IA vai mudar quase tudo. Mas o que importa continua a ser humano

  • Kalpna Kirtikumar
  • 29 Dezembro 2025

O objetivo não é substituir pessoas, é redesenhar, e enriquecer o trabalho e, em última análise, apoiar a nossa realização profissional e até pessoal.

A Inteligência Artificial (IA) já mudou o mercado de trabalho. No mundo dos negócios, e em quase todas as áreas, é impossível ignorar o impacto que esta tecnologia tem. Mas convém relembrar o essencial. A IA é uma ferramenta. Não é um substituto, nem uma ameaça. É um potenciador. E cabe-nos decidir de que forma a queremos usar.

A transformação impulsionada pela IA já está em marcha e não vai abrandar. Quem espera demasiado arrisca-se a perder oportunidades. Por isso, empresas e profissionais precisam de experimentar e adaptar-se. Trata-se simplesmente de acompanhar o rumo natural do trabalho e de garantir que continuamos relevantes num contexto que evolui todos os dias.

Um estudo recente da Anthropic aponta que cerca de 36% das funções já recorrem à IA em ¼ do seu trabalho diário, com tendência clara para um aumento desse número. A questão não é se a IA vai transformar o trabalho, mas, sim, como vamos integrar e reagir a essa mudança. Quem o fizer com estratégia e visão vai liderar o futuro do mercado de trabalho nas suas diversas vertentes: recursos humanos, gestão, comunicação e marketing, entre outras.

Há quem ainda olhe para a IA com receio. O que é compreensível. Mas a verdade é que a IA vem sim, libertar-nos de tarefas repetitivas e dar-nos tempo para imaginar, criar e inovar. A IA pode automatizar relatórios enquanto o analista se concentra na atribuição de significados e na contextualização dos dados, a IA pode analisar registos ou localizar erros mais rapidamente, deixando mais tempo para o engenheiro para resolver o problema de forma inovadora e eficiente.

A IA faz parte do trabalho necessário para que possamos dar significado e contexto. É aqui que está a diferença. A tecnologia pode ser rápida e eficiente para processar informações, mas não sente empatia, não perceciona nuances no ambiente. A inteligência emocional, a criatividade, a ética, o julgamento crítico e o sentido de propósito continuam a ser as nossas maiores forças. É isso que cria equipas unidas e organizações mais humanas.

Há um conceito que sempre me inspirou: o ócio criativo. A ideia de que é necessário tempo para imaginar e criar. A IA tem o poder de nos devolver esse tempo. Quando usamos a tecnologia de forma inteligente, ganhamos espaço para imaginar novas soluções, refletir e inovar. A IA pode ser o nosso parceiro de pensamentos, enquanto nós fazemos o que só os humanos conseguem fazer: imaginar o futuro.

Esta mudança, no entanto, é uma responsabilidade partilhada. As empresas precisam de garantir a devida formação e criação de condições para que as pessoas saibam usar a IA com confiança. Mas os profissionais também têm de manter a curiosidade viva e procurar aprender continuamente. Saber trabalhar com inteligência artificial vai ser tão essencial quanto saber ler, escrever ou usar o Excel.

Integrar IA não é uma corrida tecnológica; é um processo natural de evolução das ferramentas que temos ao nosso dispor. O objetivo não é substituir pessoas, é redesenhar, e enriquecer o trabalho e, em última análise, apoiar a nossa realização profissional e até pessoal.

As empresas que compreenderem este equilíbrio entre tecnologia e humanidade serão as que vão continuar a destacar-se. Porque, no fim, a tecnologia é apenas um meio. O que faz a diferença continua, e sempre continuará, a ser o fator humano.

  • Kalpna Kirtikumar
  • People Partner & Country HR Lead da Sky Portugal

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