Sair da UE pode levar imigrantes a sair de Londres

  • Ana Luísa Alves
  • 10 Outubro 2016

Políticas de restrição à imigração não agradam a quem não nasceu no Reino Unido.

As negociações para a saída do Reino Unido da UE podem levar a que alguns imigrantes tenham de sair de Londres. Em causa estão as políticas anti-imigração que a primeira-ministra quer implementar.

Villar tem 31 anos e é uma consultora mexicana entre tantos outros imigrantes a trabalhar na City que ainda estão ressentidos com a proposta do governo de cada empresa revelar quantos trabalhadores não britânicos emprega, como forma de as pressionar a dar prioridade aos trabalhadores nacionais.

“Se as coisas ficarem piores com a aprovação no parlamento de algumas medidas anti-imigração, eu vou considerar um emprego nos EUA ou noutro lado qualquer”, disse, em entrevista à Bloomvberg, Villar, que vive em Londres há dois anos e meio. O plano de Theres May é “como se nos dessem um tiro no pé, porque muitas das pessoas que vêm para cá trabalhar são trabalhadores qualificados”, acrescenta.

A secretária do Interior, Amber Rudd, esta semana propôs que fossem punidos bancos e CEOs de empresas que se recusaram a informar com quantos estrangeiros estavam a trabalhar. Esta é uma medida que faz parte da estratégia do governo para controlar a imigração, que se tornou alvo da preocupação britânica quando, em junho, se votou para deixar a União Europeia.

Deja vú da II Guerra Mundial?

A sondagem da YouGov, esta quarta-feira, que contou com 5.875 entrevistados, concluiu que 59% dos inquiridos apoia estas políticas, o que revela que quer a primeira-ministra quer a secretária de estado estão em sintonia com os inquiridos.

“Estou horrorizada com isto”, disse Paula Levitan, advogada americana do Bryan Cave, que vive em Londres há 16 anos e pediu um passaporte britânico. “Será que também vamos ter de usar uma estrela no nosso braço?”, acrescenta Paula, relembrando os tempos da segunda guerra mundial, em que os judeus foram obrigados pelos Nazis a usar uma estrela amarela no braço.

Por outro lado, Youssef Laouiti, um banqueiro de 26 anos nascido já no Reino Unido mas criado por pais franceses, não teme aquilo que possa acontecer. “Isto é um extremo, mas sei que vai haver quem o confronte, por isso não estou assustado”, refere à Bloomberg.

A semelhança entre o que está a acontecer com os imigrantes no Reino Unido com o que já aconteceu durante a II Guerra Mundial já se tornou viral nos meios de comunicação, depois de o apresentador de rádio James O’Brien ter passado um excerto da autobiografia de Hitler e que ecoou na proposta apresentada pelo governo britânico.

“Se vai passar a haver uma distinção entre pessoas que nasceram no Reino Unido e aqueles que apenas vieram para cá trabalhar, vocês estão a executar dois capítulos de ‘Mein Kampf'”, disse O’Brien.

Do Brexit a Donald Trump, as políticas das democracias ocidentais estão a ameaçar reprimir a imigração. As dificuldades económicas que se têm feito sentir levam os cidadãos a acreditar que as politicas de fronteiras abertas ou comércio livre de tarifas diminuiria a desigualdade e traria um maior bem-estar.

Ainda assim, depois da agitação que se gerou, Amber Rudd voltou atrás com alguns dos seus comentários, alegando que aquilo que pediu ás empresas é apenas uma propostas e faz parte da revisão da regulação da emigração do Reino Unido, e acrescentou que esta medida era inspirada nos EUA.

Segundo a Bloomberg, Theresa May interpretou o resultado da votação de junho (52% a favor da saída da UE, 48% contra) como uma mensagem contra a imigração, o que leva May a implementar medidas rigorosas para a reduzir. O objetivo é reduzir a imigração para 100.000 pessoas, dos 300.000 que atualmente entram.

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