Rajoy precisa de um publicitário

Esta é a era da indignação fácil, onde a mais singela dona de casa, refugiada atrás do seu Facebook, é capaz de se transformar rapidamente na Rosa Luxemburgo de Santa Iria da Azóia.

Não foi difícil para as marcas perceberem que as novas interações sociais dos consumidores com elas próprias, principalmente através das redes sociais, as obrigava a comunicarem de forma radicalmente diferente.

Se há 10 anos não gostássemos de um anúncio de televisão, por o considerarmos machista, sexista, racista, ou simplesmente mau, poderíamos comentá-lo com os nossos amigos ou colegas de trabalho e emitir a nossa opinião negativa. Em último caso, se fossemos um consumidor daqueles mesmo muito chatos, iríamos dar-nos ao trabalho de escrever um mail ou uma carta à empresa proprietária daquela marca. Em ambos os casos, o assunto morreria assim.

Hoje vivemos no mundo da comunicação imediatista, onde todos falamos a toda hora com toda a gente. Cada um de nós, munido de um simples smartphone, é capaz de denunciar uma qualquer injustiça que lhe aparece à frente.

Somos confrontados com algo que não gostamos e corremos a denunciá-lo. Rapidamente o nosso tweet, live no Facebook, foto ou vídeo fica viral e é automaticamente catapultado para os órgãos de comunicação sociais.

Esta é a era da indignação fácil, onde a mais singela dona de casa, refugiada atrás do seu Facebook, é capaz de se transformar rapidamente na Rosa Luxemburgo de Santa Iria da Azóia. Este é o mundo, onde uma fútil apresentadora de programas televisivos cor-de-rosa, por de trás do seu Twitter, é capaz de se sentir a Catarina Eufémia de Carnaxide.

O líder do Podemos denunciou esta manhã a violência policial.

Eu bem sei que os políticos, ou pelo menos a maioria, ainda vive na ilusão de que não é uma marca. Muitos não querem ser uma marca porque isso os assusta, outros porque ainda fingem ser virgens ofendidas (no que à comunicação diz respeito) e outros porque sabem que não existem marcas sem consumidores (o que mais abunda nos aparelhos partidários são tachistas sem eleitores).

Não sei se Rajoy acha ou não acha que é uma marca. Mas sei que o chefe de governo espanhol, não percebe patavina de como a comunicação política moderna funciona. A prova disso mesmo é a forma ridícula como tem lidado com toda esta questão do referendo.

Qualquer aluno mediano de um curso de publicidade seria capaz de explicar a Rajoy que ordenar cargas policiais, apreender boletins de voto, fazer presos políticos, colocar a polícia de choque na rua, mandar disparar balas de borracha e proibir referendos democráticos não é a melhor forma de lidar com uma crise como esta.

Hoje, dia 1 de outubro, a marca Mariano Rajoy acabou na Catalunha e muito provavelmente junto de grande parte do povo espanhol. Mesmo os catalães unionistas, mesmo os espanhóis que sempre votaram PP, hoje provavelmente mudaram de opinião. Nenhum consumidor, desculpem eleitor, consegue ficar indiferente às imagens que as redes sociais estão a difundir neste momento. Quem não acredita no que estou a dizer, que acompanhe por favor a excelente reportagem que o La Vanguardia está a fazer.

Rajoy fez mais pela independência da Catalunha do que todos os catalães juntos. Mas tudo isto seria evitável, toda esta história poderia ser diferente, caso Rajoy tivesse alguém ao seu lado que percebesse alguma coisa sobre como funcionam as dinâmicas modernas da comunicação.

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