Quando a cultura empresarial se transforma em ADN

  • Teresa Posser de Andrade
  • 1 Agosto 2019

Estudo Meaningful Brands diz-nos que a “intervenção social” é para os portugueses um dos valores mais importantes de uma marca. E todos – ou uma larga maioria - nos movimentamos nesta intervenção.

Foi em março de 2000, quando se realizava a Cimeira Europeia de Lisboa, que o tema da “Responsabilidade Social Empresarial” começou a ser mais do que um soundbite ou política de algumas (poucas) empresas visionárias em Portugal. Em 2001, é publicado o Livro Verde sobre a RSE, precisamente o ano em que entrei na universidade. Quando terminei o meu curso, em 2006, apenas 10% das N100 empresas portuguesas publicavam informações sobre política de RSE mas, em 2008, essa fatia já representava 61%.

Estes dois marcos foram pontos de partida para uma história incrível, com momentos altos – quando todos os meios de comunicação social contaram com uma secção ou rubrica dedicada ao tema – e, claro, com momentos baixos como uma crise económica instalada que assolou empresas e famílias, mas que ainda assim não os fez desistir desta senda. Em 2019 o mais recente estudo Meaningful Brands diz-nos que a “intervenção social” é para os portugueses um dos valores mais importantes de uma marca. E todos – ou uma larga maioria – nos movimentamos nesta intervenção.

Quando a tendência começou a emergir em Portugal, a CBRE procurou encetar, de forma pontual, algumas iniciativas ligadas à Responsabilidade Social determinadas pela sazonalidade ou efemérides. Mas desde há três anos que decidimos alterar tudo o que tinha sido feito até aquela data. Não queríamos criar um “programa” ou “política”, mas antes criar um impacto pleno na cidade que de, tal forma, se tornasse no ADN da empresa, dos colaboradores e até dos candidatos.

Como empresa a atuar na consultoria imobiliária, procurámos uma instituição que se harmonizasse com o nosso setor e com o que de melhor poderíamos oferecer, chegando à Just a Change, uma organização que tem a missão de lutar contra a pobreza habitacional. Desde essa data foi possível contribuir financeiramente para a reabilitação integral de 4 casas de famílias carenciadas, pintámos em conjunto um centro de acolhimento, oferecemos 30 cabazes de natal e apadrinhámos 65 raparigas ao abrigo da instituição, angariámos mais de 120 bens para bebés, negociámos o contrato de arrendamento do escritório do Just a Change em regime pro bono e convertemos todos os fundos dos torneios de Padel da CBRE em prol da instituição.

Em 2019 demos um novo fôlego a esta iniciativa. Desde o início do ano que os colaboradores da CBRE fazem turnos solidários, que reúnem 4 voluntários de 15 em 15 dias, para reabilitarem uma casa. Os nossos colaboradores são hoje dadores recorrentes do seu tempo (precioso) para pintar, rebocar paredes ou apenas montar móveis, uma tarde que contribui para um mundo melhor, na cidade onde vivem e trabalham.

Estimamos que até ao fim do ano iremos doar 328 horas apenas a recuperar casas de famílias carenciadas em Lisboa só neste ano. O que fica? Uma cultura transformada e transformadora, em que o respeito, a integridade, o serviço e a excelência transbordam os limites do trabalho, para nos acompanharem no nosso dia-a-dia e em cada escolha que fazemos. E de uma forma pura e honesta: vive aqui e está no nosso ADN.

*Teresa Posser de Andrade é diretora de Comunicação e Marketing da CBRE

  • Teresa Posser de Andrade

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