Startups, preciso de ajuda com o Natal!

  • Paulo Bandeira
  • 18 Dezembro 2017

Há por aí mais alguém que ache o Natal a época mais stressante do ano?

A ideia que tenho é que, hoje em dia (e é assim há muitos anos), não se vive o Natal, sobrevive-se ao Natal. É um lufa-lufa extenuante em que se negoceia muitas vezes com quem se passa a consoada e depois o dia de Natal, em que na semana antes do Natal corremos a comprar presentes sem termos tempo de pensar se aquilo é o mais adequado àquela pessoa, se bate com os gostos dela. E depois… passa tudo a correr e siga para o Ano Novo.

Acabamos muitas vezes a comprar por comprar, a tia a quem demos o presente acaba a agradecer por agradecer e alguns de nós acabamos a “reciclar” (vocês sabem o quero dizer e farão o favor de não dizer nada à tia) ou a trocar aquilo que não era bem o que queríamos.

É muitas vezes uma canseira com pouco sentido.

O que me fazia falta mesmo era uma app que, em setembro (nos saldos) de cada ano, me alertasse de que estaria na altura de comprar os presentes de Natal e que, com base num lista predefinida por mim, sugerisse presentes para cada uma das pessoas tendo por base os seus gostos pessoais e o que eu já havia oferecido nos anos anteriores. Estas sugestões teriam acesso direto a comparativo de preços para o mesmo produto de entre várias lojas online e compraria tudo diretamente na app. Melhor, entregar-me-iam os produtos comprados na data que eu determinasse (algures na semana do Natal).

Isto seria bestial mas, só é possível porque as redes sociais sabem hoje quase mais de cada um de nós, do que nós mesmos. Conhecem-nos profundamente porque nós lhes contamos praticamente tudo o que fazemos e hoje em dia os algoritmos de inteligência artificial fazem o resto.

É hoje perfeitamente possível ao Facebook ou a qualquer serviço online a quem dêmos acesso à nossa página de Facebook determinar quais serão os melhores presentes para nós. E se esta funcionalidade operar em rede, será perfeitamente possível que uma app com esta funcionalidade possa rapidamente gerir as prendas que cada um de nós vai receber de várias pessoas num determinado Natal (basta que essas várias pessoas estejam registadas na app e nos incluam na lista de presenteáveis). A app garantirá que não haverá recomendações de presentes repetidas, diminuindo em muito o volume de trocas pós-natalícias.

Sem prejuízo, é importante que tenhamos consciência que a quantidade de informação que nós voluntariamente entregamos a diversos serviços na internet é assustadora e deve fazer-nos pensar.

Falaram-me há uns meses de uma app que é o Sync.me. O Sync.me é um serviço que recorre ao crowd sourcing para criar uma colossal lista telefónica, permitindo apresentar o nome e outra informação de quem vos telefona mesmo que não tenham esse número na vossa lista de contactos. Isso é conseguido porque cada um de nós partilha voluntariamente os contactos da sua lista telefónica (o que, aliás, nos permite saber que nomes as outras pessoas nos dão nas suas listas telefónicas) e se permitir a sincronização do serviço com o Facebook toda a informação sobre nós aí constante será partilhada também.

Como sempre, estas apps são criadas com “motivações benévolas”, neste caso, garantir que sabemos o número de telefone de quem nos liga de um número confidencial. É útil, não é? Pois é. O problema é que à custa da utilidade do serviço e da nossa falta de senso partilhamos informação que deveria ser de alguma reserva e acabamos também a partilhar informação que não é só nossa, mas de terceiros.

Pensem cuidadosamente na informação que estão a aceitar partilhar antes de carregarem no botão de “sim” ou de “aceito” em qualquer app que descarreguem.

Seja como for, já que já entregámos a nossa vida toda a redes sociais e a apps como o Facebook e o Sync.me, preciso mesmo de uma Startup que se proponha a facilitar a minha vida no Natal. Eu estou até disponível a servir de Business Angel e fazer um investimento seed para desenvolver a ideia.

Feliz Natal a todos!

  • Paulo Bandeira

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