Os títulos não fazem os líderes

  • Anabela Chastre
  • 14 Outubro 2020

A realidade é ambígua, complexa e para tal, é preciso deixar cair certos padrões que não servem mais e não nos levam a lado nenhum.

Perante um cenário de transformações que vivemos no momento atual, com mudanças ao nível do comportamento humano nas sociedades e nas organizações, o papel do líder é o que mais se destaca, numa procura de estabilidade que tanto se anseia.

Aqueles que consideravam a liderança como uma função apenas destinada a alguns, veem agora que ela está refletida em comportamentos e atitudes, e que qualquer pessoa a pode exercer. Nessa perspetiva, as atitudes que uma pessoa toma, pode levar os outros a considerarem-na um líder.

Rompemos o paradigma de que a liderança está ligada a um título e com ele veio uma nova liderança, sem género, sem idade, mais conectada, mais ligada a valores e ao exemplo.

Esta reflexão, leva-nos a uma pergunta: quais são as atitudes e os comportamentos que caracterizam o líder do futuro?

Ser um líder de si próprio

Sendo a liderança um processo de influência, o exemplo tem de partir do próprio. Se o líder defende a ideia de uma liderança mais próxima, ele tem de ser o exemplo na proximidade ao outro. Se defende a ideia de uma forma de trabalhar mais cooperativa, ele tem de promover mais a cooperação entre todos. Tem de ser coerente entre aquilo que diz e o que faz, caso contrário nunca será visto como um líder.

Ter maturidade emocional

A liderança no futuro estará cada vez mais ligada à capacidade do líder se colocar no lugar do outro, ouvi-lo, perceber as suas necessidades, perceber de que forma pode ajudar os outros. Se o líder ainda não tem maturidade emocional, se ainda se debate com as suas inseguranças quanto à possibilidade de alguém lhe tirar o lugar, então não tem capacidade para liderar ninguém. Os desafios no futuro serão cada vez maiores para todos. A realidade é ambígua, complexa e para tal, é preciso deixar cair certos padrões que não servem mais e não nos levam a lado nenhum.

Saber planear e organizar

Num mundo que tende cada vez mais a ser rápido em todos os aspetos, é preciso aprender a navegar em águas turbulentas e ainda assim, vencer os obstáculos e alcançar os objetivos. Para isso, não se pode ignorar a importância de saber gerir bem o tempo que se tem, para se conseguir fazer mais, com menos tempo, pois a nossa atenção está cada vez mais dividida entre executar tarefas e responder a notificações.

Saber tomar decisões

No futuro (que já começou), o líder deve ser capaz de tomar decisões rápidas e eficazes que o próprio ambiente lhe pede, isso leva-o à capacidade de saber agir em ambientes incertos, sabendo que por vezes pode tomar uma má decisão, fruto de lhe faltar toda a informação necessária, mas pior que uma má decisão, pode ser não tomar decisão nenhuma. Decisões são escolhas, que nos levam ao sucesso ou ao fracasso. É preciso tirar as aprendizagens que decorrem daí.

Saber comunicar

Muitos pensam que para comunicar bem, basta falar o mesmo idioma, mas está longe de ser apenas isso. Comunicação é a arte de ser entendido e, como tal, requer habilidades ao nível da escuta, da linguagem adequada e da construção da mensagem de forma assertiva. Um líder no futuro tem de ter a capacidade de saber chegar às pessoas através da forma como se comunica com elas. Isso requer, atenção, paciência, perspicácia e capacidade de adaptação. Saber lidar com a diversidade, respeitando as diferenças e conseguindo trazer ao de cima o melhor de cada pessoa.

Estamos a dar os primeiros passos numa mudança de paradigma e como tal, a visão ainda pode ser turbulenta, mas é preciso que nos antecipemos às inúmeras possibilidades que o futuro nos reserva. Um líder nunca saberá todas as respostas, mas essa é beleza da vida. Cabe a cada um dar o seu melhor naquilo que faz, sempre contemplando o bem-estar do outro.

É isso que faz um líder e não um título.

*Anabela Chastre é consultora e presidente da Cimeira Lusófona de Liderança

  • Anabela Chastre

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Os títulos não fazem os líderes

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião