do centro de serviços para os clubes com apoio ao financiamento, operações e relação com adeptos;
  • Centro de Excelência para a inovação, saúde e formação de treinadores.

Panorama do futebol/futsal em Portugal

No plano estratégico da Federação foram ainda divulgados dados referentes ao panorama do futebol e futsal no território nacional, desde títulos conquistados pelas seleções nacionais ao número de federados nas diferentes modalidades de bola.

Olhando para os dados absolutos, é notória uma tendência de melhoria em todos os parâmetros ao longo dos últimos dez anos, mesmo com uma pandemia pelo meio: O número de atletas federados nas modalidades de futebol e futsal subiu (de 154.517 jogadores em 2012 para 195.366 em 2022); os títulos conquistados por equipas pertencentes à Federação Portuguesa de Futebol também cresceu (de 15 troféus para um total de 30) e ainda houve um aumento substancial no número de jogadoras federadas a atuarem no futebol feminino (de 6.136 atletas em 2012 para 12.161 em 2022).

Fonte: Federação Portuguesa de Futebol

As expectativas para o futuro são a permanência desta tendência ascendente nos próximos anos, porém falta saber o quão grande será.

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