De MX-5 nas mãos para molhar os pés nas Ilhas Cíes

Não um, nem dois ou três, mas 30 MX-5 rumo a Vigo. Uma viagem de aficionados do pequeno roadster que durante três dias partiu à descoberta de verdadeiros tesouros ao largo de Vigo.

Um, dois, três… Quase que se perdia a conta, mas no final, todos perfilados para se fazerem à estrada, lá estavam dezenas de pequenos roadsters nipónicos. Mais antigos (nunca velhos), mais recentes ou mesmo ainda a deitar aquele cheirinho a novo, 30 MX-5 invadiram a marginal de Esposende, o ponto de encontro dos aficionados do mítico modelo da Mazda, prontos para partirem em mais uma das muitas aventuras do Clube.

Não há como não saber onde estava o centro de comandos da organização do passeio. Depois de quilómetros de autoestrada, desde Lisboa, depois de passar no Porto, seguindo pela via rápida com o mar ao fundo, resta descobrir o caminho para a praia. Chegados à longa reta ladeada pelo dourado da praia, mesmo com o sol a encadear, o frenesim de NA, NB, NC e uns quantos ND, marca o lugar.

Uns quantos de um lado, outros tantos a reluzirem do outro e uma explosão de cores mais à frente. Brancos, pretos, vermelhos verdes e azuis, todos com capota em baixo para deixar os cabelos esvoaçarem com os ventos rumo a Espanha. Nós encaixamos no grupo, apesar de entre mãos estar a versão mais tapada do MX-5, o RF. É o mais potente de todos, o 2.0 de 184 cv, o suficiente para quebrar o gelo entre os amantes do roadster. Desperta sempre a curiosidade.

Não é o único RF, mas além de mais potente, é o mais equipado. Desde backets da Recaro à suspensão desportiva, até aos escapes que deixam todos os cavalos suspirar. Tudo isto num Soul Red com capota pintada de preto. “Isto é vidro?”, pergunta o “vizinho” do lado antes da partida. Não é… “Deviam fazer com vidro. Assim é que ficava mesmo um targa“. Pois deviam. Fica a dica, Mazda.

Pouco depois da chegada, nova partida. Mas agora, em “família”. 30 pequenos roadsters alinhadinhos, com lotação esgotada em cada um deles, e muita vontade de carregar no pedal direito. Mais antigos ou novinhos, todos dão o mesmo gozo ao rodar da chave ou ao carregar no Start. “Vrummm…”. E estão abertas as hostilidades. Faltam uns quantos quilómetros para o destino, mas impera a boa disposição. E o trânsito também.

À caça das rotundas

Se há coisa que os donos dos MX-5 gostam é de conduzirem os seus dois lugares com vista para o céu. Navegar pela estrada com o sol a bater, mas também com a brisa a arrefecer — bom, mas propicio a escaldões aos mais incautos. Mas há uma coisa que adoram ainda mais: aqueles sinais azuis com três setas a fazerem um círculo. É como quando uma criança vê um parque de diversões.

Todos em fila, nem sempre juntinhos porque há sempre quem se intrometa na “coluna” de MX-5, todos em velocidade cruzeiro, sem excessos. Mas quando aparecem as rotundas… Tudo muda. Todos se afastam uns dos outros, todos apanham aquele balanço extra e, com o controlo de estabilidade desligado — nos que têm, como o RF –, e lá vai a traseira de um para um lado e a dianteira para o outro. E depois vai mais um. E depois vai outro. Tudo feito com cuidado, claro.

É nestes momentos que o MX-5 faz sorrir quem tem o volante entre mãos — nem todos os passageiros se divertem tanto com a deslocação lateral… Com o 1.5, de 131 cv, a brincadeira é relativamente fácil. E não há grandes surpresas, mas com este 2.0, há muita alma debaixo do longo capot. Requer alguma habituação, mas depois é pura diversão.

Rotunda atrás de rotunda, lá vai todo um Club de entusiastas rumo a Espanha. E foram quase tantas quantos os MX-5 da comitiva, até que as placas de sinalização mudam da língua de Camões para o galego dos nossos vizinhos espanhóis de Vigo. A meta está próxima, para gáudio com a chegada e a tristeza por ter de dar descanso aos cavalos. Um a um todos arranjam lugar no parque para depois estacionarem as malas no hotel. E, de seguida, saborearem os petiscos de uma cidade à beira mar. São bons, mas cá deste lado há mais sabor.

Da brisa da estrada para a do oceano

Depois do merecido descanso, passados centenas de quilómetros na estrada — há quem tenha vindo de Lagos, no Algarve –, damos um hola a um novo dia, o segundo de três de mais este passeio do Club MX-5. Então e os carros? Ficam guardados. Trocamos os dois lugares por um catamarã que dá para levar a entourage toda. O destino? As Ilhas Cíes, um refúgio protegido das massas de uma beleza deslumbrante.

Depois de uma boa meia hora de baloiço, chegamos à ilha que em tempo foi o centro de operações do famoso pirata Francis Drake, mas que prefere ser conhecida como a “Ilha dos Deuses”. E percebe-se bem o porquê. Formações rochosas intercaladas por densa floresta que depois de desbravada abre portas a magníficas praias. A mais especial é a Playa de Rodas.

Um paraíso de areia dourada que conquistou o nome pela forma. Uma semi-roda perfeita banhada por águas translúcidas, bafejada por uma leve brisa. Não fossem as nuvens da manhã, a época balnear tinha começado ali para muitos dos participantes. Não começou ali, começou na ilha de Ons, ali ao lado. Com o sol já lá no alto, e depois de uma almoçarada, muitos foram os que não resistiram ao mergulho. Outros ficaram a dourar na toalha enquanto os mais curiosos caminhavam até ao farol.

Do barco, já no regresso, despedimo-nos destas duas ilhas de volta a Vigo com todo um pôr-do-sol para apreciar antes do jantar de convívio na varanda de um porto que durante décadas viu partir tantos galegos rumo à terra das oportunidades, do outro lado do Atlântico. Um cenário perfeito para partilhar experiências com os orgulhosos donos dos MX-5, mas também para recordar passeios que ficam para a história de 19 anos deste Club. Já houve tantos. São sempre diferentes, mas especiais, tanto que nunca ninguém os quer perder. “O próximo, conta comigo!”, é a frase que mais se ouve antes da partida de volta a Portugal.

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