Trabalhar na Netflix, Microsoft, Facebook, LinkedIn ou Uber? Os diretores de RH explicam como conseguir

Para entrar na Netflix é preciso ser uma pessoa curiosa e com vontade de aprender. Já a Microsoft valoriza, sobretudo, candidatos apaixonados, mais até do que as suas habilidades.

Facebook, Microsoft, Uber, LinkedIn, Netflix ou Twitter. Todas elas são grandes empresas do ramo tecnológico e alvo de candidaturas espontâneas, além de muitas vezes terem processos de recrutamento e seleção abertos. Muitos consideram que trabalhar em qualquer uma destas tecnológicas seria conseguir o trabalho dos seus sonhos, mas nem todos conseguem entrar.

E, se existe alguém que sabe exatamente como conseguir este objetivo, são os diretores dos departamentos de recursos humanos destas empresas. O Business Insider (acesso livre, conteúdo em espanhol), foi falar com cada um deles responsáveis para descobrir do que é que eles, afinal, estão à procura.

Para entrar na Microsoft, por exemplo, é preciso ser uma pessoa curiosa e com vontade de aprender. Já no Twitter, um candidato que concorra a um trabalho com as mesmas funções que assume no emprego atual não deverá ser selecionado, ao contrário de quem não tem medo de sair da zona de conforto.

Facebook quer dar o melhor emprego do mundo

Na tecnológica liderada por Mark Zuckerberg, acredita-se no poder dos “pontos fortes”. Quer isto dizer que, uma pessoa que esteja a trabalhar em algo de que gosta e em que é realmente boa, “fará o melhor trabalho possível e, além disto, vai desfrutar em fazê-lo”, explica Lori Goler, diretora do departamento de recursos humanos do Facebook.

"Naquele dia em que pensas que tens o melhor emprego do mundo, o que é que estás a fazer?”

Lori Goler

Diretora de recursos humanos do Facebook

“Para assegurarmos que contratamos alguém que encaixe nestas características, opto por fazer um questionários que identificará esses pontos fortes”, conta, acrescentando que uma das perguntas será, por exemplo: “Naquele dia em que pensas que tens o melhor emprego do mundo, o que é que estás a fazer?”.

Além deste match entre funções e pontos fortes, o Facebook procura pessoas polivalentes, que sejam capazes de trabalhar em equipa e que tenham capacidade de tomar decisões.

Na Netflix só entram curiosos

“Se não és uma pessoa curiosa, será realmente complicado trabalhares aqui”, começa por dizer Jessica Neal, diretora de talento da Netflix. “Estamos constantemente a procurar aprender mais sobre a nossa profissão, sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo que nos rodeia. Se és assim, encaixas na perfeição”, continua.

Curiosidade, vontade de aprender e coragem são as principais soft skills que a Netflix procura em quem entrevista.Freepik

Mas há outros fatores que fazem a diferença na hora das entrevistas aos candidatos. “Uma vez, numa entrevista, um candidato explicou-me, respeitosamente, como podíamos melhorar um aspeto do nosso trabalho. Agradeci a sua valentia e coragem. No final, foi o melhor perfil e fizemos-lhe uma oferta”, conta Jessica Neal.

Microsoft prefere paixão a talento

A Microsoft quer colaboradores que sejam apaixonados pelo que fazem. “É mais importante ter paixão pelo trabalho do que habilidades ou talento”, diz Kathleen Hogan, responsável pelos recursos humanos da gigante tecnológica liderada por Satya Nadella. “A nossa cultura baseia-se na mentalidade de crescimento, por isso, apostamos em pessoas curiosas e com vontade de aprender e crescer”, continua a responsável.

Para aqueles que têm nos seus planos chegar a um cargo da direção, Kathleen Hogan diz que dá sempre o mesmo conselho: “Que o façam porque querem querem capacitar os outros. Este cargo ajudará a que os colaboradores melhorem a sua performance e consigam satisfação no trabalho”. Além disso, a responsável pela área de recursos humanos da tecnológica diz que um diretor deve ser um modelos para quem lidera e, por isso, deve refletir os valores e a cultura da empresa.

Twitter gosta de quem sai da sua zona de conforto

Ser contratado para trabalhar no Twitter é possível caso tenha uma “séria de qualidades essenciais”, entre elas ser capaz de esperar para falar na sua vez. A par disso, a empresa está à procura de pessoas que sejam curiosas — um adjetivo recorrente entre estas empresas –, proativas, capacidade de resiliência, mudança e flexibilidade. “O mundo está em constante mudança e apresenta novos desafios quase diariamente. É essencial antecipar as mudanças, pois é quando se faz a diferença”, refere Jennifer Christie, diretora dos recursos humanos do Twitter.

"Alguém que quer sair da sua zona de conforto e assume algum risco é muito mais atraente para mim.”

Jennifer Christie

Diretora dos recursos humanos do Twitter

Pelo contrário, o que afasta um candidato de uma contratação é “quando entrevisto uma pessoa que fez o mesmo trabalho antes”. “Mesmo que atenda a todos os requisitos, eu pergunto-lhes se estariam dispostos a enfrentar novos desafios. Alguém que quer sair da sua zona de conforto e assume algum risco é muito mais atraente para mim”, afirma. “Durante a minha carreira, encontrei pessoas que arriscam e têm um impacto maior, inclusivamente quando não têm experiência nas funções em questão”, remata.

LinkedIn procura capacidade de adaptação e reinvenção

“As pessoas com mais êxito da empresa são aquelas que sabem reinventar-se”, começa por dizer Christina Hall, vice-presidente sénior e responsável pelos recursos humanos do LinkedIn. “Estamos num mundo em mudança e em constante evolução. Esse é o motivo pelo qual acredito que a flexibilidade é a característica fundamental que os nossos candidatos devem ter“, explica.

A flexibilidade abrange, para a responsável, aprender coisas novas, bem como dar e receber feedback dos colegas. Dando um exemplo pessoal, Christina Hall disse ainda que, na sua carreira — que passou pelas relações públicas, advocacia e recursos humanos — a capacidade de adaptação foi sempre “indispensável”.

Para a responsável dos recursos humanos do LinkedIn, um bom candidato é aquele que demonstra vontade de aprender, sabe dar e receber feedback e lida bem com a mudança.

Para os novos managers, o conselho é escutar. “A tarefa de um diretor é conseguir que a sua equipa alcance o máximo potencial. Isso não se consegue sem saber o que motiva e preocupa os colaboradores”, sustenta a responsável pelos recursos humanos da rede social do trabalho.

Uber quer ouvir respostas novas nas entrevistas de trabalho

Quando a plataforma de transporte está em fase de recrutamento, a empresa quer conversar com um candidato autêntico. Ou seja, alguém que não dá respostas feitas nem que vem com ideias preestabelecidas. Segundo Nikki Kirshnamurthy, responsável pelo departamento de recursos humanos da Uber, a empresa procura pessoas criativas e que “encontrem soluções para resolver problemas difíceis”.

Já para quem ascende a um cargo da direção, Kirshnamurthy deixa um conselho: “Tenha as conversas difíceis. Resista à tentação de evitá-las”. Apesar de admitir que, muitas vezes, pode não ser uma tarefa fácil, a responsável diz este é um princípio importante para que todos os elementos da equipa se sintam bem e motivados e, além disso, para que os problemas não se agravem.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Trabalhar na Netflix, Microsoft, Facebook, LinkedIn ou Uber? Os diretores de RH explicam como conseguir

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião