Made of Lisboa: são os empreendedores que fazem a cidade? Ou é a cidade que faz os empreendedores?

Lisboa lança esta quinta-feira nova imagem agregadora: uma platafoma que permite conhecer, contactar e pôr em contacto todos os personagens do ecossistema empreendedor da cidade.

Quem nasceu primeiro: Lisboa empreendedora ou os empreendedores de Lisboa? A resposta não é simples, garantem. Mas, se Paulo Soeiro de Carvalho, diretor municipal de Economia e Inovação da Câmara Municipal de Lisboa, pudesse responder, diria que nasceram no mesmo dia e, à mesma hora. É que, segundo Soeiro de Carvalho, é também graças às colinas e ao rio, à calçada, às floristas e aos alfarrabistas, às ruelas íngremes da Graça e aos cafés do Chiado — e não só — que Lisboa é hoje a cidade empreendedora que se tornou. E que garante a chegada e a existência de tantos fazedores na cidade. Made of Lisboa: resultado da cidade.

“A influência que a cidade tem na forma como as pessoas fazem negócio faz com que o ecossistema seja obra da cidade. Todas as pessoas são resultado da cidade. E esta marca vai conseguir juntar todas as entidades e permitir perceber o que está a acontecer: pessoas, empresas e lugares”, detalha Rui Quinta, fundador da With Company, empresa portuguesa que, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, criou a plataforma Made of Lisboa – Community of Lisbon-based Innovators, apresentada esta tarde, no Terreiro do Paço.

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Só que a história da marca começa cerca de nove meses antes, numa reunião entre Paulo Soeiro de Carvalho e Rui Quinta, com as respetivas equipas. Na altura, a autarquia andava à procura de uma marca agregadora que pudesse definir Lisboa como cidade empreendedora, ideia reconhecida informalmente e premiada, a nível europeu, e 2015: no ano passado, Lisboa recebeu o prémio de European Entrepreneurial Region, atribuído pela primeira vez nesse ano pelo Comité das Regiões.

“Lisboa foi muitas vezes chamada a nível internacional como ‘nova Berlim’ ou ‘próxima S. Francisco. Mas por que é que Lisboa não podia ser apenas Lisboa?”, questionava Soeiro de Carvalho meses depois, em frente a uma plateia que se reuniu no Teatro S. Luiz para conhecer o projeto denominado Define Lisboa.

“Por muito que falássemos sobre negócios, startups e investimento com as pessoas que participaram no processo, a conversa ia sempre parar ao mesmo sítio: falavam da cidade, do surf a 10 minutos, do rio, dos bairros, do sol”, explica Rui Quinta, em entrevista ao ECO. Mas, porque uma marca seria um elemento “demasiado estanque”, a With e a Câmara de Lisboa decidiram ir fazendo crescer o conceito, com entusiasmo à escala: a certa altura, até Duarte Cordeiro e Fernando Medina, vice-presidente e presidente da autarquia, respetivamente, entraram no processo.

"Por muito que falássemos sobre negócios, startups e investimento com as pessoas que participaram no processo, a conversa ia sempre parar ao mesmo sítio: falavam da cidade, do surf a 10 minutos, do rio, dos bairros, do sol.”

Rui Quinta

Fundador da With Company

O projeto, pensado como uma estratégia para detalhar as características da cidade empreendedora — Lisboa agrega na cidade 15 incubadoras de empresas, programas de aceleração (dois internacionais), cinco Fab Labs e mais de 40 espaços de cowork, de acordo com dados da Câmara Municipal de Lisboa a que o ECO teve acesso — e dar corpo a uma marca que a pudesse representar, prolongou-se por menos de um ano: 60 entrevistas, informação suplementar e necessidades detetadas, o Define Lisboa foi uma espécie de ‘primeiro passo’ no caminho que conduziu ao Made of Lisboa, a nova marca de Lisboa-cidade-empreendedora.

Pedro Oliveira Landing.Jobs define lisboa
Pedro Oliveira, co-fundador da startup portuguesa Landing.Jobs, foi um dos entrevistados durante o processo.

“Com o progressivo interesse dos intervenientes e, depois, do vice-presidente e presidente da Câmara, o projeto ganhou escala. Assim, além de criarmos de tratarmos de criar uma marca, pensámos numa solução para uma das grandes necessidades: sistematizar e pôr em contacto todo o ecossistema”, detalha Rui Quinta, da With Company, ao ECO.

Por muito que falássemos sobre negócios, startups e investimento com as pessoas que participaram no processo, a conversa ia sempre parar ao mesmo sítio: falavam da cidade, do surf a 10 minutos, do rio, dos bairros, do sol.

Rui Quinta

Fundador da With Company

“A marca seria uma coisa demasiado estanque. A ideia é que esta plataforma, Made of Lisboa, esteja em mutação constante e permita que a cidade vá crescendo em todas as suas camadas”, acrescenta Rui Quinta.

O processo criativo

Quando Rui Quinta foi desafiado por Paulo Soeiro de Carvalho, responsável pelo departamento de inovação na Câmara Municipal de Lisboa, a pensar numa marca que pudesse definir a cidade enquanto ecossistema empreendedor, a With Company arrancou com o processo para perceber o ambiente. A equipa de nove pessoas da startup arrancou então com um encontro de design thinking, uma espécie de brainstorming que permitiu juntar elementos do ecossistema para perceber características e necessidades.

 

Foi desse processo, ao qual se seguiram entrevistas, que resultaram as principais conclusões do Define Lisboa, uma plataforma dinâmica na qual os visitantes se tornavam participantes do processo de definir e dar um nome ao ecossistema. “Onde investias?”, “E se o ecossistema empreendedor de Lisboa tivesse um nome?” e “Lisboa é…” foram alguns dos desafios lançados no site, que contaram com a participação de centenas de pessoas, entre as quais empreendedores, investidores e entusiastas.

Depois, foi altura de juntar tudo e começar a construir a marca. Partindo da ideia das sete colinas da cidade, a With Company construiu um molde em plasticina que serviu o principal objetivo do conceito: passar para o digital a permeabilidade e a flexibilidade da cidade, lugar de encontro, de recomeços e de ideias e negócios. O resultado desse trabalho estão agora reunidos na marca “Made of Lisboa”, uma plataforma construída em regime de open source e, a partir de hoje, em “permanente construção”, defende Rui.

“É muito mais do que uma marca: o que lançamos é uma plataforma que vai além daquilo que outras cidades — como Berlim ou Amesterdão — estão a fazer. E que serve para perceber, explorar e atrair investimento, que junta Fab Labs, espaços de cowork, startups, empreendedores e criativos”, explica o designer.

Made of Lisboa em números

Falar de ecossistema empreendedor — ou melhor, falar de Made of Lisboa –, é falar de números. De acordo com dados da Câmara Municipal, até agosto de 2016 existiam cerca de 475 startups alojadas em incubadoras e aceleradoras da cidade, que representam mais de 3160 postos de trabalho diretos. Nos últimos três anos, os números são mais expressivos ainda: mais de 1340 startups fundadas nas incubadoras e aceleradoras de Lisboa, que representam cerca de 5730 postos de trabalho diretos e mais de 180 milhões de euros de investimento, valor agregado de informação pública e de informação enviada por incubadoras e aceleradoras.

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