Desafios de gerir equipas globais e remotas

  • Tiago Henriques
  • 17 Novembro 2021

Saúde mental, aquele tópico que, infelizmente, ainda é tabu em muitas empresas, faz com que seja ainda mais difícil lidar com esta situação.

A pandemia causou uma grande alteração na forma como líderes de grandes empresas encaram o trabalho remoto. Se até aí viam o trabalho remoto como sinónimo de menos horas e menos trabalho, neste momento veem o trabalho remoto como uma ferramenta essencial para salvar as suas empresas. O problema com esta situação foi que criou também uma imagem negativa do trabalho remoto. Empresas sem experiência neste modus operandi mandaram os seus colaboradores para casa, sem as condições necessárias para poderem executar com sucesso o seu trabalho. O impacto na saúde mental de muitos colaboradores ao verem escolas fechadas e terem de trabalhar a partir de casa, enquanto têm de garantir que as suas crianças têm almoço, e que estão a ir às aulas online, torna-se demasiado para qualquer pessoa. Saúde mental, aquele tópico que, infelizmente, ainda é tabu em muitas empresas, faz com que seja ainda mais difícil lidar com esta situação.

A BinaryEdge (empresa fundada por mim há seis anos, adquirida há dois anos pela Coalition, líder no mercado de seguros cibernéticos) sempre foi uma empresa remota. Neste momento encontro-me a gerir múltiplas equipas com um total de mais de 40 colaboradores (distribuídos entre Estados Unidos, Inglaterra, Portugal, Suíça e Canadá) e mais de 20 posições remotas abertas até ao fim de 2021 sob minha responsabilidade.

As principais dificuldades com colaboradores remotos que observei durante estes anos, resumem-se a dois pontos:

1 – Dificuldades de contratação: lidar com contabilidade, contratos e legislação local;

2 – Motivação e saúde mental dos colaboradores: trabalho remoto não funciona para todas as pessoas (e empresas). Ė necessário um nível de responsabilidade e forma de trabalhar diferente de pessoas que estão no mesmo espaço físico para poder manter-se produtivo a longo termo.

Muitas empresas começaram a adicionar às ofertas de trabalho algum orçamento para os colaboradores pode rem melhorar os seus espaços de trabalho em casa. Pode não parecer importante, mas uma boa cadeira, monitor e headphones com cancelamento ativo de barulho fazem milagres. Uma melhoria que tenho observado também foi que empresas estão a investir em serviços como Headspace e Ginger que tentam ajudar com a saúde mental dos seus utilizadores.

As dificuldades de contratação mencionadas anterior mente estão também a ser resolvidas, empresas como a Deel e Remote fazem com que a contratação de colaboradores remotos seja feita de forma fácil sem que as empresas tenham de se preocupar com contabilidade e seguros.

No entanto, acabando o que esperamos que tenha sido a pior fase da pandemia, o mercado encontra-se em tumulto. Entre empresas que continuaram a crescer durante a pandemia ou empresas que pararam todas as suas contratações no início da pandemia, e que têm neste momento grandes capitais disponíveis para contratações, o resultado é um mercado competitivo e atraente com aumentos substanciais nas ofertas salariais em posições técnicas como engenheiros de software ou especialistas de cibersegurança.

Grandes tecnológicas como a Amazon, Cloudflare e também nós na Coalition escolhemos Portugal como alvo para a criação dos próximos centros de engenharia, criando as sim excelentes oportunidades em Portugal, que se encontra agora, na minha opinião, no caminho certo para se tornar no país que tem sido apresentado na Web Summit mas que até hoje não existiu.

  • Tiago Henriques
  • Director of engineering-security da Coalition

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