Na Rota do Luxo

  • Helena Amaral Neto
  • 14 Outubro 2017

Estamos na era da experiência. É mais importante fazer aquela viagem inesquecível – e poder partilhá-la nas redes sociais – do que comprar o último modelo da Rolex.

Samarcanda, cujo nome significa ‘cidade de pedra’, é a segunda maior cidade do Uzbequistão.Pixabay

Samarcanda floresceu devido ao seu posicionamento estratégico na Rota da Seda. Continua no imaginário coletivo até hoje, e mereceu o título do livro de Amin Maalouf, que contribuiu para alimentar a aura desta cidade. Visitei Samarcanda há um ano, e a Praça Registan – exemplo de arquitetura medieval oriental, com duas mesquitas imponentes (construídas com 200 anos de intervalo) e uma madrassa – é, sem dúvida, das mais bonitas do mundo! Ao contrário da Praça do Comércio em Lisboa, está vazia. Um privilégio para qualquer turista atual poder deambular livremente entre monumentos históricos, fazer vídeos e tirar selfies sem multidões.

Portugal está a viver anos de ouro no Turismo, estamos debaixo dos holofotes internacionais com as melhores críticas, e evoluímos de um destino tradicional de praia e golfe para um destino cool e trendy. Os resultados estão à vista de todos: 22 milhões de turistas e recordes mensais nas taxas de ocupação e preços médios da hotelaria, fruto de muito trabalho dos profissionais do setor e da inovação nos conteúdos e nas formas de comunicar Portugal no mundo, cada vez mais digital.

Curiosamente, o segmento que mais cresce — de acordo com dados da Associação da Hotelaria de Portugal –, são os hotéis quatro e cinco estrelas. É o reflexo de uma aposta no segmento mais alto do turismo, do posicionamento da oferta turística para o mercado de topo. Portugal na Rota do Luxo, com exemplos notáveis de norte a sul, na hotelaria e gastronomia, complementado com uma dinâmica inovadora na programação cultural, nos novos conceitos de lojas, no design dos produtos, nos ambientes contemporâneos…Portugal está na wish list do mundo.

Da mesma maneira que a Rota da Seda perdeu importância devido aos novos meios de transporte da época – com o desenvolvimento da rota marítima, para a qual Vasco da Gama deu um grande contributo – é importante manter a relevância de Portugal na Rota do Luxo.

E, para poder construir um destino atrativo de forma sustentável, é fundamental não só acompanhar como antecipar as tendências do turismo de qualidade. O que procura o cliente de luxo na sua viagem?

Há várias tendências no turismo de luxo, identificadas pelos operadores que trabalham este segmento. A Virtuoso é a maior rede mundial de agências de turismo de luxo, e Portugal foi escolhido pela 1ª vez como destino para ser representado no encontro anual em Las Vegas. O desafio é enorme, e precisamos de conhecer bem os desejos e vontades destes clientes.

Estamos na era da experiência. É mais importante fazer aquela viagem inesquecível – e poder partilhá-la nas redes sociais – do que comprar o último modelo da Rolex. Há uma necessidade cada vez maior de autenticidade, de ligação emocional com o destino. O turista quer sentir emoção na sua viagem, e quer sentir-se especial. Daí o sucesso dos hotéis boutique, dos alojamentos com toque familiar e pessoal, das experiências customizadas. “Small has never been bigger” é o lema da cadeia Small Luxury Hotels of the World, cada vez mais relevante. Num mundo globalizado e massificado, o cliente de topo valoriza e procura a praia deserta em pleno verão, o surf camp sem wifi, o jantar romântico no palácio reservado só para ele…

A Rota do Luxo é feita de experiências e de histórias, é feita a criar memórias. História e histórias não nos faltam, nem talento em storytelling. Temos tudo para nos afirmar nesta Rota do Luxo, ao preservar e valorizar aquilo que nos torna únicos, de forma sustentável.

  • Helena Amaral Neto

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