Os três desafios das estatísticas: eficiência, comunicação, preparação para o futuro

  • Marta Santos Silva
  • 20 Outubro 2016

Partilhar recursos, comunicar com mais clareza e repensar as questões que se vão colocar nas próximas décadas: são estas as prioridades da ministra da Modernização Administrativa para as estatísticas.

“Quando vemos um número parece fácil, parece que ele surgiu assim”, começa a ministra Maria Manuel Leitão Marques, que tutela a Presidência e a Modernização Administrativa. “Mas todos nós que já vimos como é que esse número se constrói e se desconstrói sabemos como é difícil”.

A ministra, que falou esta quinta-feira na sessão organizada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em comemoração do Dia Europeu da Estatística, em Lisboa, refere-se à produção de dados estatísticos, que é mais complexa do que alguns pensariam quando olham apenas para os resultados já tratados, como eles são divulgados.

Afirmando que, enquanto ministra da Modernização Administrativa, tem uma ligação próxima com a inovação e aumento da eficiência nos vários setores das Administrações Públicas, Maria Manuel Leitão Marques delineou três desafios principais que se colocam às estatísticas, resultado de uma aceleração da velocidade e da quantidade de informação que é produzida “por múltiplas fontes que concorrem como se obedecessem todas aos mesmos critérios de rigor”.

  1. Eficiência: “É uma cultura que temos de introduzir no nosso dia-a-dia”, afirma Maria Manuel Leitão Marques, “temos de estar sempre a pensar se temos oportunidade de melhorar”. Para enfrentar o desafio de uma maior eficiência, explica a ministra, é preciso não só identificar oportunidades de partilha de recursos e investimentos — como por exemplo a partilha de dados entre as Administrações Públicas e o Instituto Nacional de Estatística de forma a identificar os dados que já foram submetidos pelos cidadãos para outros efeitos e que podem ser obtidos sem necessidade de realização de inquéritos — mas também saber medir as poupanças que o aproveitamento dessas oportunidades gera. “Se não medirmos os encargos que poupamos”, acrescenta, “não conseguimos comunicá-los”.
  2. Comunicação: “O nosso trabalho pode ter grande qualidade, mas se não soubermos comunicar resultados com rigor, esse trabalho não será percecionado pelos cidadãos”, diz Maria Manuel Leitão Marques, que apela a uma maior clareza na comunicação dos resultados estatísticos, “para que mais portugueses os entendam”.
    Para a ministra, a comunicação deve ser direcionada para os públicos que vão fazer uso dela: mais simples para o público em geral, ou mais técnica para aqueles que fazem uso das estatísticas na sua profissão.
  3. Preparar o futuro: A principal preocupação da ministra prende-se com o “tratamento das grandes massas de dados” que, com as novas tecnologias, podem ser recolhidos e analisados de formas que anteriormente eram impossíveis. Um desafio que o INE vai ajudar a descobrir como enfrentar, criando mecanismos e abrindo portas para a análise e o cruzamento de grandes quantidades de informação conforme as necessidades e interesses de cada cidadão.
    Outro desafio que se avizinha no futuro é um novo entendimento sobre a proteção de dados, que na era digital não se coloca da mesma forma que no século XXI. “Temos de usar a tecnologia para reinventar a maneira como protegemos os nossos dados pessoais”, afirma Maria Manuel Leitão Marques.

Editado por Mónica Silvares.

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