Unicórnios vs. Coelhos

  • Paulo Bandeira
  • 12 Junho 2018

O verdadeiro desafio é transformar unicórnios em dragões, ou seja, em empresas que conseguem devolver aos acionistas o investimento que receberam.

O título parece um daqueles filmes de quinta categoria que exploram a ficção científica ou o imaginário fantástico e que se caracterizam por ser más sequelas de filmes bem-sucedidos, um pouco como o “Alien vs. Predador”. Nada disso.

Vem este título a propósito do mais recente unicórnio português, a OutSystems. Na passada semana, anunciou uma ronda de investimento de 360 milhões de euros, a qual foi suportada numa avaliação que a colocou com um valor presumido ou potencial de mais de mil milhões de euros. É obra e ficamos todos, naturalmente, muito satisfeitos com o feito alcançado pela OutSystems.

Em certa medida, o sucesso dos ecossistemas (que, em Portugal, ainda se está a criar, como tive a oportunidade de escrever aqui a semana passada) vê-se muito pelo número de unicórnios que consegue alcançar. Porquê? Basicamente porque as elevadas valorizações representam aquilo que os capitais de risco ativos no mercado estão dispostos a pagar para ter parte de um sucesso futuro. E porque, sobretudo, o alcançar de um estatuto de unicórnio importa seduzir capitais de risco estrangeiros muito sofisticados, muito conhecedores, muito ativos no mercado internacional já que, em Portugal, essa capacidade não existe.

Construir um unicórnio significa trazer os holofotes para uma determinada realidade e ter os olhos postos no ecossistema empreendedor português por causa da OutSystems é ótimo e traz consigo o escrutínio de muitos outros olhos sobre muitas outras startups portuguesas. Os unicórnios são selos de qualidade de um ecossistema.

Mas ser-se um unicórnio significa que se seja uma super-empresa, super-rentável? Não necessariamente! Muitas vezes significa exatamente o contrário. Significa que se é uma startup com uma tecnologia extraordinária, mas cuja estratégia de massificação gera uma burn-rate igualmente extraordinária, o que implica uma também extraordinária capacidade dos fundadores e equipa gestora de terem de procurar investimento de nível extraordinário.

Significa isto que muitos investidores investem milhões de euros ou dólares em empresas que durante anos dão prejuízos extraordinários? Significa exatamente isso. Muitas startups sacrificam rentabilidade por crescimento acelerado.

O verdadeiro desafio é transformar unicórnios em dragões, ou seja, em empresas que conseguem devolver aos acionistas o investimento que receberam. Em todo o caso, a solidez e a saúde de um ecossistema mede-se pela sua biodiversidade.

É importante ter unicórnios, mas é igualmente importante ter coelhos.

Os coelhos são aqui o acrónimo inglês Rabbit que, no jargão startupês, significa “Real Actual Business Building Interesting Technology”. Ou seja, empresas que desenvolvem produtos reais, com clientes reais e que privilegiam o crescimento da empresa alavancado mais nas respetivas vendas e faturação e menos no investimento de terceiros.

Porque gastam menos que as outras e o fazem de forma mais criteriosa e, bem assim, porque alavancam nas vendas e não em investimento de risco, o crescimento destas empresas é menos acelerado, mas muito mais estável e sustentado, podendo ser a prazo apostas mais seguras e consistentes.

É importante ter unicórnios? É fundamental porque funcionam como âncoras e fatores de atração de atenção e investimento, mas um ecossistema equilibrado constrói-se de muitos coelhos. O desafio é esse: criar um ecossistema que permita o crescimento exponencial de coelhos porque, a prazo, são eles a garantia da perenidade do próprio ecossistema.

P.S.: O Startup Lab quer transformar ideias e projetos em coelhos, inscrevam-se aqui.

  • Paulo Bandeira

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