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  • Lusa

Terços, santinhos e medalhas são os preferidos em Fátima

O comércio em Fátima procura agradar os milhares de peregrinos. Conheça a diversidade dos artigos disponíveis na cidade que se prepara para receber o Papa.

Para muitos dos que vão chegando a Fátima para uma celebração que este ano alia o Centenário das Aparições, a visita do papa e a canonização dos “pastorinhos”, escolher uma lembrança entre milhares de objetos religiosos é tarefa difícil. Existem muitas novidades, desde os objetos com a imagem do Papa até ao “bolo do peregrino”, mas as medalhinhas, santinhos e terços são os que mais peregrinam mos devotos.

Tem aqui um livrinho com dedicatórias, esta imagem da senhora de Fátima pintada à mão ou um terço com umas pedrinhas melhores”, recomenda Simone Rosário, quando questionada, à porta da sua pequena loja, na praceta Santo António, sobre o que mostraria a um indeciso que quisesse comprar uma lembrança para alguém querido.

As novidades deste ano, além do terço do centenário – o oficial (que se vende a 12 euros, com um euro a reverter para uma instituição de solidariedade social) e os não oficiais (em versão mais económica) -, são os objetos com a imagem do papa Francisco, desde velas, ímanes, porta-chaves, “lenços do adeus”, panos de cozinha, com mais saída à medida que se aproxima a data da visita (na sexta-feira e no sábado).

Esse é um artigo do momento”, desvaloriza o responsável do complexo situado numa das entradas de Fátima – que alia um autêntico supermercado de artigos religiosos a uma fábrica e a um restaurante -, onde é difícil encontrar um objeto com a imagem de Francisco e se multiplicam “as medalhinhas, os santinhos, as imagens, os terços”, aquilo que mais se vende.

Nas lojas de artigos religiosos – concentradas junto ao santuário (só as pracetas de Santo António e S. José albergam um total de 88 pequenas lojinhas) ou em centros comerciais – a multiplicidade de objetos religiosos mistura-se com toalhas de mesa e de praia (com a imagem de Ronaldo, do Benfica ou o mapa de Portugal) e, este ano, com artigos em cortiça (malas, carteiras, sapatos).

“Este ano há muita procura pela cortiça”, disse Simone Rosário à Lusa, adiantando que os não crentes, sobretudo estrangeiros, optam por lembranças alusivas a Portugal.

Os terços, as medalhas, os santinhos, os frasquinhos de vidro e os garrafões de plástico brancos (de 30 mililitros aos 5 litros) cheios com água recolhida da fonte do Santuário, disputam os escaparates colocados à entrada das lojas de venda de artigos religiosos, em cujas montras surge este ano uma outra novidade, o “bolo do peregrino” (uma “deliciosa tarte de amêndoa”, como anuncia a embalagem de cartão).

“Muitos perguntam se já estão benzidos”, mas todos os artigos à venda “vêm dos armazéns”, onde é também “embalada” a água, pelo que Simone acaba por explicar aos que não ficam para missa diária que termina com a bênção dos objetos religiosos, que “qualquer padre em qualquer sítio” o pode fazer.

“O que conta é a fé”, disse à Lusa, acrescentando que “quem vem a Fátima sente um ambiente calmo, tranquilo, de paz”, pelo que levar daqui um objeto “tem um significado”. Ela própria tem em sua casa um terço, uma “dezena” (correspondente a um mistério do terço) e uma imagem “mais estilizada”, objetos que dão às pessoas “alguma coisa a que se agarrar” em momentos difíceis.

Os mais vendidos continuam a ser os terços e as imagens. As velas já foram mais, embora continue a ter clientes que preferem vir à loja comprar as velas de cera virgem, uma vez que as que são vendidas no santuário são feita com cera reciclada, explica, apontando também os objetos em cera, geralmente ofertados no âmbito de promessas.

À fileira de lojas junto ao recinto religioso veio juntar-se, no início deste mês, no antigo posto dos correios, uma loja dos “artigos oficiais do Santuário”, um espaço onde durante seis meses estão à venda os produtos do “merchandising”, com assinatura do designer Gonçalo Freitas, lançado em 2013, e que incluem desde o “lenço do adeus”, a banquinhos em cartão, t-shirts, sacos, livros, canetas, lápis, puzzles, pins, o terço oficial do santuário.

Simone Rosário, natural de Fátima, faz questão de sublinhar que, “ao contrário do que se diz” e do que possa acontecer noutros setores, como a hotelaria ou a restauração, os preços dos artigos religiosos não são inflacionados em momentos de grande afluência. “Já viajei pela Europa e em nenhum sítio encontro lembranças a um euro ou mesmo a 50 cêntimos como temos aqui em Fátima”, disse.

Francisco, o quarto papa a visitar Fátima, vai presidir ao Centenário das Aparições na Cova da Iria e tem encontros previstos com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa.

  • Lusa

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