Crescimento do PIB mundial acima de 3% em 2016

Um valor inferior a 3%, tal como tinha previsto a OCDE em setembro, é considerado recessão pela maioria dos economistas. FMI revê em baixa crescimento, mas mantém perspectiva mais positiva para 2017.

O crescimento económico mundial vai ser de 3,1% este ano. A estimativa foi divulgada esta terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no World Economic Outlook de outono. O relatório reviu em baixa (-0,1%) o crescimento do PIB mundial em comparação com o relatório de abril.

Apesar de dar uma perspetiva mais negativa sobre a evolução da economia mundial, o FMI mantém a taxa acima da barreira dos 3%. Um valor inferior já é considerado pela maior parte dos economistas como recessão, tendo em conta a conjuntura internacional atual. A visão do Fundo é, por isso, mais positiva do que a da OCDE que, em setembro, tinha cortado a previsão de crescimento do PIB mundial para 2,9%.

A previsão para 2017 é superior, mas também foi revisto em baixa para 3,4%. Estas duas revisões demonstram as preocupações da entidade em relação ao referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Apesar disso, o FMI reconhece que o choque pós-Brexit foi controlado, mas avisa que “o impacto final continua a ser pouco claro” por causa da incerteza das negociações com a União Europeia.

Ao problema britânico soma-se o “crescimento mais brando dos Estados Unidos”, refere o documento. Ambos os fatores estão a influenciar a política monetária que, agora, se espera que se mantenha igual. Ou seja, a estratégia de taxas de juro baixas como as praticadas pelo BCE, Fed e Banco do Japão.

“O sentimento do mercado financeiro melhorou nas economias emergentes com as expectativas das taxas de juro nas economias avançadas”, escreve o FMI. Além disso, a China parece ser um problema menor por causa das políticas de crescimento do Governo chinês.

Contudo, mesmo nas economias emergentes, os cenários diferem consoante a região: a Índia demonstra um “crescimento robusto”, acompanhada pela Ásia. A preocupação está na África Subsariana que “está a sentir uma forte desaceleração”.

Já nas economias avançadas, o problema é a “incerteza” e os “riscos do descontentamento político com as plataformas políticas anti-imigração a ganharem espaços”. A recomendação é para todos: “É mais urgente do que nunca que seja aplicada uma política para aumentar o crescimento e combater as vulnerabilidades” do sistema.

O World Economic Outlook é um documento fundamental de previsões económicas e recomendações políticas do FMI. No mês passado, o Fundo divulgou um relatório apenas sobre Portugal onde criticava a falta de reformas estruturais.

Editado por Mónica Silvares

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