O nascer dos Chief Happiness Officers

  • Patrícia Araújo
  • 30 Dezembro 2019

A busca pelo bem-estar organizacional não é nova. Após a revolução industrial, altura em que se trabalhava 50/70 horas por semana, já nos preocupávamos com a qualidade de vida no trabalho (QVT).

Este mês deixei de ser cliente de uma empresa de suplementos nutricionais porque se recusa a dar informação sobre práticas internas de felicidade organizacional (ou bem-estar dos trabalhadores). É inconcebível para mim esta falta de transparência, pois isto é também a marca, a employer branding.

Este é o peso que acho que a felicidade organizacional (FO) vai ter no futuro: deixaremos de comprar produtos se não soubermos como o cliente interno é tratado.

A busca pelo bem-estar organizacional não é nova. Após a revolução industrial, altura em que se trabalhava 50/70 horas por semana, já nos preocupávamos com a qualidade de vida no trabalho (QVT). A expressão “felicidade organizacional” tem vindo a ganhar projeção (apesar de alguns investigadores não concordarem com a designação) e tem englobado a satisfação no trabalho, as emoções positivas, o florishing, o flow e outros.

As empresas têm sido cativadas pela FO, não só pela lógica de fazer os trabalhadores felizes mas também de aumentar a produtividade, atrair e reter talento e construir uma consistente marca empregadora.

A promoção da FO é um dos casos em que não é preciso igualdade! Ou seja, que não haja pacotes standard. Cada empresa deve fazer o seu diagnóstico organizacional, ajustando a intervenção, segmentando por departamentos, secções ou até pessoas.

Pensemos no básico: há departamentos inteiros em que pessoas passam 8h/dia em pé e outros, 8h/dia sentados. Em conjunto com uma mestranda minha, a Sara Martinho, designer e a cursar gestão de marketing interno, estamos a investigar os espaços de trabalho e seu impacto na FO (WorkSpace/OfficeSpace), que sempre foi algo que me preocupou como psicóloga do trabalho.

Outro exemplo: num processo de consultoria a uma PME, diagnostiquei que o mais relevante era chegar a consenso sobre a regulação do ar condicionado. Pode parece estranho mas isto era uma causa de infelicidade e os consultores independentes são uma mais-valia neste diagnóstico.

Cada país, cada empresa, cada trabalhador é um caso, e o diagnóstico personalizado é sempre a solução. Sendo uma área multidisciplinar, estou inclusivamente a conceber uma formação especializada universitária em gestão da felicidade organizacional, que iniciará em 2020 e que visa formar happiness managers e Chief Happiness Officers.

Por fim, uma última reflexão: em Portugal, em 2017 apenas 19% das empresas cumpriu as 35 horas de formação anual. A formação (autoconhecimento) permite às pessoas conhecerem a sua complexidade, lidar com o stress ocupacional e procurar soluções para a sua FO.

Que 2020 traga a todas as empresas portuguesas a força para evoluir e promover cada vez mais a felicidade organizacional.

*Patrícia Araújo é professora convidada no IPAM – Instituto Português de Administração e Marketing do Porto, e CEO da Método Positivo – Consultoria, Coaching, Psicologia Positiva & Mindfulness

  • Patrícia Araújo

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