Wolfgang Schäuble: Portugal estava a ser bem-sucedido até entrar um novo Governo

No espaço de uma semana são já dois os responsáveis alemães a enviarem recados para o Governo de António Costa.

Não é a primeira vez que fala sobre Portugal e não é a primeira vez que é polémico.

De acordo com informações avançadas pela agência Bloomberg, Wolfgang Schäuble discursou esta quarta-feira em Bucareste, na Roménia, onde disse que Portugal estava a ser bem-sucedido… até entrar um novo Governo.

De acordo com a agência norte-americana, o ministro alemão das Finanças, visto por muitos como o representante da linha mais dura da disciplina financeira na Europa, defendeu que uma união monetária “significa regras comuns que têm de ser respeitadas” por todos.

Em resposta aos jornalistas, no final da conferência, Schäuble disse que “Portugal foi muito bem-sucedido até ao novo Governo. Depois das eleições (…), [o novo Governo] declarou que não iria respeitar aquilo que tinha sido acordado pelo Governo anterior”.

“Foi neste sentido que alertei o nosso colega português, porque lhe disse que se for por esse caminho iria assumir um grande risco, e eu não assumiria tal risco”, afirmou Wolfgang Schäuble aos jornalistas.

Mais à frente, o responsável alemão disse que Europa teve sucesso em combater a crise das dívidas soberanas desde 2010, acrescentando ainda que os governos da Zona Euro sempre respeitaram a flexibilidade das regras do euro.

Os fantasmas de Schäuble

No final de Junho deste ano, numa outra conferência, desta vez em Berlim, as palavras de Wolfgang Schäuble também caíram muito mal em Portugal, já que o ministro alemão ressuscitou o fantasma do segundo resgate.

Na altura, de acordo com as agências Reuters e Bloomberg, o governante alemão teria dito que Portugal precisava de um novo resgate e que este seria concedido. No entanto, mais tarde, Wolfgang Schäuble acabaria por corrigir e amenizar as suas afirmações, dizendo que Portugal poderia precisar de um novo empréstimo internacional se não cumprisse as regras europeias.

Na semana passada, o economista alemão Otmar Issing também criticava o Governo português por ter virado na “direção errada”. Em entrevista à agência Bloomberg, o antigo economista-chefe do BCE acusava o Governo de António Costa de “desperdiçar tempo”, acrescentando que Portugal iria pagar “o preço” das políticas que vão contra o alinhamento de “estabilidade da zona euro”.

As declarações de Schäuble já provocaram a reação do deputado do PS João Galamba

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Wolfgang Schäuble: Portugal estava a ser bem-sucedido até entrar um novo Governo

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião