Como o coronavírus está a criar novas rotinas no mercado de Alvalade

A pandemia já fechou muitos espaços comerciais nos últimos dias. Os supermercados e mercados municipais continuam abertos mas adaptados à nova realidade. O ECO visitou o mercado de Alvalade.

11 horas, mercado de Alvalade, em Lisboa. Aqui, como em todo lado, pessoas e infraestruturas adaptam-se à nova realidade criada pela pandemia que varre o mundo por estes dias.

A entrada no mercado faz-se por uma única porta, pois todas as outras estão fechadas. Num aviso afixado lê-se: “Entrada limitada. Aguarde indicação para entrar”. Apesar disso, o fluxo de pessoas a esta hora da manhã não chega para formar fila.

Ao circular pelo mercado é impossível não reparar nas máscaras e luvas usadas por clientes e comerciantes, assim como em algumas barreiras de proteção improvisadas junto das bancas, para evitar o contacto demasiado próximo. Nas bancas de frutas e legumes, por exemplo, vários avisos alertam para a proibição de tocar nos produtos expostos. Somente os vendedores os escolhem.

“Ninguém sabe ao certo o que isto vai dar. Se isto estava mal, agora vai ser pior”, desabafa uma vendedora de frutas e legumes, enquanto ajeita umas laranjas na sua bancada. E agora que o Presidente da República decretou o estado de emergência? “Não sei. Se calhar vamos ter de fechar, mas não sabemos de nada. Ainda ninguém nos disse nada”, desabafa ao ECO, encolhendo os ombros.

Numa bancada mais ao lado, com peixe fresco e congelado, outra comerciante indica que, agora, mais pessoas estão a recorrer a estes mercados locais, que são mais pequenos e nos quais há menos gente. Por outras palavras, menos filas do que nos hipermercados.

“Vê-se muita cara nova por aqui. Pessoas que não são clientes habituais, mas que com esta crise agora vêm cá”, nota esta vendedora. Noutra bancada, o vendedor prepara algum peixe para dois clientes que se protegem com luvas e máscaras. São clientes habituais do mercado. O negócio vai bem? A resposta é afirmativa: “As pessoas têm de comer, portanto continuamos a vender”, remata.

Uns passos mais à frente, uma cliente deixa um saco perto da bancada dos vegetais, em cima de caixas de plástico vazias, ladeadas por duas baias de proteção. É ali que a proprietária da banca vai colocar as compras dessa cliente. O propósito é criar alguma distância: dali para a frente ninguém passa.

Por esta altura o relógio aproxima-se das 13 horas, o fecho do mercado, duas horas mais cedo que o habitual. São estas as novas rotinas do mercado de Alvalade e de tantos outros espalhados pelo país.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Como o coronavírus está a criar novas rotinas no mercado de Alvalade

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião