MGAs: especialização e agilidade em seguros
António Rito Batalha é claramente adepto de um modelo que está a ganhar força e atenção: as Managing General Agents (MGAs), ou Agências de Subscrição Delegada. Explica vantagens e desafios.
O setor segurador europeu atravessa um momento de transformação silenciosa. Nos últimos anos, tem surgido um modelo que está a ganhar força e atenção: as Managing General Agents (MGAs), ou Agências de Subscrição Delegada. Estas entidades, que atuam com autorização das seguradoras para subscrever riscos em seu nome, estão a transformar a forma como os produtos de seguro chegam ao mercado.
A presença das MGAs é já uma realidade consolidada no Reino Unido e nos Estados Unidos, e começa agora a expandir-se rapidamente na Europa continental. A sua importância vai muito além de uma inovação operacional: representa uma nova forma de organização do setor, com impacto direto na eficiência, na especialização e na capacidade de resposta às necessidades dos clientes.
Porque é que as seguradoras trabalham com MGAs
Para as seguradoras, colaborar com MGAs é uma forma de crescer sem aumentar a sua estrutura fixa, mantendo o controlo sobre o risco e beneficiando de equipas altamente especializadas.
Uma MGA combina conhecimento técnico profundo de um nicho — seja automóvel, caução, responsabilidade profissional, energia ou agricultura — com uma gestão ágil e orientada ao mercado.
Ao delegar a subscrição numa MGA, a seguradora ganha flexibilidade e rapidez. Em vez de criar internamente um departamento para um novo produto, pode associar-se a uma equipa que já conhece o segmento, possui experiência técnica e acesso direto aos distribuidores. Isto permite testar novas linhas de negócio com risco controlado e sem o peso de custos fixos adicionais.
Benefício público: mais concorrência e mais oferta
Do ponto de vista do mercado e dos consumidores, o modelo MGA contribui para aumentar a diversidade da oferta e a concorrência. Produtos que antes demoravam anos a chegar ao mercado podem agora ser lançados em poucos meses, muitas vezes com coberturas mais ajustadas à realidade local.
Em áreas onde as seguradoras tradicionais se retraíram — riscos climáticos, transportes, energia ou PME industriais —, as MGAs têm preenchido lacunas, garantindo continuidade de cobertura e estimulando a inovação técnica. Essa capacidade de resposta beneficia diretamente a economia real, ao facilitar o acesso a seguros especializados que sustentam a atividade empresarial.
O papel do resseguro e a importância da confiança
Nenhuma MGA opera porém sem o apoio dos resseguradores, que fornecem a capacidade de risco essencial para a sua atividade. O sucesso deste modelo depende, portanto, da qualidade dos dados, da transparência e da confiança entre todos os intervenientes: seguradora, MGA e ressegurador.
Quanto melhor for a informação e o controlo técnico partilhado, mais sustentável será a relação. A tecnologia e a análise de dados tornam-se ferramentas críticas — não apenas para medir o risco, mas também para reforçar a credibilidade e atrair capacidade estável.
A rapidez com que as MGAs colocam produtos no mercado é uma das suas maiores vantagens, mas também um desafio. A agilidade não pode comprometer a disciplina técnica nem a qualidade da informação, sob pena de se perder a confiança dos parceiros de capacidade. O equilíbrio entre velocidade e rigor será decisivo para consolidar o modelo na Europa continental.
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