A gestão de pessoas e a economia 4.0

  • Paula Rocha
  • 23 Janeiro 2020

É necessário preparar as pessoas para empregos de futuro, qualificando, atualizando e requalificando.

O relatório “The future of jobs” de 2016, do World Economic Forum, aponta para a erradicação de cinco milhões de empregos até 2020 só na Europa. Até 2025 estima-se que sete milhões de pessoas na Europa vão perder o emprego devido à Revolução 4.0.

Os números não deixam margem para dúvidas: até 2020, 54% dos empregos estão altamente vulneráveis. A revolução terá impacto em todos os postos de trabalho sejam eles qualificados ou não qualificados. Terá impacto nos trabalhadores de todas as idades.

Os gestores de pessoas estão a ser desafiados para criar ambientes de trabalho digitais e apoiarem a preparação dos contextos de trabalho do futuro pois esta revolução caracteriza-se pelo uso generalizado de tecnologias.

Estas tecnologias têm provocado grandes transformações nos modelos de negócio das organizações dos mais diversos segmentos de mercado, mas também fazem parte do quotidiano das pessoas: smartphones, internet móvel, impressoras 3D, sensores inteligentes ou cloud computing já são imprescindíveis.

Outras tecnologias mais recentes ameaçam mudanças ainda mais profundas como seja IoT- Internet of Things, inteligência artificial, big data, realidade virtual e realidade aumentada.

É necessário preparar as pessoas para empregos de futuro, qualificando, atualizando e requalificando. Na economia 4.0 temos de ter pessoas com competências 4.0.

O mercado de trabalho como o conhecemos hoje não vai existir mais, uma vez que esta revolução exige novas competências e uma aprendizagem contínua ao longo da vida, fazendo com que todos tenham de aprender a aprender.

As estratégias a desenvolver neste caminho passam pela adaptação de medidas a diferentes níveis: empregabilidade, formação e desenvolvimento das pessoas, comunicação, diversidade, inclusão e igualdade de género. Este é um caminho sem volta: a transformação digital está aí e veio para ficar.

A grande alteração tem a ver com a mudança de mindset: as pessoas vão ter mais tempo para as suas questões pessoais, hóbis e realização profissional unicamente porque as novas tecnologias permitirão que cada um tenha acesso a novos recursos. E assim caminhamos para a sociedade 5.0.. E o que fazer em termos de Gestão das Pessoas na economia 4.0?

Destacaria três eixos. O primeiro passa pela identificação e desenvolvimento da liderança: é necessário atuar na transformação do mindset digital dos colaboradores. O segundo tem a ver com a formação das pessoas: urge criar plataformas de formação para o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais essenciais ao desenvolvimento da maturidade digital. “As organizações que amadurecem digitalmente têm quatro vezes mais probabilidade de proporcionar aos colaboradores as competências digitais necessárias, do que as empresas posicionadas no extremo inferior de maturidade” (KANE et al., 2015). O terceiro eixo está relacionado com a atração e retenção de talentos: construir a organização do futuro exige uma abordagem de equipa e centrada no talento. No estudo “Global Human Capital Trends 2017” da Deloitte, os inquiridos apontam a captação de talento como um dos principais desafios das empresas. Impõe-se criar mecanismos de atração de talentos que possuam um perfil multidisciplinar exigido pelas novas tecnologias e reter os profissionais, culturalmente alinhados, que conduzirão o processo interno de transformação.

A gestão de recursos humanos deve assumir um papel de liderança no processo de mudança organizacional.

Hoje, a questão que se coloca não é quando acontecerá a 4.ª Revolução Industrial porque a revolução já começou. A questão que se coloca é como estamos a preparar-nos e a desenvolver estratégias de adaptação para nos mantermos no mercado de trabalho e mantermos vivas as nossas empresas.

*Paula Rocha é membro da direção da APG.

  • Paula Rocha

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