Ebury: “Brexit foi mau para o negócio? Nem por isso”

Especializada em pagamentos internacionais, a Ebury está em Portugal desde 2015. Faz mais negócio quando cresce a volatilidade na moeda, como aconteceu quando os britânicos votaram a favor do Brexit.

No dia em que os britânicos votaram a favor da saída da União Europeia, a equipa portuguesa da Ebury, uma fintech inglesa especializada em pagamentos e transferências internacionais, não teve mãos a medir. Esteve durante toda a madrugada a acompanhar o apuramento de resultados do referendo e com telemóvel na mão a informar os cerca de 150 clientes que, no espaço de um ano, angariaram em Portugal. Se o Brexit foi mau para o negócio? “Não, de qualquer forma. Quando comunicávamos aos nossos clientes que o Brexit tinha vencido de forma surpreendente e a libra caía 7% ou 8%, pediam logo para fechar operações de pagamentos. O Brexit trouxe-nos mais negócio”, conta Duarte Líbano Monteiro, diretor-geral da Ebury para o mercado português e espanhol.

Fundada em 2009, no Reino Unido, a Ebury é uma empresa especializada em pagamentos internacionais dirigida sobretudo às Pequenas e Médias Empresas (PME) com forte pendor exportador e importador, considerada pela Business Insider como umas das fintech startups mais entusiasmantes no Reino Unido.

Em Portugal, a presença da Ebury começa abril de 2015 e, desde então, já se tornou parceira de cerca de 150 empresas nacionais, sobretudo no Norte de Portugal. Em termos de volume de negócio, a Ebury faturou mais de 100 milhões de euros e mantém o objetivo de multiplicar por cinco esta faturação no próximo ano. São sobretudo empresas do setor têxtil, agências de viagens, de produção de componentes de automóvel e de IT que recorrem aos seus serviços financeiros.

Brexit foi mau para o negócio? Não, de qualquer forma. Quando comunicávamos aos nossos clientes que o Brexit tinha vencido de forma surpreendente e a libra caía 7% ou 8%, pediam logo para fechar operações de pagamentos. O Brexit trouxe-nos mais negócio.

Duarte Líbano Monteiro

Diretor geral Iberia da Ebury

O que esta fintech faz é simples: se uma PME nacional pretende comprar uma matéria-prima na China e necessita de efetuar um pagamento na moeda chinesa, solicita a Ebury para fazer esta operação de pagamento; a Ebury recebe da PME o dinheiro em euros e realiza o pagamento no destino em yuans. Com uma exportação, o processo é ao contrário: recebendo o pagamento pela exportação na moeda de origem, a Ebury paga depois ao cliente nacional em euros.

O que torna o negócio da Ebury e outras fintech do setor mais atrativo para as PME é o facto de a banca institucional apenas disponibilizar este tipo de serviços para grandes empresas, segundo Líbano Monteiro. E com uma estrutura de custos bastante mais reduzida, devido ao forte enfoque na tecnologia, os custos para os clientes de pequena e média dimensão são também menos pesados. Além disso, a Ebury oferece um leque de moedas que um banco normal não consegue oferecer: cerca de 150 moedas de todo o mundo – kwanzas e o bolívar venezuelano estão entre as exceções por se tratarem de moedas que escasseiam no mercado.

Líbano Monteiro gosta de manter os seus clientes informados. Por exemplo, se há uma reunião importante da Reserva Federal norte-americana, ele ou algum membro da sua equipa diz ao cliente o que poderá acontecer à taxa de câmbio, ajudando a tomar uma decisão.

É em momentos em que o mercado cambial assiste a maior volatilidade que a Ebury faz mais negócios. Como aconteceu em junho, aquando do Brexit. E como aconteceu mais recentemente, quando a libra afundou 10% no espaço de dois minutos e todos foram apanhados de surpresa. Incluindo a Ebury e os clientes. E houve negócio para aproveitar a baixa da libra.

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