“Como avalia a sua vida?” ou, tão simplesmente, reflexões ao sol

  • Carla Caracol
  • 17 Setembro 2019

As férias são um período tipicamente de menor stress e ansiedade, com maior disponibilidade – para nós e para os outros.

As férias são momentos, não raras vezes, pautados por reflexões que nos conduzem através dos meses antecedentes – com balanço efetivo de todas as conquistas e desaires – e de intenções que irão nortear os meses futuros. Normalmente, este posicionamento pessoal mais consciente tem uma carga emocional intensa, permitindo-nos sentir o que nos motiva entusiasticamente para a ação.

As férias são um período tipicamente de menor stress e ansiedade, com maior disponibilidade – para nós e para os outros – em que temos direito, de quando em vez, ao luxo do silêncio que cala todos os ruídos externos e que dá voz ao nosso inconsciente.

É um balanço feito com o coração, salpicado de vitamina D, que nos enche de esperança e que alimenta a vontade de fazer mais e de ser melhor, definindo objetivos, raramente reduzidos a escrito e com planos de ação a operacionalizar, pelo que, com a azáfama do regresso ao trabalho, frequentemente, deixamos o outono antecipar-se nas nossas vontades e permitimos o cair da folha precoce por mais um ano.

Nesta pausa de 2019, pensava precisamente sobre isso… em como, ano após ano, os balanços e as intenções são feitos, sentindo, recorrentemente, necessidade de fazer um reset ou apenas um restart, mas nem sempre com resultados concretos, questionando-me o porquê de isso acontecer.

Foi neste contexto que me lembrei de um livro que li em tempos, cujo título é uma questão curta e simples, mas suficientemente complexa para conseguir dar uma resposta breve e verdadeira: “como avalia a sua vida?”.

O autor Clayton Christensen, sem subterfúgios semânticos, relembra que os nossos resultados dependem, em boa parte, de nós mesmos, enquanto decisores pessoais, e da importância de ter um propósito, vivo e vivido, de vida, que facilita a alocação dos nossos mais preciosos e escassos recursos: tempo, talentos e energia.

Estas breves pausas podem (e devem) ser assim críticas para avaliar se efetivamente o nosso propósito está presente na conduta quotidiana e se, consequentemente, os nossos “bens” finitos são utilizados de forma proporcional ao que mais valorizamos… pois necessitamos ser flexíveis em quase tudo na nossa vida, exceto nos nossos princípios.

Esta reflexão é essencial para todos os que comungam da responsabilidade de gestão, “a mais nobre das profissões (…) desde que bem praticada”, arguindo Christensen que é essencial humildade para aprender constantemente, proporcionando múltiplas formas de ajudar outros a aprender e a crescer, sendo este o maior legado que podemos ambicionar.

Muito mais do que as soluções encontradas e nem sempre escritas em guardanapos, durante as férias, fica a questão… temos respeitado o nosso propósito de vida?

*Carla Caracol é diretora de recursos humanos do grupo Renascença Multimédia e membro da direção nacional da APG.

  • Carla Caracol

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