CaixaBank pode bloquear BPI na corrida ao Novo Banco

Responsáveis do CaixaBank terão dito aos restantes acionistas que vão opor-se a que o BPI concorra à compra do Novo Banco assim que assumirem o controlo do banco português.

O BPI pode vir a ficar de fora do processo de compra do Novo Banco quando o CaixaBank assumir o controlo do banco português. A notícia é avançada pela Bloomberg, que cita quatro pessoas ligadas ao processo.

Segundo a agência financeira, responsáveis do banco catalão terão dito aos restantes acionistas que irão opor-se a uma eventual proposta de compra do Novo Banco quando assumirem o controlo do BPI, através da oferta pública de aquisição (OPA) que está neste momento a decorrer. O grupo catalão já detém cerca de 45% do capital do BPI e lançou uma OPA sobre o restante capital.

A notícia vem apenas dar mais força à posição já pública de Gonzalo Gortázar, presidente executivo do CaixaBank. Numa conference call com analistas, em julho, o responsável já tinha dito que o banco catalão não tem interesse em comprar o Novo Banco diretamente. “O CaixaBank está centrado unicamente na oferta sobre o BPI” e essa “é a única operação a ser analisada”, salientou Gortázar na altura.

Questionados agora pela Bloomberg sobre se vai bloquear uma proposta do BPI pelo Novo Banco, os catalães limitam-se a reiterar os comentários feitos em julho, sublinhando que não foi tomada qualquer decisão.

Vai assim caindo por terra o interesse do BPI em comprar o Novo Banco, manifestado ainda na semana passada, durante a assembleia-geral de acionistas. “O banco está a estudar seriamente essa operação e vai continuar a estudá-la e a tomar decisões. O aspeto que ficou resolvido permite ao banco tomar posições quando foi a altura, e quando for conveniente, porque não está bloqueado nas exigências de capital”, disse, nessa altura, Artur Santos Silva, chairman do BPI.

O “aspeto que ficou resolvido” é a desblindagem dos estatutos do BPI, que foi aprovada na assembleia-geral e que parecia ter aberto caminho para o BPI comprar o Novo Banco. A desblindagem dos estatutos permitiu a clarificação do poder acionista, o que colocava o BPI em melhor posição para avançar com uma proposta pelo Novo Banco.

A shortlist dos candidatos ao banco que herdou os ativos bons do BES deverá, assim, ficar mais curta. Em junho, o Banco de Portugal adiantou que iria analisar quatro propostas pelo Novo Banco para decidir se vende o banco a um comprador estratégico, como outra instituição bancária, ou a um grupo de investidores institucionais, o que implicaria uma operação de oferta pública inicial.

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