Web Summit foi primeiro a perceber que “Portugal está na moda”, diz Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu, esta quinta-feira, as 150 startups que integram o programa Road2WebSummit. Pitches, agradecimentos e esperanças encheram o encontro.

O ditado fica provado: pode-se tirar o homem da sala de aula, mas não a sala de aula do homem. Longe dos auditórios universitários, Marcelo mantém-se o mesmo professor de sempre e não resiste aos testes, ainda que perante uma plateia bem diferente daquelas que costuma enfrentar.

“Agora uma prova. Todos os que acreditam que a sua startup vai dar certo levantem as mãos”, diz o Chefe de Estado. Aconchegados na exígua sala do antigo Museu dos Coches, os mais de 100 empreendedores que representam a centena e meia de empresas selecionadas para ir à maior feira de tecnologia do mundo pela metade do preço levantam, de imediato, os braços. “Todos os que acreditam que a Web Summit é importante levantem a mão”, insiste o professor. De novo, os braços erguem-se sem hesitação. A animação na sala é evidente.

A poucos dias da conferência criada por Paddy Cosgrave — o Web Summit acontece de 6 a 9 de novembro, na FIL e no Altice Arena, em Lisboa — o Presidente da República recebe as startups que integram o programa Road2WebSummit. “Vocês ainda pertencem à onda de um ADN de uma revolução tecnológica e começaram algo que está a mudar o mundo”, sublinha Marcelo Rebelo de Sousa. Depois, desafia os presentes a apresentarem em 90 segundos as razões pelas quais “são geniais”.

Temos de fazer tudo para ver se seguramos a Web Summit em Portugal.

Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente da República

Os primeiros braços (tímidos) trazem testemunhos sobre o modo como inteligência artificial está a mudar o mundo e sobre a forma como é possível produzir vegetais e peixes sem desperdiçar água. Já mais confiantes, as vozes vão-se multiplicando, trazendo ecos do Fundão ao Brasil, passando por Amesterdão e pela Índia. “A Web Summit para nós é natural, é o caminho para o mundo“, realça Ricardo Carvalho, em representação da UNeed.Services. Sem exceção, os empreendedores vão-se levantando e agradecendo a Paddy — sentado ao lado do Presidente — por ter trazido a cimeira para a capital portuguesa.

“Queria aproveitar para dizer como é diferente este ano. O ano passado, eram 60 e só se levantaram 20. Este ano, são 150 e falaram aí umas 90. Muitas senhoras”, comenta o Chefe de Estado, depois de ter ouvido todos aqueles que lhe desejaram fazer pitch dos seus negócios. “Portanto, quer dizer que isto é uma bola de neve que está a subir. Para o ano penso que vai ser de uma dimensão brutal. Temos de fazer tudo para ver se seguramos a Web Summit em Portugal”, deixa claro.

Ao lado do Presidente da República está, além de Paddy Cosgrave, o ministro da Economia. Inspiração. É isso que Caldeira Cabral espera, por sua vez, que estes empreendedores consigam da conferência. “Vocês representam a geração mais qualificada e empreendedora”, começa Manuel Caldeira Cabral, referindo que pelo Web Summit andarão possíveis “novos parceiros, clientes, financiadores e ideias”.

O governante exprime a esperança de que, dentro de alguns anos, as startups ali reunidas voltem como grandes empresas. Já Marcelo enfatiza que “Portugal está na moda por boas razões e [que] o Web Summit foi o primeiro a percebê-lo”. Paddy Cosgrave responde-lhe: o aumento dos participantes é reflexo do “momento incrível” que se vive em Portugal. E acrescenta, brincando sobre o espaço histórico em que estão reunidos: “Vou definitivamente optar pelo Airbnb, é um edifício lindo”.

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