Adéu BPI, hola CaixaBank

O CaixaBank tem de pedir esta semana o registo da OPA sobre o BPI. Com a 'aprovação' de Isabel dos Santos, agora será sobretudo uma questão de calendário. Hola CaixaBank.

O CaixaBank tem de apresentar esta semana o pedido de registo de Oferta Pública de Aquisição (OPA) obrigatória sobre a totalidade do capital do BPI, o que será o primeiro passo formal para assegurar de uma vez por todas o controlo de um banco que passará a ser catalão.

O futuro do BPI estava, verdadeiramente, nas mãos, e no processo de decisão, de Isabel dos Santos que controla mais de 18% do capital e, nas últimas semanas, a empresária angolana mudou de posição. Porquê? Porque garantiu as condições que queria e será, provavelmente, a única acionista de um banco em Portugal que ganhou dinheiro na compra e venda de ações. Quem pode dizer o mesmo? Não estou a lembrar-me de ninguém e, do que se sabe, a OPA dos catalães permitem uma mais-valia de mais de 50 milhões de euros, aos quais ainda tem de se somar os dividendos entretanto recebidos.

Assim, o mais difícil para o CaixaBank parece ter sido conseguido em dois momentos diferentes.

  1. A assembleia geral do BPI desbloqueou a blindagem de estatutos do banco que impunha um limite de 20% aos votos de cada acionista, independentemente da sua posição. O CaixaBank, recorde-se, já tinha uma posição de cerca de 44%.
  2. A Unitel – na qual Isabel dos Santos tem uma posição relevante de 25% – aceitou a proposta do conselho do BPI e comunicou ao mercado na sexta-feira que vai comprar uma posição de 2% do BFA nas mãos do BPI e assim passar a mandar no banco angolano, o que permite responder às exigências do BCE.

Como é evidente, mesmo que Isabel dos Santos jure que a sua posição em relação à OPA não decorra diretamente da posição da Unitel em Angola, os passos já dados antecipam um desfecho previsível. É possível dizer mesmo Adéu BPI, Hola CaixBank.

Se o CaixBank ganhou, e se Isabel dos Santos ganhou, também o primeiro-ministro António Costa acaba por sair bem de um processo em que se meteu e para o qual até legislou à medida. E quem perdeu? Fernando Ulrich, pode dizer-se, não sai incólume deste processo longo. E o primeiro teste à nova relação de forças dentro do banco está marcada para breve. Quando se decidir se o BPI vai ou não candidatar-se à compra do Novo Banco.

Os sinais do CaixaBank são de divergência em relação à estratégia – escondida – de Ulrich, e se tal vier a confirmar-se, como é previsível, a posição do presidente do BPI fica marcada, e condicionada. Sem apelo.

O quadro compõe-se, ainda assim. Mesmo tendo em conta os passos que faltam, incluindo o registo da CMVM e a aprovação final do BCE, o CaixaBank vai passar a ter uma posição direta e de controlo efetivo no BPI, mesmo que não venha a ser de 100%. O BPI não tem os problemas de capital de outros bancos, como o BCP ou o Novo Banco ou a CGD, mas precisa de mudar de vida, especialmente, precisa de passar a ganhar dinheiro. Com o CaixaBank, vai passar a ter as condições para isso.

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